Devem ser poucas as terras em Portugal que não têm uma rua Almirante Reis (ou Cândido dos Reis). Já gente que saiba dos seus feitos ou quem foi o almirante Reis há-de ser pouca. Pois o almirante Reis é um grande herói do 5 de Outubro que se suicidou em… 4 de Outubro de 1910. O seu feito heróico foi meter-se a derrubar a monarquia e matar-se... quando lhe pareceu que a revolta fracassara (uns barcos da Marinha não largaram as canhonadas que haviam de dar em sinal de se sublevarem).
Sem alento, passou por casa das irmãs nos ermos de Arroios; parece que entrou mudo e saiu calado e, ao amanhecer o dia 5, jazia morto na Azinhaga das Freiras, pertinho da das irmãs. O feito mortal valeu-lhe de pregarem logo o seu nome, não na azinhaga esconsa onde o acharam — que essa apesar do jacobinismo republicano permanece hoje dada às freiras —, mas na melhor avenida das adjacências: a Avenida D.ª Amélia.
Ficamos a saber, pois, o que fez o almirante Reis para ter o seu nome propagandeado em tanta rua da República Portuguesa. O que lhe foi na alma, aqui, naquela noite trágica ao pé desta capelinha, só ele o soube.
Azinhaga das Freiras a Arroios, Lisboa, 1911.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
(Publicado originalmente em 6 de Outubro do anno 12 à meia-noite e vinte e três.)
Na minha opinião de monárquico o que o Almirante Cândido dos Reis foi um acto de patriotismo dado que era militar e estava a trair a pátria e naquele tempo a justiça militar previa a pena capital.
ResponderEliminarNo caso da topominia, é uma espécie de adoração semelhante a que muitos desesperados fazem ao Dr. Souza Martins no Campo de Santana mesmo em frente a Escola de Ciências Médicas; porque em ambos os casos se veneram suicidas; o almirante porque viu a bosta que ia fazer, o médico que além de ser um grande médico como há poucos, tinha tuberculose e no seu tempo sem antibióticos era como a SIDA no anos 80 e 90: uma sentença de uma morte lenta
Meu Caro Bic,
ResponderEliminarvou, inteirinho, pelo caminho desbravado pelo Tron. E aprovo a troponímia, desde que provisória como sempre o é, porque aponta o exemplo a seguir pela póstuma criatura do Desaparecido. Já faltou mais...
Abraço
Bem verdade o que dizeis. Não carece de tréplica.
ResponderEliminarCumpts.
caro BIC
ResponderEliminarGrande Herói?? E quanto ao tenente Frederico Pinheiro Chagas, que se suicidou por se recusar render aos desertores que assaltaram Vale de Zebro, ou ao coronel Celestino da Costa, morto à traição quando não pretendia atirar em "populares", ou o capitão Barros fuzilado covardemente pela escumalha carbonária?
Olhe que a toponímia pós-1910 tem uma apetência, de homenagem, hipócrita e pouco moralista.
Calma. Leia o verbete com atenção.
ResponderEliminarE note que quem grafou «herói» com maiúscula foi vossemecê, não eu.
Cumpts.
Desculpe sair do tema, mas será que partiu para férias de novo?...:)
ResponderEliminarMaria
:) Quem me dera.
ResponderEliminarCumpts.
caro BIC
ResponderEliminarEu refiro a toponímia, esse sinal-placa cheio de nomes mal assinalados, por conveniência. Quanto à grafia, e neste caso, tanto faz ser com H maiúsculo ou minúsculo, o termo é dúbio.
Ah! Bom. A toponímia... De certo. De certo.
ResponderEliminarCumpts.
É importante deixar a verdade escrita.
ResponderEliminarFelix I, Papa: O erro a que não se oferece resistência acaba aprovado. A verdade que não se defende fica oprimida.
Abraço do eao
A História contam-na sempre os vencedores. Havia de ser menos, a bem da verdade.
ResponderEliminarCumpts.
Azinhaga que dá agora pelo nome de Calçada das Freiras e que corre junto ao colégio Sagrado Coração de Maria
ResponderEliminarIsso
ResponderEliminarA mudança da toponímia Avenida Rainha D. Amélia para Avenida Almirante Reis deveu-se a implantação da República, também assim aconteceu com a outra Avenida da República.
ResponderEliminarO Almirante Cândido dos Reis foi uma figura importante na implantação da República e, por isso, teve direito ao seu nome em Praças, Avenidas e Ruas por todo o País.
É sabido ele ser hipocondríaco tendo frequentes momentos de entusiasmo e depressão.
Ninguém é herói por se suicidar, talvez as virgens para defenderem a sua pureza, o Getúlio Vargas e os soldados obrigados a antes morrer que a se render.
Cumpts.
Ninguém é herói por se suicidar, é verdade. A menos que tenha o nome em rua ou praça de quási todas as terras de Portugal, caso em que passa à História como tal. — Coisas da propaganda!
ResponderEliminarOutro que tal é o Miguel Bombarda que também abunda em topónimos.
Mais importante do qualquer deles na implantação da república foi Machado dos Santos. Sabe de rua com seu nome?
Cumpts.
Talvez por ser benfiquista, há Av. Machado Santos junto ao Estádio da Luz.
ResponderEliminarTambém toponímias Machado Santos em Portimão, Marinha Grande, Lourinhã, Salvaterra de Magos e....
Realmente Machado Santos foi quem "ofereceu o corpo às balas" e teve sorte do Paiva Couceiro não ter percebido a descida da avenida do Corpo Diplomático com bandeiras brancas.
Depois, anos mais tarde, foi assassinado com o Carlos da Maia e o António Granjo. Ainda hoje não se sabe ao certo quem, verdadeiramente, estava na sombra daquela "noite sangrenta", provavelmente Carmona saberia.
Cumpts
Certamente de ser benfiquista. Eu tive de procurar.
ResponderEliminarUm topónimo de 2008. Em 32, no governo da Ditadura Militar, chegaram a propô-lo para um arruamento que ficou no projecto. Os camaradas da I.ª República por seu lado fartaram-se de baptizar Elias Garcias, Miguéis Bombardas e almirantes Reis. Diz muito, quando se pensa nele…
Cumpts.
Ainda a propósito da mudança toponímica, anúncio num jornal de 1913:
ResponderEliminarCasamentos e mais processos ecclisiásticos e civis e em todo o Paiz, Legados, pios, etc
Breves d'Oratório, de tudo se trata
Padre Villela e Irmão
Rua Mártyres da República (antiga Rua da Rainha)
BRAGA
Cumpts.
Não há nada como sem dúvida.
ResponderEliminarCumpts.
Esta Rua dos Mártyres da República, em Braga, em 1913, relaciona-se com os padres presos pela polícia da República.
ResponderEliminarCumpts.
Ah! Bom! Uma subtileza bem achada que não alcancei. Ainda bem que explicou. Calhando (e creio firmemente nele) foi olho por olho, dente por dente à prática jacobina de sobrepor os seus à toponímia. Mesmo assim não havia de sê-lo.
ResponderEliminarCumpts.