Terreplenagens na Alameda, Lisboa, 1939.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.
Em tempos andei às voltas com esta imagem tentando enquadrá-la com os quarteirões edificados a N da Alameda. Consegui percebê-la graças à casa assinalada que, com admiração, então, verifiquei das vistas aéreas ainda existir. O que me mais surpreendeu, todavia, então, foi a dita casa não ter frente para nenhuma das ruas adjacentes; acha-se encravada no interior do quarteirão. Na altura não curei muito mais do caso. Apenas conjecturei que pudesse ter serventia independente para rua através dalgum arco nos prédios que a rodeiam, à maneira de tantas vilas operárias que ainda podemos ver em Lisboa.
Tem graça isto agora porque ouvi há pedaço nas notícias uma jornalista pé-de-microfone dizer que nas traseiras da casa de que se fala, na Rua Abade Faria, 33 há uma «vivenda»... — Afinal aquela casa que me intrigou faz tempo não tem serventia independente.
Empreendendo de novo agora no caso, a razão do seu desvio das ruas adjacentes — mormente da Abade Faria — é bem ela pousar no que era orla SE [NE] da velha quinta dos Pacatos (retiro alfacinha dos mais afamados) que dava para a esquecida Azinhaga do Areeiro — antiga Azinhaga do Areeiro, depois Rua Carvalho Araújo e hoje, pois bem, Rua Abade Faria — e ter sido edificada antes (portanto à revelia) do alinhamento do bairro; isto tira-se muito facilmente da fotografia. Como acabou tão recuada, deu azo a que se lhe levantassem capazmente outros prédios à face das ruas do novo bairro sem na demolir. A parcela em que estava deu boa folga ao que o transeunte vê hoje como o 33 da Abade Faria, morada que, no fundo, não deixa de ser ela mesma, a tal casa...
Uma curiosidade olisipográfica de engenharia civil relativa que fico a dever, no fundo, ao 44 de Évora, que é o que admira mais.
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