| início |

domingo, 6 de janeiro de 2019

Friagem

 Chamar-se Sábado e sair à quinta já havia de dar para perceber… Mas como se escrevia em português, lá ia… Não que me não irritasse o desacerto desse jornalismo de sábado à quinta; duma Joana Marques inane a um João Pedro George com alvará de sociólogo — publicista de mão canhota, leia-se — ou, do anafado jacaré que queria ser lagartixa.


Governo Sombra, T.V.I. (n/ id., 2018)


 Na outra semana, numa reportagem sobre o Governo Sombra (Ricardo Felner, «Estivemos nos bastidores do Governo Sombra», in Sábado, 27/XII/18) esse zénite rectângulo-itinerante da alta cultura cosmopolita nacional-lisboeta, (re)descobri que o Calimero foi ao cu à abelha Maia (sic). Foi num diálogo telegráfico (agora diz-se por sms) personificado pelo culto Vaz Marques (vejo-o a ler livros na casa de pasto ali em baixo; o dono diz que despacha tomos de peso em menos de duas horas) e o cgonista de digueita,coiso, que assina cgónicas na última página do Púbico (isso mesmo) e que caguega nos egues nas suas locuções na rádio e na TV. Nessa reportagem ainda fiquei a saber que o histrião-mor, comunista (não sei se) militante, filho de aviador da TAP e neto da avó, pagou um jantar no Belcanto [pub] (cerca de 500 €; em dinheiro são 100 000$00, cem contos de réis) por chegar atrasado às gravações.
 Teve graça esta nota dos modestos hábitos pantagruélico-comunitários desta fidalguia nacional, porquanto era esta reportagem sobre ela logo seguida na referida revista Sábado por uma outra com parangonas de truz:


O exílio português de luxo do ditador Fulgêncio Baptista


Fugêncio Baptista, Madeira (n/ id., 1959)
Fulgêncio Baptista, Madeira, c. 1959.
(in Sábado)


 De luxo e ditador… — Hum! Quantas vezes terei lido ditador  na Sábado a adjectivar o Fidel de Castro?! Já para não falar em comezainas de cem contos de réis nalgum Belcanto da Havana, hem?!…


 Enfim! Como disse, a coisa lá ia, comprada à quinta por capricho…


 Pois «ao fim de dez anos», aparece-me de entrada o Dâmaso a justificar o abraço da cacografia brasileira porque… «já passaram dez anos» que ela por aí anda! — Ah, pois anda! Mas é que anda mesmo!… — E este Dâmaso (que nem chega a ser de Salcede) justifica por menos do que um porque sim o que nem careceria nunca de atenção. Há quem lhe chame progresso, e parece que é por aí que o pobre Dâmaso se perde: abraçar a actualidade com dez anos de atraso?! No saco de plástico (agora deu em saco de papel) mal viram a moda, foi logo — chic a valer! Como quererá o Dâmaso ser jornalista director, chefe de redacção ou lá o que é, com novidades assim, com dez anos de atraso?


Sábado, 3/1/19
(Revista Sábado proscrita, 3/I/19.)


 De jornais com ortografia que se leia, sobram o Avante estalinista e o Avante trotskista, vulgo, Púbico (isso mesmo). Além d' O Diabo, o único que me merece a pena ler e que espero se não conspurque coa javardice do Acordo (dito) Ortográfico. O resto é jornalismo (jornalismo?) para esquecer.


 Desejo para 2019 que a Primavera venha depressa e o Verão se ao depois não acabe. Até lá, cuidado com a friagem.

____
A imagem do Governo Sombra é da Sábado, uma revista brasileira que sai à quinta em Portugal.

5 comentários:

  1. Mandarinia7/1/19 10:13

    Caro BIC,
    Conjugando este "postal" com o anterior depressa se percebe o estado deplorável da nossa língua portuguesa.

    Quanto à revista há já algum tempo que a deixei de comprar, por saturação do pensamento único, o tal de não podemos ter fascistas (leia-se qualquer pessoa que não concorde com a cartilha) na comunicação social mas os srs. das FP-25 podem aparecer em qualquer lado e até serem candidatos a cargos políticos.
    Enquanto este estado de coisas durar leio as notícias onde bem me apetece pois a Net abre novos horizontes. Por vezes acontecem circunstâncias engraçadas: não foi o nosso P.R. que sugeriu o financiamento público dos jornais que já ninguém quer pagar para ler?

    Votos de um bom ano

    ResponderEliminar
  2. Enviei-lhes, há pouco, esta mensagem:
    Cara Catarina,

    Venho, por este meio, lamentar a junção da vossa revista ao grupo dos meios de comunicação que utilizam o AO 90.
    Dispenso-me de refutar, com argumentos válidos, os fundamentos para a vossa decisão.
    Congratulo-me, contudo, pelo aumento do volume das minhas poupanças, fruto da não-aquisição de 20 / 30 revistas por ano.
    Com os melhores cumprimentos,
    João

    ResponderEliminar
  3. É merecido que lhes manifestemos quanto a abjecção lhes pode custar.
    Mas é gente sem honra nem vergonha.
    Ano bom !

    ResponderEliminar
  4. Parece-me esta era algo semelhente ao Baixo Império: declínio cultural, invasão de bárbaros...
    A religião esquerdóide toma as vezes do Cristianismo na Alta Idade Média como estruturante das mentes.

    Em pouco tempo pagaremos esta jornalada toda como um novo dízimo.

    Ano bom !

    ResponderEliminar
  5. Obrigado pelos votos.
    Um óptimo 2019 para si também.
    Esta gente vende tudo...

    ResponderEliminar