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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A invasão


Tárique ibne Ziade (T. Hosemann, séc. XIX)


  Quando isto viram (os muçulmnos) desejaram passar prontamente para lá. E Muça nomeou chefe da vanguarda um liberto seu, chamado Tárique ibne Ziade, persa de Hamadane — ainda que outros digam que não era seu liberto, mas da tribo de Sadife —, para que fosse a Espanha com 7000 muçulmanos, na sua maior parte berberes e libertos, pois havia pouquíssimos árabes. E passou no ano 92 (29-X-710 a 18-X-711) nos quatro barcos mencionados, os únicos que tinha, os quais foram e vieram com infantaria e cavalaria, que se ia reunindo num monte muito forte, situado à beira-mar, até que esteve completo todo o seu exército.
  Quando o rei de Espanha soube as novas da correria de Tárique, considerou o assunto uma coisa grave. Estava ausente da corte, combatendo Pamplona, e dali se dirigiu ao meio-dia, tendo reunido contra este (Tárique) um exército de cem mil homens ou coisa semelhante, segundo se conta.
  Mal esta notícia chegou aos ouvidos de Tárique, escreveu a Muça pedindo-lhe mais tropas e dando-lhe parte de que se apossara de Algeciras e do Lago, mas que o rei de Espanha vinha contra ele com um exército que não podia defrontar. Muça, que desde a partida de Tárique mandara construir barcos e já tinha muitos, mandou-lhe com eles 3000 homens de modo que o exército chefiado por Tárique chegou a 12 000. Tinha já cativas muitas e importantes personagens; e com ele estava Julião, acompanhado de bastante gente do país, o qual lhe indicava os pontos indefesos e servia para espionagem.
  Acercou-se Rodrigo com a flor da nobreza espanhola...


Ant.º Borges Coelho, Portugal na Espanha Árabe, 2.ª ed., vol. 2, Caminho, Lisboa, 1989, p. 45.


 





(Gravura de Tárique de Teodoro Hosemann — 1807-1875).

4 comentários:

  1. A ONU preocupada :(

    http://observador.pt/2015/09/24/onu-quer-investigacao-a-tragedia-em-meca/

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  2. Deus é grande! — A O.N.U. que o saiba.

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  3. Se essa coisa a que se refere existisse naquele tempo, teria sido o areópago da aprovação da invasão, e, provavelmente, por aclamação pois então!
    Cumpts

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  4. Se existisse tinha sido uma arena de pancadaria. Tempo sem ideal de paz mas de salvação, pelo menos na prática viam sem medo a guerra como actividade proveitosa, sem hipocrisia secular. Se justa, seria salvadora.
    Parece que sabemos mais, com ideais de paz universal e negócios de armas...
    Cumpts.

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