
Viaducto ferroviário da Av. da República (Sul/Poente), Entre Campos, 1944.
Fototipia animada de um original de Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.
Pois bem! Tinha-me eu referido às passagensinhas sôb a linha de cintura em Entre Campos. Em cima as da Avenida da República, com uma em arco à margem da rua lateral poente dessa avenida. Aventei ontem a hipótese de se dever a sua excentricicidade ao eixo das avenidas da República e do Cinco de Outubro a serem elas reminiscências de caminhos rurais anteriores à malha das avenidas novas de Ressano Garcia.
Assim é.
A planta a seguir, de 1902, mostra que eram dois caminhos vindos da Estrada do Rêgo (entre o Campo Pequeno e o Largo do Rêgo) e que atalhavam pelas terras de Francisco Izidoro Vianna até ao tôpo Sul da rua ocidental do Campo Grande; mais ou menos onde começa hoje a Av. das Fôrças Armadas. Não sei se um ou ambos êstes caminhos não seriam conhecidos como a Azinhaga do Ferro.

Frederico Ressano Garcia, Planta da zona de Picoas até ao Campo Grande, que inclui a avenida Ressano Garcia, actual avenida da República, a estrada de Picoas, o matadouro, o largo da Cruz do Taboado, a propriedade da condessa de Camaride, a estrada do Arco do Cego, a avenida Fontes Pereira de Melo, a praça de Touros, a propriedade do conde das Galveias, a estrada de Entrecampos [a estrada do Rêgo e a quinta de Francisco Isidoro Viana] e o mercado Geral de Gados, C.M.L., 1902 (PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/01928), apud Francisco de Matos et al., Do Saldanha ao Campo Grande: os originais do Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, C.M.L., 1999, pp. 26-27.
(Fototipia animada do original de Eduardo Portugal às 8 da noite.)
Esta fotografia do lado Sul/Poente é enganadora em relação às outras.
ResponderEliminarQuer dizer que nesta foto o trânsito vai no sentido do Saldanha? Então o túnel (em arco) à esq. é outro. Ou este túnel era do lado da Rua Visc. Seabra e o trânsito vai no sentido do Campo Grande? Nesse caso a fotografia é do lado Norte.
Existe fotografias em que aparece o viaduto de Entrecampos na totalidade tanto do lado Norte como do Sul, contemporâneas destas, com túneis laterais e ao centro o trânsito de automóveis e eléctricos separados por um torreão central, nesta foto só vemos um sentido do trânsito.
Ao menos valha-nos os eléctricos não precisar de câmaras d'ar nas rodas.
Cumpts.
Nunca seria capaz de identificar!
ResponderEliminarNão iria além da noção que tenho da M. da Fronteira.
O trânsito vem no sentido do Saldanha. O túnel em arco é o excêntrico da Av. da República. Ficava a Sul do Mercado Geral dos Gados (ao depois Feira Popular). Corresponde ao caminho inferior do talhão n.º 23 da planta. O viaductozinho dos verbetes anteriores, o da Av. do Cinco de Outubro, mas desviado do seu eixo, vê-se na planta correspondendo ao caminho na parte superior do dito talhão n.º 23, que em 1902 já era do Mercado Geral dos Gados, encravado nas terras de Francisco Izidoro de Vianna ou de seus herdeiros. — Ainda estou por descobrir quem era êle.
ResponderEliminarNão seria fácil sem a legenda. Só mesmo conhecendo a coisa. A fotografia nem tem pontos de referência. Salvo, com grande custo, o n.º 2 do eléctrico. Vinha êle do Lumiar. Mas só com muito boa vontade lhe conseguimos descortinar a bandeira dos Restauradores.
ResponderEliminarCumpts.
Os eléctricos não precisavam de câmaras de ar na' rodas, mas a via aérea tinha de se rebaixar sôb a ferrovia.
ResponderEliminarCumpts. :)
Se quiser f.f. de observar duas fotografias de Eduardo Portugal de 1944 ficará com a mesma ideia quanto eu.
ResponderEliminarOs códigos de refª.do Arq. CML são:
VIADUTO DE ENTRECAMPOS
PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/EDP/000612
PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/EDP/000604
Cumpts.
Rectifico
ResponderEliminarUma coisa era o túnel na Av. 5 de Outubro, outra eram os túneis laterais para peões (arco redondo) sob o viaduto central na Av. da República em 1944, como se pode ver nas fotografias de Eduardo Portugal referenciadas
Cumpts.
Talvez não me haja eu explicado bem. Este túnel redondo desviado do eixo da Av. da República não era destinado a peões. Era uma passagem feita ali por 1891 para manter a serventia duma azinhaga mais antiga que ligava a Estrada do Rêgo ao Campo Grande. Doutra maneira ficaria essa serventia cortada pelo atêrro da linha de cintura.
ResponderEliminarO mesmo se passou com a passagem da Av. do Cinco de Outubro, também ela desviada do eixo dessa avenida nova e por vir também ela de 1891. A planta de 1902 mostra essas azinhagas sobrepostas ao plano das avenidas.
Portanto, são ambas as passagens estreitas e pequenas por anteriores ao plano das avenidas e ambas rasgadas por 1891 no ponto onde ali corriam dois caminhos antigos. E quando se fizeram as avenidas não se rasgou mais o atêrro da linha de cintura no ponto onde aquelas a vieram a cruzar, a não ser sôb as duas faixas laterais da Av. da República (fez-se um mínimo). A faixa central desta só veio a ser aberta através do velho atêrro ferroviário em 1950. (As fotografias que indica são anteriores a êle.) E na Av. do Cinco de Outubro usou-se o primitivo viaducto de 1891 até 1973, quando foi desbastado tôdo atêrro ainda existente entre as duas avenidas para levar a cabo o nôvo viaducto corrido desde o antigo apeadeiro de Entre Campos, a oriente da Av. da República, até além do limite ocidental da Av. do Cinco de Outubro.
Cumpts.
Cf. a história dos novos viaductos nos Restos de Colecção.
ResponderEliminarCumpts.
É isso mesmo
ResponderEliminarObrigado por toda a explicação e publicações de consulta.
Cumpts.
Obrigado eu, do interêsse.
ResponderEliminarCumpts.
Caro BIC,
ResponderEliminarEstas vistas são para especialistas. Esta zona está tão alterada/descaracterizada que é quase impossível reconhecê-la.
Há pormenores enternecedores, como a roupa estendida a ver passar o eléctrico que se avizinhava. Uma cidade ainda aldeia.
Cumprimentos
O contraste é demasiado, sim. Mas a idéia por que comecei com a mulher do cântaro à fonte nessas avenidas cheias de pitoresco era mesmo essa. Ao depois cuido que me entusiasmei…
ResponderEliminar:)
Cumpts.