Chamar-se Sábado e sair à quinta já havia de dar para perceber… Mas como se escrevia em português, lá ia… Não que me não irritasse o desacerto desse jornalismo de sábado à quinta; duma Joana Marques inane a um João Pedro George com alvará de sociólogo — publicista de mão canhota, leia-se — ou, do anafado jacaré que queria ser lagartixa.

Na outra semana, numa reportagem sobre o Governo Sombra (Ricardo Felner, «Estivemos nos bastidores do Governo Sombra», in Sábado, 27/XII/18) esse zénite rectângulo-itinerante da alta cultura cosmopolita nacional-lisboeta, (re)descobri que o Calimero foi ao cu à abelha Maia (sic). Foi num diálogo telegráfico (agora diz-se por sms) personificado pelo culto Vaz Marques (vejo-o a ler livros na casa de pasto ali em baixo; o dono diz que despacha tomos de peso em menos de duas horas) e o cgonista de digueita, o coiso, que assina cgónicas na última página do Púbico (isso mesmo) e que caguega nos egues nas suas locuções na rádio e na TV. Nessa reportagem ainda fiquei a saber que o histrião-mor, comunista (não sei se) militante, filho de aviador da TAP e neto da avó, pagou um jantar no Belcanto [pub] (cerca de 500 €; em dinheiro são 100 000$00, cem contos de réis) por chegar atrasado às gravações.
Teve graça esta nota dos modestos hábitos pantagruélico-comunitários desta fidalguia nacional, porquanto era esta reportagem sobre ela logo seguida na referida revista Sábado por uma outra com parangonas de truz:
O exílio português de luxo do ditador Fulgêncio Baptista

Fulgêncio Baptista, Madeira, c. 1959.
(in Sábado)
De luxo e ditador… — Hum! Quantas vezes terei lido ditador na Sábado a adjectivar o Fidel de Castro?! Já para não falar em comezainas de cem contos de réis nalgum Belcanto da Havana, hem?!…
Enfim! Como disse, a coisa lá ia, comprada à quinta por capricho…
Pois «ao fim de dez anos», aparece-me de entrada o Dâmaso a justificar o abraço da cacografia brasileira porque… «já passaram dez anos» que ela por aí anda! — Ah, pois anda! Mas é que anda mesmo!… — E este Dâmaso (que nem chega a ser de Salcede) justifica por menos do que um porque sim o que nem careceria nunca de atenção. Há quem lhe chame progresso, e parece que é por aí que o pobre Dâmaso se perde: abraçar a actualidade com dez anos de atraso?! No saco de plástico (agora deu em saco de papel) mal viram a moda, foi logo — chic a valer! Como quererá o Dâmaso ser jornalista director, chefe de redacção ou lá o que é, com novidades assim, com dez anos de atraso?

(Revista Sábado proscrita, 3/I/19.)
De jornais com ortografia que se leia, sobram o Avante estalinista e o Avante trotskista, vulgo, Púbico (isso mesmo). Além d' O Diabo, o único que me merece a pena ler e que espero se não conspurque coa javardice do Acordo (dito) Ortográfico. O resto é jornalismo (jornalismo?) para esquecer.
Desejo para 2019 que a Primavera venha depressa e o Verão se ao depois não acabe. Até lá, cuidado com a friagem.
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A imagem do Governo Sombra é da Sábado, uma revista brasileira que sai à quinta em Portugal.
Caro BIC,
ResponderEliminarConjugando este "postal" com o anterior depressa se percebe o estado deplorável da nossa língua portuguesa.
Quanto à revista há já algum tempo que a deixei de comprar, por saturação do pensamento único, o tal de não podemos ter fascistas (leia-se qualquer pessoa que não concorde com a cartilha) na comunicação social mas os srs. das FP-25 podem aparecer em qualquer lado e até serem candidatos a cargos políticos.
Enquanto este estado de coisas durar leio as notícias onde bem me apetece pois a Net abre novos horizontes. Por vezes acontecem circunstâncias engraçadas: não foi o nosso P.R. que sugeriu o financiamento público dos jornais que já ninguém quer pagar para ler?
Votos de um bom ano
Enviei-lhes, há pouco, esta mensagem:
ResponderEliminarCara Catarina,
Venho, por este meio, lamentar a junção da vossa revista ao grupo dos meios de comunicação que utilizam o AO 90.
Dispenso-me de refutar, com argumentos válidos, os fundamentos para a vossa decisão.
Congratulo-me, contudo, pelo aumento do volume das minhas poupanças, fruto da não-aquisição de 20 / 30 revistas por ano.
Com os melhores cumprimentos,
João
É merecido que lhes manifestemos quanto a abjecção lhes pode custar.
ResponderEliminarMas é gente sem honra nem vergonha.
Ano bom !
Parece-me esta era algo semelhente ao Baixo Império: declínio cultural, invasão de bárbaros...
ResponderEliminarA religião esquerdóide toma as vezes do Cristianismo na Alta Idade Média como estruturante das mentes.
Em pouco tempo pagaremos esta jornalada toda como um novo dízimo.
Ano bom !
Obrigado pelos votos.
ResponderEliminarUm óptimo 2019 para si também.
Esta gente vende tudo...