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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Sintra de soidade

Volta do Duche, Sintra (H. Novais, s.d.)
Volta do Duche, Sintra, [s.d.]. 
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Marginal

EstradaMarginal, Gibalta (H. Novaies, post 1952)
Estr. Nacional 6 no entroncamento com a E.N. 6-3, Caxias (prox.), post 1952.
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Da batalha de D. Carnaval com D.ª Quaresma


Elfenthal, Hoy comamos y bebamos
(Rockshow, 2010)


 


Juan del Enzina, Oy comamos y bevamos, c.1495.
Transcrição do Cancionero Musical de Palacio [Cancionero de Barbieri], séc. XV-XVI, fs. cvv., cvi r. e tentativa de tradução em português.

Oy comamos y bevamos
y cantemos y holguemos
que mañana ayunaremos

Por onrra de Santantruejo
paremonos hoy biẽ ãchos
enbutamos eſtos panchos
rrecalquemos el pellejo
que costũbr' es de concejo [*]
que todos oy nos hartemos
que mañana ayunaremos.

Honremos a tã buen ſanto,
porque en hãbre nos acorra
comamos a calca porra
que mañana ay grã quebranto
comamos, bevamos tão
hasta que nos rebentemos
que mañana ayunaremos.

Beue Bras mas tu Beneyto
beua Pidruelo y Llorente
beue tu primeramente;
quitarnos has deſte preito
en beuer bien me deleyto
daca, daca, beueremos,
que mañana ayunaremos.

Tomemos oy gaſajado
que mañana viene [**] la muerte
bevamos, comamos huerte
vamonos para el ganado
no perderemos bocado
que comiẽdo nos iremos
que mañana ayunaremos.
Hoje comamos e bebamos [***]
E cantemos e folguemos
Que amanhã jejuaremos.

Por honrar São Carnaval
Quedemos hoje em fartanças
Entupamos estas panças
Lustremos o cabedal
Que o costume é tão geral
Que todos hoje enfartemos
Que amanhã jejuaremos.

Honremos a tão bom santo
Por que à fome nos acorra
Comamos à tripa forra
Que amanhã há grão quebranto
Comamos, bebamos tanto
Até que nos rebentemos
Que amanhã jejuaremos.

Bebe Brás mais tu, Bentito
Beba Pedrito e Vicente [****]
Bebe tu primeiramente
Remir-nos-ás deste preito
Em beber bem me deleito
Dá cá! Dá cá! Beberemos
Que amanhã jejuaremos.

Tomemos hoje este agrado
Que amanhã vem-nos a morte
Bebamos, comamos forte
Vamo-nos, vamos ao gado
Não perderemos bocado
Que comendo nos iremos
Que amanhã jejuaremos.

[*] No Cancionero de Palacio vem aglutinado costũbres por costumbre es…
[**] Sigo o texto do dito Cancionero de Palacio. A bem da métrica haveria de ser vien, forma apocopada de viene, que aparece em algumas versões do vilancete.
[***] Hoje adianta uma sílaba a [h]oy e desarranja a métrica do verso, mas parece ainda assim soar melhor do que, p. ex., hoje comamos, bebamos
[****] Llorente é Lourenço em português; na écloga V de Enzina é o quarto pastor em cena, que ajuda os outros três, Brás, Beneyto, Pidruelo, a cantar o vilancete da récita ao Duque de Alva na última noite do Carnaval de, segundo Moratín, 1495. Vicente é mera concessão à rima em português.


Juan del Enzina, Oy comamos y bevamos, c. 1495. «Cancionero Musical de Palacio» [Cancionero de Barbieri], séc. XV-XVI, fs. cv [v.]., cvi [r.].

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Oy comamos y bevamos


Juan del Enzina, Oy comamos e bevamos, c. 1495. 
(L.A. Camerata, 2019)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Credo

Credo, Portugal — © 2023
Credo, Portugal — © 2023

Escolhos do novíssimo credo

Escolhos do novíssimo credo, Portugal — © 2022
Escolhos do novíssimo credo, Portugal — © 2023

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Aventuras do Tio Carlos

Aventuras do tio Carlos (D.L., 7-II-970)
(«Aventuras do Tio Carlos», in Diário de Lisboa, 7/II/1970. Adaptado da Fundação do irmão do dr. Tertuliano.)

Noite alta…


F. Schubert, Trio n.º 2 para piano, violino e violoncelo, Op. 100 — II. Andante con moto.
Trio Wanderer (Vincent Coq, piano, Jean-Marc Phillips-Varjabédian, violino, e Raphaël Pidoux, violoncelo), Viagem de Inverno 2007.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Os Soeiros da rua da Oliveira

Rua do Terreirinho (antiga da Oliveira), Lisboa (L. Pavão, 2011)
Rua do Terreirinho, Lisboa, 2011.
Luís Pavão, in archivo photographico da C.M.L.



 A rua do Terreirinho, às Olarias, é a antiga da Oliveira, na freguesia dos Anjos.



« Terreirinho (Rua do) — Antigamente — da Oliveira.
 Existia já em 1770 com esta denominação — Veja testamento de Caetano José Estácio, no meu arquivo, Titulos das casas do Terreirinho. Veja também Bernardes Branco, no D. João V — o anúncio do curandeiro da rua da Oliveira, e a razão do porquê desta denominação. Autorisada esta denominação pelo edital do Govêrno Civil de 1 de Setembro de 1859.»


Gomes de Brito, Ruas de Lisboa, III, Sá da Costa, 1935, p. 6.



 Hoje li infausto noticiário de que é à Mouraria. Com a maior propriedade será, me parece, por quanto lhe os anjos já de pouco ou nada lá valem…


 Em 1790-94 residia nesta rua da Oliveira aos Anjos a família dos Soeiros que, consta em Luiz Pastor de Macedo (Lisboa de Lés-a-Lés, vol. V, C.M.L., 1968), fôra proprietária da quinta dêsse nome na «estrada que segue desta cidade para o sítio denominado da Luz» — na estrada da Luz, por tanto; ainda lá temos hoje a rua dos Soeiros a lembrar o nome.



« Era seu chefe o dr. Alexandre Vitorino Cardoso Soeiro, casado com D. Isabel Rosa de Miranda, de quem tinha duas filhas e dois filhos pelo menos. Estes foram o desembargador José Alexandre Cardoso Soeiro e Manuel Cardoso Soeiro; e as filhas casaram no oratório privativo das casas de morada na rua da Oliveira [*], uma, D. Maria Antónia Cardoso Soeiro, em 22 de Dezembro de 1790 com o desembargador José Manuel Oliveira Mascarenhas [**], e outra, D. Máxima Benedita Cardoso Soeiro, em 25 de Novembro de 1794 com o o desembargador Joaquim Gomes Teixeira.» (p. 37.)



 Isto pode achar-se no Liv.º XI de casamentos, f. 264 e no Liv.º XII, f. 84, da antiga e, cá está, extincta, freguesia dos Anjos. Para bom entendedor…



« A suposição em que estamos de que estes Soeiros seriam os da quinta da travessa do Soeiro [à estrada da Luz] baseia-se na circunstância das duas filhas do dr. Alexandre terem sido baptizadas na paroquial de S. Lourenço de Carnide.» (p. 38.)



 O fim da Rua do Terreirinho, a desembocar na do Bem Formoso em 1950.


O fim da rua do Terreirinho a desmbocar na do Bem Formoso, Lisboa (E: Portugal, 1950)
Rua do Benformoso no trôço onde desemboca a Rua do Terreirinho (à esq.) [***], Anjos, 1950.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.




[*] O registo paroquial em 1790 dá o oratório da rua da Oliveira a Manoel Clemente Cardoso Soeiro, filho do desembargador Alexandre Vitorino. Em 1794, no casamento de sua filha, D.ª Máxima, já o prior o designa como «oratório das casas de rezidencia do Dezembargador Jozé Alexandre Cardoso Soeiro».
[**] Baptizado na freg.ª de S. Thomé e morador na do Socorro. Quando a Mouraria era bem cristã, se me faço entender… . 
[***] «e enfim, [d]o oratório ou passo do Benformoso (ou Boi-formoso), justamente no sítio da empena do prédio que tem três frentes, uma para a Rua do Benformoso, outra para a Rua da Oliveira, e a outra (a da empena) sobre as escadinhas que ligam as duas ruas, na base da Calçada de Agostinho de Carvalho.» (J. Castilho, Lisboa Antiga; Bairros Orientais, 3.ª ed., v. III, p. 306.)