Esta manhã o noticiarismo que temos dizia: «Há portugueses na explosão dum barco na Indonésia». Logo a seguir desdizia: «Não há portugueses na explosão etc.»
Nesta livre e democrática pátria, o que vulgarmente designamos por jornalismo tem um umbigo do Minho a Timor (desde que não colida com o fâchismo). Nacionalista até às vísceras que até cheira mal.
Uma explosão na Indonésia pode ser hoje notícia meramente em função dos portugueses atingidos nela. Claro que não havendo portugueses (um alívio) deixa de haver notícia (dois alívios). O noticiário seguinte e os outros a seguir, porém, repetem a não notícia de não haver notícia de portugueses numa explosão na Indonésia que, com tal, não é notícia. Parece que é jornalismo...
Pois bem. Nas tubas do jornalismo nacional, além do nacionalismo do Minho a Timor (desde que não colida com o fâchismo), ressoa sobretudo a propaganda das centrais.
Notícia breve (brevíssima) esta manhã era o aumento dos impostos indirectos — I.A., I.S.P., por aí. Durou uns segundos e logo ouvi um reconfortante corolário da rápida notícia: a promessa de apesar de tudo não vir a haver aumento da carga fiscal. Como burro a quem são servidas notícias de aumento de impostos sem aumento de carga fiscal dou-me por aliviado (terceiro alívio): a carga fiscal parece que não pesa, pois...
Nova notícia, novo imposto sobre imóveis, a somar ao Imposto Municipal sobre Imóveis. Inteligências raras e primatas em geral concluiriam o óbvio: sobrecarga fiscal.
Os burros não (mesmo que pesasse)...
Os burros ouvem a demorada explicação da democrática Mortágua noticiário afora e aprendem. Todos os burros aprendem. Precisam é que lhes seja ensinado com mais tempo de antena. O tempo necessário. O tempo todo. Por quem os cavalga.
Arre!
Isaac Israëlis, Burricada na praia, 1898-90.
Óleo sobre tela, 51 x 70 cm. Rijksmuseum, Amesterdão.
Primeiro criaram um país de proprietários, agora taxam-nos até à morte.
ResponderEliminarColectivização da propriedade privada. O comunismo em acção.
ResponderEliminarCumpts.
Terrorismo em acção. Como é que temos um partido estalinista no govermo em pleno século XXI? Pesadelo.
ResponderEliminarNão, não está no governo. E todavia decreta impostos.
ResponderEliminarCumpts.
Tem razão e o comentador precedente, também. O que se passa em Portugal, polìticamente falando, é a vergonha das vergonhas. E o "povo" deixa andar... Nem é preciso dizer mais nada.
ResponderEliminarMaria
😄
ResponderEliminarCumpts.