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sábado, 5 de setembro de 2015

Dumas terraplenagens na Alameda...

Terraplenagens antes da Alameda, Lisboa (E. Portugal, 1939)
Terreplenagens na Alameda, Lisboa, 1939.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.



  Em tempos andei às voltas com esta imagem tentando enquadrá-la com os quarteirões edificados a N da Alameda. Consegui percebê-la graças à casa assinalada que, com admiração, então, verifiquei das vistas aéreas ainda existir. O que me mais surpreendeu, todavia, então, foi a dita casa não ter frente para nenhuma das ruas adjacentes; acha-se encravada no interior do quarteirão. Na altura não curei muito mais do caso. Apenas conjecturei que pudesse ter serventia independente para rua através dalgum arco nos prédios que a rodeiam, à maneira de tantas vilas operárias que ainda podemos ver em Lisboa.
  Tem graça isto agora porque ouvi há pedaço nas notícias uma jornalista pé-de-microfone dizer que nas traseiras da casa de que se fala, na Rua Abade Faria, 33 há uma «vivenda»... — Afinal aquela casa que me intrigou faz tempo não tem serventia independente.
  Empreendendo de novo agora no caso, a razão do seu desvio das ruas adjacentes — mormente da Abade Faria — é bem ela pousar no que era orla SE [NE] da velha quinta dos Pacatos (retiro alfacinha dos mais afamados) que dava para a esquecida Azinhaga do Areeiro — antiga Azinhaga do Areeiro, depois Rua Carvalho Araújo e hoje, pois bem, Rua Abade Faria — e ter sido edificada antes (portanto à revelia) do alinhamento do bairro; isto tira-se muito facilmente da fotografia. Como acabou tão recuada, deu azo a que se lhe levantassem capazmente outros prédios à face das ruas do novo bairro sem na demolir. A parcela em que estava deu boa folga ao que o transeunte vê hoje como o 33 da Abade Faria, morada que, no fundo, não deixa de ser ela mesma, a tal casa...
  Uma curiosidade olisipográfica de engenharia civil relativa que fico a dever, no fundo, ao 44 de Évora, que é o que admira mais.

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