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domingo, 5 de fevereiro de 2023

Os Soeiros da rua da Oliveira

Rua do Terreirinho (antiga da Oliveira), Lisboa (L. Pavão, 2011)
Rua do Terreirinho, Lisboa, 2011.
Luís Pavão, in archivo photographico da C.M.L.



 A rua do Terreirinho, às Olarias, é a antiga da Oliveira, na freguesia dos Anjos.



« Terreirinho (Rua do) — Antigamente — da Oliveira.
 Existia já em 1770 com esta denominação — Veja testamento de Caetano José Estácio, no meu arquivo, Titulos das casas do Terreirinho. Veja também Bernardes Branco, no D. João V — o anúncio do curandeiro da rua da Oliveira, e a razão do porquê desta denominação. Autorisada esta denominação pelo edital do Govêrno Civil de 1 de Setembro de 1859.»


Gomes de Brito, Ruas de Lisboa, III, Sá da Costa, 1935, p. 6.



 Hoje li infausto noticiário de que é à Mouraria. Com a maior propriedade será, me parece, por quanto lhe os anjos já de pouco ou nada lá valem…


 Em 1790-94 residia nesta rua da Oliveira aos Anjos a família dos Soeiros que, consta em Luiz Pastor de Macedo (Lisboa de Lés-a-Lés, vol. V, C.M.L., 1968), fôra proprietária da quinta dêsse nome na «estrada que segue desta cidade para o sítio denominado da Luz» — na estrada da Luz, por tanto; ainda lá temos hoje a rua dos Soeiros a lembrar o nome.



« Era seu chefe o dr. Alexandre Vitorino Cardoso Soeiro, casado com D. Isabel Rosa de Miranda, de quem tinha duas filhas e dois filhos pelo menos. Estes foram o desembargador José Alexandre Cardoso Soeiro e Manuel Cardoso Soeiro; e as filhas casaram no oratório privativo das casas de morada na rua da Oliveira [*], uma, D. Maria Antónia Cardoso Soeiro, em 22 de Dezembro de 1790 com o desembargador José Manuel Oliveira Mascarenhas [**], e outra, D. Máxima Benedita Cardoso Soeiro, em 25 de Novembro de 1794 com o o desembargador Joaquim Gomes Teixeira.» (p. 37.)



 Isto pode achar-se no Liv.º XI de casamentos, f. 264 e no Liv.º XII, f. 84, da antiga e, cá está, extincta, freguesia dos Anjos. Para bom entendedor…



« A suposição em que estamos de que estes Soeiros seriam os da quinta da travessa do Soeiro [à estrada da Luz] baseia-se na circunstância das duas filhas do dr. Alexandre terem sido baptizadas na paroquial de S. Lourenço de Carnide.» (p. 38.)



 O fim da Rua do Terreirinho, a desembocar na do Bem Formoso em 1950.


O fim da rua do Terreirinho a desmbocar na do Bem Formoso, Lisboa (E: Portugal, 1950)
Rua do Benformoso no trôço onde desemboca a Rua do Terreirinho (à esq.) [***], Anjos, 1950.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.




[*] O registo paroquial em 1790 dá o oratório da rua da Oliveira a Manoel Clemente Cardoso Soeiro, filho do desembargador Alexandre Vitorino. Em 1794, no casamento de sua filha, D.ª Máxima, já o prior o designa como «oratório das casas de rezidencia do Dezembargador Jozé Alexandre Cardoso Soeiro».
[**] Baptizado na freg.ª de S. Thomé e morador na do Socorro. Quando a Mouraria era bem cristã, se me faço entender… . 
[***] «e enfim, [d]o oratório ou passo do Benformoso (ou Boi-formoso), justamente no sítio da empena do prédio que tem três frentes, uma para a Rua do Benformoso, outra para a Rua da Oliveira, e a outra (a da empena) sobre as escadinhas que ligam as duas ruas, na base da Calçada de Agostinho de Carvalho.» (J. Castilho, Lisboa Antiga; Bairros Orientais, 3.ª ed., v. III, p. 306.)

2 comentários:

  1. Anónimo5/2/23 22:16

    Em preocupações do Moedas pra palanques, dava jeito um Cabrita pra inspecções.

    Cumpts

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  2. Só personagens de opereta!…
    Cumpts.

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