O melhor de 2018 são as referências estrangeiras. A cultura portuguesa vai assim, de alienação em alienação… em alienação… O fenómeno é tão atávico (perdoai-me agora o galicismo) no indígena lusitano que a própria romanização operada há 2000 anos por estas bandas o já mostrou: o prof. Hermano Saraiva dizia num dos seus programas sobre a origem do nome Beja ser Pax Julia; mas que não houvesse engano: a pax de Júlio César era uma tábua rasa sobre cultura autóctone; tanto que, sendo Beja terra de pão, nos não ficou nem ideia da palavra pré-romana para dizê-lo, ao pão («A Paz em Beja», Histórias que o Tempo Apagou, R.T.P., 25/11/1994). O indígena já nesse tempo não aderia senão ao novo…
O melhor de 2018…
Este freguês é jornalista; lida com a linguagem, logo, escreve livros. —
A sua fisionomia facial recorda-me o Tjur do Wickie, mas isso é cultura minha. — Como jornalista diz sekestro nos noticiários, mas isso é já cultura sua. E do jornalismo, escreva-se ou não livralhada de encher escaparates noticiosos, outro seu par — jornalista, logo escritor —, também o diz... Mais dirão coisas semelháveis…
É tudo assim.
Nos noticiários, há dias ouvi dum eléctrico que descarrilou; do inquérito, o culpado foi o condutor. Andava eu convencido há perto de 50 anos (sou da geração do jornalista Tjur) que se chamava guarda-freio a quem dirigia carros eléctricos. Cheguei até a aprender que na gíria da Carris o condutor designava o popular pica-bilhetes, cujo primeiro termo, pica, deu há pouco tempo para um Zambujo cançonetista compor uma cançoneta bem disposta e um teledisco (ou será videoclipe?…) com um eléctrico 7 de artifício. Nem assim…
António Zambujo — O Pica do 7.
Nem assim, pois…
Os do inquérito ao descarrilamento do eléctrico já não devem conhecer o termo guarda-freio; os jornalistas ainda menos e repetem do condutor. E falam em carruagem referindo-se a um carro eléctrico com tracção própria. Já no próprio dia do acidente, em reportagem interminável no local, ouvi falar em rodado por truck (dizia-se truque na gíria da Carris; bogie na do Metropolitano — em português é zorra). Um engenheiro da Carris (?) falava em directo à jornalistagem de plantão numa composição, referindo-se ao carro eléctrico acidentado, que não tinha atrelado. — Conceitos!… Ou uma inteligência (não confundir com serviços secretos) precisa e rigorosa. Coisas de nada que (des)compõem toda uma cultura.
Ao depois, é oficial. O governo dos Açores continua a identificar-se, além do mais, por www.azores.gov.pt...
O melhor de 2018 é a linguagem: podem dizer-se coisas. De preferência em amaricano.
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Fotografia do Tjur Penim em Move Notícias. Boneco do Tjur nos cromos do Wickie.

Eu fico cansado, fatigado, pelas «alienaçãos» em que tropeço. Para mim é simples: quem não lê não sabe escrever. Conheço gente com títulos e pergaminhos que dão cada marrada!
ResponderEliminarBic Laranja tem gosto em fazer o dever quanto aos labregos. Não me oponho, nem o censuro.
Eu entretenho-me em coleccionar as bojardas.
Abraço, para um ano menos mau.
Não faço por dever. É por desfastio. Mas aturar coleccionar estas desgraças custa. Talvez seja uma espécie de vingaçazinha. Digo desfastio porque alivia o rancor, talvez.
ResponderEliminarTudo sentimentos pouco recomendáveis.
Desejo um ano 19 o melhor possível.
Saúde!
Excelente! :)
ResponderEliminarGenerosidade sua. Obrigado!
ResponderEliminarAnno bom!
Hélas!, caro Bic, já o machimbombo não era senão uma machine pump!...
ResponderEliminarmas desde que pareça chic a valer, como os emigrantes directores, que são expatriados (não é por isso, decerto, que serão mais britânicos...), o português-pequenino vai atrás. O pessoal da construção e afins continua a ser emigrante!.., espero eu!..
ResponderEliminarAno bom !