| início |

sábado, 4 de agosto de 2018

O pato

 Dantes havia galinheiras na praça. Vendiam pintainhos. Não sei se ainda há… — Galinheiras. — Praças também não há lá grande coisa….
 Muita vez pedia à minha mãe um pintainho. Ela comprava-me sem obstar. Às vezes dois. Eu gostava. Quando davam em frangainhas era altura de as pôr na bagagem de férias para levar à avó Rosa. Quando íamos à terra por Agosto subtraíamos sempre uma galinha ou duas lá da capoeira (não sei se ainda há capoeiras…) para repasto da família; as frangainhas que levávamos eram para repor a criação. Eu dos pintos já crescidos não me ralava; não eram a mesma ternura dos pintainhos da praça…
 Duma vez vi patinhos. Pedi um à minha mãe, para variar, mas ela disse que não, decidida.
 — Porquê? — choraminguei. — São como os pintainhos e pintainhos a mãe compra-me!...
 — Não são — explicou. — Duma vez comprámos um patinho ao teu mano. Púnhamos-lhe água para beber numa tigela e o pato não fazia caso de mais nada: saltava-lhe dentro e entornava tudo; só queria nadar.
 Entendi perfeitamente.


Marcelo em Nandufe, Tondela (Lusa / C.M., 4/VIII/2018)


 

8 comentários:

  1. Pato? Aquilo é mais palhaço exibicionista!

    ResponderEliminar
  2. É o que o circo da imprensa gosta.
    E como a gente gosta de circo...
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  3. Excelente texto.
    O Prof. Marcelo já saiu da TVI, mas o espírito da TVI ainda não saiu do Prof. Marcelo.

    ResponderEliminar
  4. Obrigado!

    O espírito é que o partido dos media arranjou aqui um cabeça de lista bem à sua medida. Uma simbiose que marginou a partidocracia convencionada.
    A propaganda mediática ressoa a democracia e vai a plebe por aí contetinha Rebelo de Sousa com o figurão.
    Depois populismo é só para os outros.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  5. Joe Bernard6/8/18 19:39

    Nunca gostei de circo. E continuo a não gostar.
    Principalmente dos palhaços...
    E a este país, cheio de acrobatas, só faltava um rei dos palhaços.
    Já tem!

    ResponderEliminar
  6. Bem certo! E muito bem dito.
    Maldita sina a nossa!

    ResponderEliminar
  7. Hans C. Andersen10/8/18 10:53

    Quem nasceu para ser pato não chega a cisne!

    ResponderEliminar
  8. Mas é notório que chega a cata-vento.
    Cumpts.

    ResponderEliminar