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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Os seguranças

José Hermano Saraiva, Barcelos Canta de Galo
(Horizontes da Memória, R.T.P., 1997)


 


  Os seguranças. Há exércitos de seguranças. Pois há... Mas quando era eu novo (e não me comparo ao prof. Hermano Saraiva) o Estado ainda se empenhava em ter o monopólio da violência. Vá lá que admitisse guarda-costas particulares, mas com muita reserva. Para guardar bancos e assim, quem queria segurança, contratava... a Polícia de Segurança Pública, pois; para vigiar entradas em repartições ou prédios mais abastados havia porteiros(as), simplesmente. Ao depois, por altura da C.E.E., esta coisa da segurança passou a ser um negócio como outro qualquer. Foi quando brotaram empresas de (cá está) segurança. A coisa deu certo brado, recorda-me; a Polícia não viu o caso com bons olhos. Mas é como se desfaz o Poder do Estado, de mansinho, em favor do comércio, o novo Poder que se impõe. E agora há exércitos de seguranças, porque o Estado de há muito deu em abdicar do monopólio da violência. Salvo a fiscal. E mesmo essa...

4 comentários:

  1. E mesmo essa é feroz, brutal, despudorada, insultuosamente desproporcionada na força disponível contra os fracos. O cidadão comum. O contribuinte, enfim, que isso de "cidadania" é coisa quase morta.

    Mesmo isso de se lhe chamar "contribuinte" quando lhe é imposto que pague, pague e volte a pagar, é obra de requintado cinismo. Ou pura falta de educação.

    Contra os fracos. Porque quanto aos outros...

    Costa

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  2. O fundamento de haver o Estado de ter o monopólio da violência é a protecção de pessoas e bens necessária à vida pacífica em sociedade. Mas se damos num Estado tomado por ignóbeis que se valem disso para oprimir, confiscar e desprezar os demais, temos o que descreve. De modo que se Deus não acode ainda a coisa acaba mal. Acho que é das leis da Física.

    Ano bom!

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  3. Inspector Jaap9/1/16 13:00

    Pois acaba mal, acaba!
    Olhe lá para o polícia que se viu condenado e privado do seu vencimento por ter atingido a tiro um assaltante em pleno acto...Se fosse um segurança, nada lhe aconteceria, a não ser, quiçá, ser despedido, para um mesmo tribunal desta republiqueta das bananas o reinstalar mais tarde com as mordomias pendentes; quanto dá a CP de prejuízo anual?
    Cumpts

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  4. Se fosse vigilante, em sendo despedido logo teria por si a opinião publicada. Seria um mártir. Teria sentença de reintegração e tença do Estado por danos morais, sim senhor. E o assaltante também, mas seria menos publicitado.
    Cumpts.

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