Deu-me agora aqui para isto; a soedade a bater deve ser do Agosto a avizinahar-se do Setembro e do Verão a acabar-se... *
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| Enquanto a cidade inteira vai digerindo o seu jantar E todas as ruas e praças se lavam com essência de luar Enquanto as estátuas famosas bebem brandies e aveledas E as tílias se entreolham meigamente nas alamedas Vou guardando as margens Velando os lírios do jardim Enquanto à meia-noite encerra mais uma sessão E o senso-comum ressona tranquilo e pesado no colchão Enquanto a cidade inteira lava os dentes e faz toilette E os taxistas recolhem as sombras que restam da noite Vou guardando as margens Velando os lírios do jardim Enquanto a luz do promontório ensina a costa ao barqueiro E arde o rum forte no zimbório e traz lucidez ao faroleiro Vou pondo malha sobre malha com o labor dum tapeceiro Palavra, acorde, o som, a talha e a devoção de um mestre oleiro Vou guardando as margens Velando os lírios do jardim Enquanto a cidade inteira vai feliz na sua faina E o Sol boceja na ladeira ao som do martelo e da plaina Saúdo a bruma e o orvalho e a luz do dia madrugado Guardo as cartas no baralho, meu sono é enfim chegado Vou guardando as margens Velando os lírios do jardim |
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domingo, 30 de agosto de 2015
Guardador de margens
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