Por que é a Avenida da República da República e como não houve a Avenida Cinco de Outubro de sêr do Cinco de Outubro?
É das tais cousas…
Em quanto à Avenida da República, foi logo em 6 de Outubro de 1910 — o dia loguinho a seguir à proclamação da república — que, em sessão ordinária (isso mesmo!) da câmara, foi deliberado que as avenidas Ressano Garcia e António Maria de Avellar haveriam de sêr crismadas Avenida da Republica e Avenida Cinco d' Outubro (normando e orthographia conforme o edital). Facto indesmentível é que os republicanos do Cinco de Outubro, novos senhores da situação, foram lestos em apresentar obra: dum dia para o outro, de gargarejo (a deliberação da câmara); ao cabo dum mês, vertida em papel (o edital).
Ei-lo aí com friso de moldura e tudo.

Bom! De obras feitas dum dia para o outro êle é como vêdes: na república, a avenida da dita apareceu logo, logo dum dia para o outro (é outra das tais coisas; ainda com a ponte do 25 de Abril e com o aeroporto do grande demitidor o vistes…) Mas, bem que rápidos nêstes melhoramentos de gargarejo, os homens da I.ª República encalharam na engenharia das coisas; aquela se estriba na realidade. E a Av. da República, rasgada dum dia para o outro com o mesmo encalhanço que tinha na Monarchia — o atêrro da linha de cintura em Entre Campos que lhe cortava a faixa central em duas — não desencalhou disso senão bem adeantada a II.ª República. Podeis vêr a ironia: demitidos que foram (meramente da toponímia) os engenheiros Ressano Garcia e Ant.º M.ª de Avellar e, de melhoramentos do 5 de Outubro nessas avenidas novas, donde quere que olhemos, êles ficaram pelo edital da câmara.

Viaducto ferroviário cortando a Av. da República (vista Norte-Sul), Lisboa, 1944.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

Viaducto ferroviário cortando a Av. da República (vista Sul-Norte), Lisboa, 1944.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.
E em quanto à avenida pròpriamente do Cinco de Outubro, com a república também ela, como vistes, apareceu dum dia para outro. Não façamos agora caso de que é avenida sem saída até hoje.
(O edital é da Toponímia.)
Para ver se consigo situar-me.
ResponderEliminarNa primeira foto norte-sul vemos a cúpula dos prédios da Av. da República que foi desse lado tirada a fotografia do eléctrico. Na fotografia do eléctrico vemos um túnel redondo ao lado do viaduto, quer dizer que o tal túnel da Av. 5 de Outubro não é este, mas o outro muito mais afastado do viaduto central.
Cumpts.
O Edital é muito instructivo.
ResponderEliminarO que me entristece é ver Frederico Ressano Garcia sujeito a desclassificações por políticos de bosta (valha-nos santo Mamadou Baila Ba). Aliás os políticos sempre sobreviveram na caca — são as moscas que mudam.
O nome de Ressano Garcia foi dado a uma ruazeca no Bairro Azul.
Cumps
Outros do Partido Progressista do Ressano Garcia por lá ficaram com a sua Avenida: o João Crisóstomo e o António Enes.
ResponderEliminarA ruazeca é na Amadora, no Bairro Azul é a Avenida Ressano Garcia.
Quem é esse Mamadou Baila Ba?
Cumpts.
Vê a roupa estendida a secar no gradeamento à esq. na fotografia de Sul para Norte? Confronte-a com a do eléctrico. Percebe naquela o enquadramento mais largo da fotografia do eléctrico, não é verdade?
ResponderEliminarO viaducto da Av. do Cinco de Outubro era outro mais além.
Cumpts.
Talvez haja sido um negócio de lojas, a toponímia…
ResponderEliminarCumpts.
É tudo muito instructivo, eu me parece.
ResponderEliminarCumpts.
Podia muito bem ter sido isso.
ResponderEliminarEra o que estava a dar, as de sapatarias e agências bancárias ainda não tinham alvará.
Cumpts.
Para o [s.n.] a 19 de Março de 2022
ResponderEliminarDeixe-se de pormenores de flausinas ou de flausinos.