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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Da espuma dos dias

 Na espuma dos dias fervilha a Grécia. Na bancarrota há anos e a pagar o dinheiro que pediu emprestado com dinheiro pedido emprestado, hoje deu um calote porque lhe ninguém não emprestou mais. Estas coisas têm mais graça ditas por entendidos que falam na telefonia: um diz que é incumprimento oficial, outro chamava-lhe incumprimento objectivo; graças a Deus que não é default !...


  Com a bancarrota da Grécia, que hoje é oficial e objectiva, a bolsa -- perdão os mercados --, ontem, quando não era nem uma nem outra, afundava (?!). Ora hoje, sendo como é, estava em alta. -- Natutralmente não espero as marianas adams e outros entendidos que sopram nas telefonias desta vida saberem de verbos pronominais ou transitivos, portanto assumamos o crash do complemento enquanto a cotação da gramática na bolsa nos mercados se afunda. Daqui podemos continuar em alta na evolução do idioma para os níveis da linguagem infantil: -- «Senta aqui. Vê como os mercados afundam? -- Isto para não dizer que este nível de linguagem é equivalente ao falar crioulo...


 A bola (a bola jogada, não a chachada do jogo falado que dá todos os dias nas TV), -- quando me dedico a olhar para ela em dias letárgicos, se se me pega o quebranto dalguma lazeira estival -- é uma monotonia bocejante. Um tédio de dar sono! Ontem vegetei na 2.ª parte e prolongamento do campenoanto europeu de reservas enganado pelos 5-0 à Alemanha. -- Dantes diziam-se reservas, depois chamaram-lhe esperanças e hoje designam o escalão em modo de rotina informática como sub-21. A evolução da linguagem é bem o marcar passo desta civilização:
  Reservas carreava uma réstia de linguagem militar (nada em que se hoje queira pensar), com divisões de primeira linha e, cá está, reservas; não era dispiciendo dizê-lo assim pois falamos em grupos de homens de 20 anos, em boa idade de assentar praça...
  Já as esperanças eram muito mais deste tempo adocicado, em que ir á tropa obriga a uma anacrónica disciplina e... é violento; a violência e a virilidade quere-se aparente só, como os povos primitivos e as suas típicas pinturas de guerra; daí verem-se os atléticos corpanzis dos ases da bola todos alcatifadinhos de tatus que até assustam.
 Sub-21 será, afinal, o último grito de excelência tecnológica aplicada ao corriqueiro do dia-a-dia que é falar da bola à mesa do café com o diário da dita à frente: a segmentação sub- é para o indígena se não perder, segundo o melhor rigor da automação; nada de juvenis, juniores &c., que eram uma confusão.


 Pois os ditos sub-21 andaram por lá, na Europa, em campanha e... fracassaram!
 Hoje o Cavaco felicita a selecção nos jornais e até o Figo, nas redes suciais, lhe deu  parabéns!
 Acho piada a estes tiques de linguagem porque mostram o arrumo das cabeças e a pureza do papaguear.
Noticiário desportivo (Google, 1/1/15)


 


(Muito revisto às 11h00 da noite.)

2 comentários:

  1. E brevemente teremos aí os Sub-25 , os Sub-30 etc. etc., tal como já não há Campeonato Nacional da I Divisão nem II, nem III Divisão, há Campeonatos de Seniores (nem Zonas Norte nem Sul) e sei lá que mais, é uma confusão que, sinceramente, ninguém mas ninguém percebe nada daquilo.
    Já agora não sei se já atentaram na actual linguagem futebolóide vejo e oiço alguns "cientistas parladores" que passaram a usar esta linguagem: em vez de ressaltos de bola passaram a dizer as segundas bolas, em vez de contra-ataque as transições; aqueles sabichões até parece que estão a falar de uma ciência laboratorial, há até uma Antonieta que de bola não percebe nada de nada que só diz baboseiras mas baboseiras de bradar aos céus para quem percebe alguma coisinha destas coisas da bola...bem dizia o Pedroto, os jogadores da bola pensam com os pés...e não só os jogadores da bola...

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  2. Bic Laranja3/7/15 15:35

    Isso dos campeonatos nacionais regidos pela F.P.F. é chão que deu uvas. Mais é uma privatização, como se diz agora, dos lucrativos direitos da bola a favor dos donos dela.

    E os futebolistas do gargarejo, esses então, são um primor; dizem isso que aponta e aos berros, e dizem mais uma copiosa sorte doutras que só não espantariam o Jorge Perestrelo porque também ele era um ás da gíria mais parva que pode haver.

    Cumpts.

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