O canal da memória tornou esta semana com os programas do prof. Hermano Saraiva: os Horizontes da Memória. Durante muitos anos os seus programas foram os únicos que me marcaram hora de ver televisão. Esta série dos Horizontes da Memória lembra-me de quando começou em 1996. Andava eu nessa altura meio solitário. Ver televisão — hábito que perdera pelo fim da década de 80 — remediava e apercebi-me então dos programas do prof. Hermano Saraiva, que julgava aposentado. Teria ele por ali 77 ou 78 anos e estava rijo, graças a Deus! Quando fui apanhado pelos seus programas ainda foi na série das Lendas e Narrativas e recorda-me bem que a mudança da série me pareceu desnecessária. Só o genérico aparentemente mudava e, dele, até a música se mantinha. Tudo o mais — os temas, o estilo, a produção — me pereceu idêntico às Lendas e Narrativas. Noto agora, porém, que naquele tempo havia uma formalidade (um certo timbre magistral) ligeiramente maior do que mais adiante nesta série dos Horizontes da Memória e ao depois na Alma e a Gente. Mas tudo no programa me embalava (e embala): desde a música do genérico, à cadência intimista e cativante do contar das histórias, passando pelos cenários e planos de enquadramento, não descurando ainda a montagem e as músicas de fundo a envolver a narração. No episódio que deixo, o 2.º da série, podeis confirmá-lo. Escolhi-o porque é dos que gosto mais.
Salvo erro o programa ia para o ar naquele tempo ao domingo pelas dez, onze da noite, no 2.º canal. Era uma doce maneira de encantar as noites de véspera duma semana de trabalho: o prof. Hermano Saraiva alegremente contando lendas e narrativas que se perdiam nos horizontes da memória; uma forma poética de saudade.
José Hermano Saraiva, Se os Abutres Falassem
(Horizontes da Memória, R.T.P., 1996.)
Nota: o prof. Hermano Saraiva faria 97 anos no passado 3 de Outubro, dia em que repuseram os seus programas. Imagino se foi coincidência fortuita.
Este Professor era um portento em tudo quanto fazia, històricamente falando. Livros, as várias séries televisivas que apresentou, as várias entrevistas que deu, etc., era tudo uma maravilha de se ver e ouvir, tanto pela clareza do diálogo como na descrição dos factos inteligentemente expostos. Adorei as suas palestras sobre a nossa História e das histórias tecidas, verídicas ou semi-romanceadas, à volta da vivência das suas personagens mais famosas, bem como sobre os feitos bélicos e vidas particulares dos nossos Heróis ancestrais, nos seus vários programas e nunca perdi um só deles, até vi em repetição alguns deles. Houve alturas em que perdi o início de alguns deles, umas vezes por chegar tarde a casa, outras por estar a ver/ouvir alguma notícia no telejornal que me suscitava interesse. Também houve casos em que por infelizmente nunca me lembrar do horário em que passavam os ditos programas, lá perdia o princípio deles.
ResponderEliminarEste que colocou (pelo título) recordo-me de ter visto e de certeza absoluta que o vou rever. Tenho uma vaga ideia que o achei extraordinário e se bem me lembro absolutamente magnífico pelo modo frontal como o abordou, como ademais era seu apanágio. Todavia por motivos vários (um deles é por causa do probleminha de que lhe falei) ainda não o fiz. Depois lhe darei a minha opinião. Quero porém saboreá-lo com o tempo e a atenção que merece e lhe é devida, como aliás o foram/são todos os da lavra deste inesquecível Historiador.
Maria
Respondo-lhe agora, domingo à noite, enquanto revejo alguns dos programas transmitidos esta semana. Como em 1996/97, quando as suas histórias me adoçavam as vésperas de segunda-feira, dia sempre avinagrado.
ResponderEliminarCumpts. :)