O presidente da comichão para lamentar de intendência à Caixa Geral de Depósitos demitiu-se. Nas tubas da imprensa deu razões murais (exactamente) que o afligiram, sopradas com palavras como «obstaculizar»: tudo grandes princípios de honra honorabilidade e oratória de excremência; coisas assaz típicas de deputedos, deputados, enfim! Mas no fim nem percebi bem. Fala-se só para aí em «é se miasses; é simiezes»... Teletexto telefónico. Telé telé...
Esta fixação do jornaleirismo em geral e dos deputedos em particular — ...putados, digo — em se meterem democràticamente na quadrilhice sôbre o teor das conversas telefónicas particulares daqueles dois, Sentino & Domingues, tem graça. Mostra a semântica das «liberdades e garantias» segundo a regra de S. Bento; mostra o sentido das prioridades desse quarto poder auto-eleito que nos reza do altar político-me(r)diático e; mostra, em última análise, o senso geral que se produz hoje da realidade.
O que se sabe desde que o caso deu em folhetim é que:
- o governo contratou o sr. Domingues como administrador de coisa pública — a Caixa Geral de Depósitos — com ordenado de excepção;
- além do ordenado de excepção, o sr. Domingues exigiu escusa particular de deveres legais de administrador público;
- escusa tão particular essa era que havia de fazer-se lei nova, particularíssima, para o atender;
- ainda empregado do B.P.I., o sr. Domingues contratou os advogados que entendeu para lhe redigirem a particularíssima lei;
- o governo acobertou o acto, aprovou a lei dos advogados particulares do sr. Domingues e, publicou-a no Diário da República em dia em que a assembleia encerrava para descanso do pessoal (passe a redundância);
- no entretanto de ainda empregado de banco concorrente, o sr. Domingues, putativo patrão da Caixa Geral de Depósitos, contratou empresa consultora para fazer o trabalho que o governo lhe pagou avultadamente para fazer;
- no mesmo ou noutro entretanto foi o particularíssimo sr. Domingues a expensas da nação e na sombra do Sentino vender aos patrõesões de Bruxelas um esquema para Caixa que não onerasse o deficit do Estado;
- a lei dos advogados do sr. Domingues, aprovada em Conselho de Ministros, era afinal inconstitucional;
- o sr. Domingues, contrariado, fez birra, ignorou a decisão do Tribunal Constitucional, não declarou o património até hoje e ao sair entalou aqueles com quem tinha intrigado toda esta fantochada (a menos que os sms que nos distraem hajam sido divulgados à socapa por um Sentino suicida);
- as contas da consultora e dos advogados do sr. Domingues foram pagas pela Caixa.
E andam para aí à procura de mais provas de quê nos telefonemas dum estúpido?
Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência, Calhariz, 1966.
Armando Serôdio, in archivo photographico da C.M.L.
Ora nem mais. O que já se sabe é tão mau que esta história de sms só vem demonstrar a tendência coscuvilheira/porteira de quem nós elegemos. Não bastará o que efectivamente já é do conhecimento de todos? Enfim temos o que merecemos.
ResponderEliminarNinguém merece isto.
ResponderEliminarCumpts.
Muito bem se safaram os MRPP's.
ResponderEliminarComeçando pelo Cabrão Merdoso e acabando neste rapaz Domingues...
Sim. E há qualquer coisa com eles e os veleiros: o Garcia Pereira também veleja.
ResponderEliminarAtenção à navegação!
Cumpts. :)
Os desmandos na Caixa já vêm de longe. Em artigo do jornal "A Capital", de 2 de Julho de 1910, já vem referido- "A Caixa Geral de Depositos e o que por lá vae - Boatos que precisam ser esclarecidos" - http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/ACapital/1910/Julho/Julho_item1/P5.html
ResponderEliminarCumpts.
E essa notícia não andaria ligada ao comício que se anunciava na mesma página?
ResponderEliminarTal como agora...
Grato da remissão.
Cumpts.