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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Do jornalismo de inculca

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Público, 15/IX/15.

  A 1.ª página de hoje do Público nutre os neurónios ao leitor com inculcas à la Catarina Martins. Percebe-se o concerto deste jornalismo capcioso — desfazer do governo (não que o defenda eu!) — Sucede que estas inculcas são doutrinárias em mais do que essa medida; rebaixam a gente cá, especialmente se trazem (como habitual) comparação com os de lá da Europa, essa luz de progresso assaz imperiosa a quem antes se soube fazer ao Atlântico a dar novas terras ao reino e novos mundos à... Europa.
 Os portugueses são, pois, dos últimos da Europa a regressar às aulas. Convençam-nos subliminarmente que sim, por desorganização, por mandriice, por atavismo serôdio — o mesmo que povoa este jornalismo, pois claro. Está bem de ver que lá na Europa progressiva, onde o Verão é ratinho, os meninos tornem temporãos à escola porque neva no pino do Inverno que Deu-lo dá impossibilitando haver escola. Mas claro que o portugalinho moderno e desenvolvido que se quere — de preferência à esquerda, porque não há progresso em mais quadrante nenhum — precisa de fazer descaso dos verões abrasadores e dos invernos amenos que lhe calharam ao atraso civilizacional. Daqui ouvirmos aí já latir que deva haver por cá férias de Inverno à maneira estrangeira. E começar as aulas talvez em Agosto, a par da bola. Melhor só o sol-pôr no Verão às 11h00 da noute...

7 comentários:

  1. Terrível e absurdo o complexo de inferioridade que tantos portugueses continuam a ter em relação ao Norte da Europa, em enormíssima parte por grave desconhecimento da História, Cultura e Instituições Tradicionais do seu próprio País. Desde os estrangeirados do Marquês, passando pelas gerações de 1870 e de 1960, e acabando nos cretinos totalmente formatados pelo sistema de ensino abrilesco (a geração que está agora nos trinta e poucos, e onde se recrutam a maior parte dos "jornalistas" que nos entram pela casa dentro a ensinar o que podemos e o que não podemos pensar...), esta é uma autêntica praga da qual Portugal ainda não se conseguiu ver livre.

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  2. Inspector Jaap15/9/15 17:41

    Subscrevo integralmente o que foi escrito acima; está, de facto, em marcha um processo sibilino de estupidificação nacional que só vai parar quando esta geração perdida se puser a pensar; aí, tenho a certeza, vai tudo pela borda fora; 1640 no horizonte? a ver vamos.
    Cumpts

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  3. Joe Bernard15/9/15 18:23

    Fico mais preocupado com a retirada do programa dos temas de doenças sexualmente transmissíveis e anticoncepcionais!

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  4. O único que vejo nesse Norte europeu são cenouras. Como burros são o fomento de Abril, está bom de ver-se...
    Portugal, esse acabou. Não se resgatará.
    Cumpts.

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  5. Todos diferentes todos iguais, reproduzam-se os coelhos...
    E pratique-se a selecção natural dos mais robustos...
    Admirável homem novo!
    Cumpts.

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  6. Sabe, eu ainda tenho esperança, ainda rezo por Portugal, mas concordo consigo quanto a esse caso ser pouco mais que desesperado.

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