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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Uma forma de prostituição

 No tempo dos campeonatos da 1.ª, da 2.ª, da 3.ª divisões nacionais, com todas as zonas e séries, mai-los campeonados distritais com suas divisões 1.ª e 2.ª também, o dinheiro não abundava. Jogava-se em campos pelados, os sócios quotizavam-se, os putos até aos 14 entravam à borla a par dum adulto — ó vizinho deixe-me entrar consigo! — e... a bola era uma festa, de amadores no genuíno sentido do termo; o bairro ou as gentes da terra não esmoreciam, jogavam ou apoiavam; os clubes não faliam nem acabavam assim... — Ainda há dias o Benfica jogou com o Oriental em Marvila a fazer lembrar esse tempo; clubes de bairro no campeonato nacional da 1.ª Divisão?! E, pregunto-me, se hoje o campo ainda é pelado.
  — Ná! Podia lá ser!...
  Com tanto fausto para aí agora, tanto profissionalismo, tudo Sociedades Anónimas Desportivas Futebol Club, e não há dinheiro que chegue para tudo nem dinheiro para nada. Hoje há campeonatos organizados por uma liga de clubes (ia dizer rameiras) em que tudo se põe à venda. Daqui, por isso, a prostituição em que os vejo.


Subida do Vitória à III Divisão, Picheleira (V. da Silva, 1977)
Festa rija da subida do Vitória à III Divisão Nacional de futebol, Picheleira, 1977.
Cliché do sr. Vieira da Silva, in
De Cabelos em Pé.

2 comentários:

  1. Inspector Jaap27/1/16 13:38

    Isso era no saudoso tempo do amor à camisola, caro Bic; situação própria dum País, pois claro; agora é como diz: um lupanar pegado, cheio de prostitutos devidamente tatuados, como é bom de ver; só interessa o que se vê; o resto...
    Cumpts

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  2. Justamente. O país desabou orgulhosamente em subúrbio de Bruxelas ou Nova Iorque.
    Cumpts.

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