Puxamos das «Saudades de Coimbra» pelo Guglo e o primeiro que nos vem é fatalmente do Zeca Afonso. Pois a melhor que ouvi é dos Verdes Anos – Grupo de Fados. A voz, cuido, é de António Dinis. Logo nos primeiros acordes a saudade que dá não é de só Coimbra, é de Portugal inteiro. — Dizia-me alguém, há dias, provocadoramente, que a pregunta do puto era uma data de coisas. Pois seria se fosse ainda Portugal coisa alguma. Como sabemos, deu ele há muito em coisa nenhuma.
Verdes Anos, Saudades de Coimbra
(Edmundo Bettencourt)
XIIIIII Hoje confesso que me comoveu. Inté me vierenas lágrima aos olhos. O fado,dito, de Coimbra canta muito a saudade dos copos, das noites, das meninas, das farras e do pouco estudo... na época as médias pouco contavam, era mais valioso o nome de família. Esses tinham tempo para fadistar. Os pobrezinho, comó Salazar tinha que estudar porque não tinha a tal família para lhe garantir o sustento. Mas se alguém questionou a Nação ao rapaz, questionou bem! Tanto assim que não obteve resposta capaz. Mais que o Zeca o Adriano cantava muito bem esse fado de Coimbra... Como o meu fado é outro e não canto bem, prefiro ouvir Led Zeppelin. Tem mais conteúdo e sempre aprendo estangeiro. Mas o GATUTU não MERREURREURREU!
ResponderEliminarAcho que este blog anda a sabotar os meus comentários
ResponderEliminarSe é quem julgo que é, não é consigo. Anda aí um rezingão a fazer-se de gato e houve de moderar os comentários.
ResponderEliminarCumpts.
Vae aqui uma anarchia!
ResponderEliminarFiquemo-nos pela resposta reiterada: a da saudade, em que implícita estava a poesia; as manifestações de Portugal foram menos de lógicos ou filósofos e mais de poetas.
Cumpts.
P.S.: o gato não morreu mas agora só mia no limbo.
Caro BIC,
ResponderEliminarGostei desta versão que não conhecia. Tem que nos mostrar mais das suas preferências.
Bem haja.
Apraz-me sabê-lo, obrigado! Outras cantigas cá vou pondo, em me dando inspiração.
ResponderEliminarCumpts.:)
Olhe, fui ver as ligações todas que deixou. Tudo respostas com muita piada e a acertarem no alvo, como outra coisa não seria de esperar dessa sua mente brilhante:)
ResponderEliminarMas o motivo que me faz escrever este comentário está directamente ligado ao excelente vídeo do fado de Coimbra, que colocou. Peguei em mim e fui ouvir uma data de fados de Coimbra. Alguns deles fazem-me quase chorar. O "Da Choupana até à Lapa", deste fadista do vídeo, que adorei ouvir, assim como todos os outros que o interpretaram ao longo dos anos, é de ouvir e de repetir uma e outra vez. Fazem-me lembrar o meu querido Pai que tanto falava da Coimbra do seu tempo e das gratas recordações que aquela época lhe havia deixado e dos famosos fados que gostava acima de todos, mesmo os de Lisboa. Citava alguns colegas com os cantavam, alguns dos quais ficaram seus amigos para a vida. Recordava, dentre outros, um colega de apelido Goes (não me consigo recordar do nome próprio) e pergunto-me, não será aquele "Goes" o mesmo Luís Goes que fui ouvir no belíssimo fado supra citado? É de crer que sim. Este Goes a que o meu Pai se referia era médico.
Não resisti e já na onda - depois de ouvir não sei quantos fados de Coimbra - fui escutar Manuel Freire na inesquecível Pedra Filosofal (na sua primeira versão/gravação, a melhor sem dúvida) e Zeca Afonso num fado de Coimbra também numa das suas primeiras versões, bem como Sérgio Godinho naquela deliciosa "O namoro", uma graça de cantiguinha que se ouve uma e outra vez e nunca cansa.
Comunas dum raio, estes dois, que tanto gosto de ouvir (ainda) mas com a voz que possuíam no início da carreira. Vozes características e de facto únicas e na minha opinião difíceis senão impossíveis d'igualar.
A balada inspirou-lhe os cantigueiros. Esses que refere são bons, mas são como diz: uns comunas dum raio. O Godinho acabou por me enjoar ouvi-lo naquelas mais de intervenção. Uma por outra menos comunistóide ainda aprecio; recorda-me da Etelvina: — Etelvina com seis meses já se tinha de pé // Foi deixada num cinema depois da matiné // C' um recado na lapela que dizia assim &c. — Certa vez estavam a dá-la na telefonia e disse ao Sr. Rosa, um colega que estava comigo: — Este Godinho canta umas cantigas engraxadas. — E o sr Rosa, um alentejano de Odemira que dizia umas expressivas verdades de senso comum respondeu-me só: — Este Godinho nã' canta, conversa. — É verdade!
ResponderEliminarMas «a paz, o pão, habitação saúde», já não inspiram. Vêem-se por demais nos bairros sociais...
Cumpts.
Este comentário antecedeu outro mais perfeitinho:) O segundo, devidamente revisto, esfumou-se como o éter e o primeiro, acima, foi o que saltou e não sei muito bem porquê...
ResponderEliminarMaria
Tem razão. Mas o que me diz da nódoa que é o Abrunhosa a 'cantar'. Aquele rapaz tem uma voz que é um perfeito horror. A canção dele adaptada para o Euro é uma desgraça completa, que aliás já era desde a altura em que ele a inventou (escreveu?) e cantou pela primeira vez. Este é outro quer pertence ao sistema e como tal tem a vida assegurada, é o que é. Como dizia não sei que artista aqui há uns tempos largos: "mas o Abrunhosa canta?"
ResponderEliminarMaria
A balada inspirou-lhe os cantigueiros. Esses que refere são bons, mas são como diz: uns comunas dum raio. O Godinho acabou por me enjoar ouvi-lo naquelas mais de intervenção. Uma por outra menos comunistóide ainda aprecio; recorda-me da Etelvina: — Etelvina com seis meses já se tinha de pé // Foi deixada num cinema depois da matiné // C' um recado na lapela que dizia assim &c. — Certa vez estavam a dá-la na telefonia e disse ao Sr. Rosa, um colega que estava comigo: — Este Godinho canta umas cantigas engraxadas. — E o sr Rosa, um alentejano de Odemira que dizia umas expressivas verdades de senso comum respondeu-me só: — Este Godinho nã' canta, conversa. — É verdade!
ResponderEliminarMas «a paz, o pão, habitação saúde», já não inspiram. Vêem-se por demais nos bairros sociais...
Cumpts.
Tem razão. Mas o que me diz da nódoa que é o Abrunhosa a 'cantar'? Aquele rapaz tem uma voz que é um perfeito horror. A canção dele adaptada para o Euro, é uma desgraça completa. Que aliás já era desde a altura em que ele a inventou (escreveu?) e cantou. Este é mais um que pertence ao sistema e como tal tem a vida assegurada, é o que é. Como dizia não sei que artista aqui há uns tempos largos "mas o Abrunhosa canta?"
ResponderEliminarMaria
Li o primeiro e quando lhe acabei de responder vi o segundo que cuidei repetido, por isso o deixei inédito. Vejo agora que o reviu; trasladada para o segundo a resposta dada no primeiro, se não se opõe apagarei a sequência do primeiro.
ResponderEliminarCumpts.
Este comentário só agora chegou à caixa e foi enviado há bastantes minutos... e refere-se ao meu primeiro, como é fàcilmente dedutível.
ResponderEliminarMaria
Os comentários foram todos moderados (salvo no verbete do vomitório) por causa do gato impertinente.
ResponderEliminarAté prefiro que substitua o primeiro pelo segundo. Muito agradecida:)
ResponderEliminarMaria
Tem razão. Mas o que me diz da nódoa que é o Abrunhosa a 'cantar'. Aquele rapaz tem uma voz que é um perfeito horror. A canção dele adaptada para o Euro é uma desgraça completa, que aliás já era desde a altura em que ele a inventou (escreveu?) e cantou pela primeira vez. Este é outro que pertence ao sistema e como tal tem a vida assegurada, é o que é. Como dizia não sei que artista aqui há uns tempos largos: «mas o Abrunhosa canta?»
ResponderEliminarMaria em 8 de Junho 2016, 20:50
É mais um amesendado que não vale nada. Pode juntar-se à Vasconcelos.
ResponderEliminarCumpts.
Mais uma vez vim até ao Douro Vinhateiro para que esta circunstância da natureza me confronte, só a mim... Tento imaginar, a partir da arquitectura da paisagem o que este mundo seria há 40 anos, quem e como seriam domados estes vales e colhidas estas uvas... De quem seriam e a quem se destinava o seu sumo duplamente fermentado, do suor dos homens e mulheres, do pousio dos tonéis... Recordo-me de histórias passadas e presentes, do post do meu amigo Paulo Fidalgo e faço-me questionar qual a real história? A que construímos, única que podemos vivenciar, ou a que teve lugar num tempo passado e foi vivida por aqueles homens e mulheres de mãos duras dos calos da terra e de sulcos profundos do sol e de alguma fermentação de vida... Nunca mais haverá geração de tamanha abundância e mordomia como a nossa... Os tempos vindouros se encarregarão de afunilar a distribuição do bens,isso porque NÓS O PERMITIMOS.Porque nao se cantaram fados nem Cante por aqui?? Onde encontrar forças para tais rendilhados se o folgo mal chega para atacar as cepas??? Um burguês não me entenderia 😞
ResponderEliminarAh! Um lamento do mundo burguês plastificado e da produção industrial galopante, caminho da entropia. A História que fazemos é tão verdadeira como sempre, mas light e em pacote, para as massas consumirem ledas e amorfas.
ResponderEliminarAinda bem que pensa nisso; o zeitgeist ainda não tomou o genius loci que a inspirou.
Bom passeio!
Para que não fiquem dúvidas amigo Bic Laranja o Paulo Fidalgo é um amigo que colocou um post no FB sobre um avô de silêncios. Com uma imagem de uma casa pintada de branco. A incongruência entre esse avô e a casa pintada de brancos conjuntamente com a fidalguia que o Paulo hoje tem despertou me esta questão da metamorfose do passada O burguês é vocemecê mas o espirito do mundo nunca me convenceu Abraço meu Bom BicLaranja
ResponderEliminarPois a mim convence... Sem cepas fidalgas de Paulo algum nem metamorfoses avoengas, foi-me simplesmente ordenado a sacudir o ócio burguês no lava-loiça depois da sardinhada do almôço.
ResponderEliminarNem burguês nem fidalgo; plebeu, por conseguinte. Valha-me o tinto!
Cumpts.
Permita-me meter a foice em seara alheia;-) Pessoalmente não estou nada d'acordo com a sua opinião/resposta a um digno comentador.
ResponderEliminarNão faço ideia quem é esse Paulo Fidalgo, mas há uma coisa que sei: há "Paulos" que são bem burgueses e não menos fidalgos. Mais que não seja pela "exquisite" (anglicismo obrigatório) educação demonstrada a cada passo - ou em cada resposta aos comentários dos leitores, como se queira - assim como na cortesia e no "aplomb" (aqui exige-se o francesismo). E estas qualidades são tão ou mais importantes do que uma ascendência nobre ou títulos nobiliárquicos. Estou certa ou não?
Maria
Arriscando opinar em causa própria, cabe, em que caso seja, o dever de não deslustrar os pergaminhos.
ResponderEliminarCumpts. :)
Agora sou eu que entro na seara, mas de trator que sou homem de valentias mas não sou parvo e gosto da ténologia
ResponderEliminarIsso do "exquisite' e mais o francesismo, porque não gosto de misturar inimigos figadais, tem que se lhe diga... mas amiga fidalguia é fidalguia, burguesia é burguesia, e plebeus hoje, tendo em consideração o Freud e a mitologia grega, não existem. Plebeu sou eu de origem e encanto, não sou Paulo... Mas este mundo, onde me encontro, deslumbra me e leva me a dizer Babosêras... Quanto ao WeltGueist... não, não me convence nem um bocadinho. Antes o UberMench que possui carácter ético e, disso, eu gosto. VIVÓ Santo António, a MINHA MARCHA É LINDA etc, etc, etc... que por terras do Douro vou ficando a ver se encontro a minha Lady e ficar Sir
É homem? Homessa!
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