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domingo, 31 de maio de 2015

Taça de...?

 Antigamente o telejornal durava meia hora e o noticiário da bola vinha no fim. Era uma maneira de ver o Mundo...
 Esta noute, como sempre que há bola (são muitas vezes) o primado foi o do esférico (que não o Mundo): no telejornal daquela TV com oráculo domingueiro levaram 20 minutos a estralejar os foguetes da bola antes de meter a publicidade ordinária; só então meteram uma (única) notícia da falência dos fundos de pensões em 2025, antes do paineleiro adivinho que entretanto já profetizara sobre a bola, à laia de preâmbulo, naqueles primeiros vinte minutos de foguetório futebolístico.
 O que tirei disto hoje é que a taça diz que é de Portugal, o povo no estádio nacional parece que era português, quem estava na tribuna para solenemente entregar o caneco consta que é presidente da República, mas aquela equipa que ergueu alvarmente o troféu era de -- como lhe chamam eles agora?... -- migrantes.
 Portugal é só já uma memória com atávicas formalidades.


Estádio Nacional, Lisboa (H. Novais, 1944)
Estádio Nacional, Vale do Jamor, 1944.
Estúdio de Horácio de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.

12 comentários:

  1. ....aquela equipa que ergueu alvarmente o troféu era de -- como lhe chamam eles agora?... -- migrantes.

    "Sobre aquilo de que não se pode falar (ou não se sabe), deve-se calar."; é que aquela equipa que ergueu alvarmente o troféu é mesmo assim uma pedrada no charco: 70% dos titulares são portugueses!

    Deste modo, face ao panorama actual acho que não será sobre esta equipa que deveriam incidir estes comentários, e em vez de migrantes creio que autóctones seria talvez a palavra mais adequada...

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  2. Lembra-me do tempo em que havia 1... estrangeiro. Era o Yazalde. O Benfica, segundo ouvi, fazia gala nesse tempo em não ter nenhum (fez gala disso até aos anos 80, quando começou a invasão de brasileiros). Vá lá ver-se hoje...
    Por contraste ouvi ontem de Solimões, Monteros, Tanakas (dir-meá que não jogou, bem sei), Diegos, Wiliams, 1, 2, 3, de Oliveira Quatros, e o diabo a sete. E vi bandeiras estranhas. Realmente não sou dos mais informados da bola. Se diz que me cale, calo-me.
    Paciência!

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  3. Sem compartilhar da acrimónia do comentador que me precede, confirmo que as coisas se deram como ele bem refere.

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  4. Constato agora que sim, mas na sua casa V. diz o que quiser. Eu pretendia tão-só fazer uma pequena correcção, nada mais...

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  5. Miguel D1/6/15 14:41

    Lindo pormenor o da bandeira com a Cruz de Cristo. Bem podia substituir o trapo verde-rubro...

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  6. Uma vez ouvi o prof. Hermano Saraiva, a propósito da cartografia do tempo das descobertas, frisar que todas as representações de naus apresentavam a cruz de Christo nas velas, mas que tal facto andava omitido, e até contradito por uma certa historiografia.
    Cuido que se o entende, não é verdade?!...
    Cumpts.

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  7. Anónimo2/6/15 03:05

    Que maravilha de fotografia! Uma moldura humana impressionante. Estes e milhares d'outros que se lhe seguiram até à tragédia d'Abril, é que eram tempos de se poder ir ao futebol com prazer e alegria e com toda a família se fosse caso disso, sem receios de violência gratuita (provocada por gente a soldo das maçonarias, as quais se imiscuem nas democracias - exactamente para esse efeito é que as vão criando - controlando e mandando nos respectivos governos e, através destes, subvertendo por completo a ordem estabelecida e invertendo as normas morais e cívicas até então existentes nesses mesmos países) ou qualquer outra espécie de desacatos.

    O nosso Pai, sportinguista dos quatro costados, não faltava a um jogo do seu Clube. E também, por vezes, a jogos e a outras festividades futebolísticas no Jamor. Quem sabe se neste preciso dia não teria estado sentado naquelas bancadas. É muito provável.

    Por motivos particulares (possuía e dirigia, com um dos seus irmãos, meu tio, um jornal desportivo editado e publicado em Luanda e escrevia regularmente crónicas sobre futebol, enviadas de Lisboa por correio aéreo) tinha que estar a par de tudo o que acontecia neste mundo mágico (para quem o aprecia, claro) em Portugal e no mundo, pelo que além de ter um prazer imenso em assistir aos jogos do seu clube do coração, por dever d'ofício, digamos assim, tinha mesmo que o fazer.
    Maria


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  8. Hoje em dia o Estádio Nacional só vai servindo para treinos da selecção e para as dinais da Taça de Portugal. Creio que é sina de ser obra do Estado Novo e de não encher os cofres dos clubes da bola.
    Cumpts.

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  9. Anónimo3/6/15 04:06

    É exactamente como diz. E ainda não o deitaram abaixo para substituí-lo por um mamarracho qualquer a pretexto de, sei lá, um novo estádio com maior dimensão e o dobro dos lugares ou, o que é mais certo, se este nojo de regime/sistema, politicagem incluída, perdurar o tempo suficiente, transformar aquele bonito estádio e o extenso e bem projectado espaço em redor num novo mastodonte para celebrar o próximo "euro" dois-mil-e-qualquer-coisa, evitando assim críticas e oposições (eles sabem que as terão mas farão orelhas moucas, como sempre o têm feito com as 'obras primas' anteriores), com o único fim de meter ao bolso dos promotores da dita mais uns bons milhões, a acrescentar uns biliões d'alcavalas a somar ao custo final, deixando em simultâneo mais uma 'obra de grande espavento' a ficar para a posteridade a juntar a outras d'igual inutilidade, legados estes da excelsa democracia que traduzem tal e qual a imagem que marcará para sempre graças a Deus este vergonhoso e corrupto regime.

    Tudo o que de nobre, belo e estruturalmente sólido erguido durante o Estado Novo tem que ser destruído ou substituído dê lá por onde der. Quanto mais depressa o povo se desabituar de tudo o que lhe possa recordar o anterior regime, tanto melhor. É o que esta seita mafiosa tem vindo a fazer nos últimos quarenta anos. E o que é que está por detrás de todas estas manobras sujas vindas da parte de quem já nem se digna escondê-las? Ciúmes exacerbados e uma inveja doentia de tudo o que diga respeito ao Regime do Estado Novo e muito particularmente um ódio visceral votado ao seu fundador, Salazar, a cuja memória ainda são prodigalizados os mais vís impropérios, quando, afinal, ironia do destino que estes pulhas do pior extracto nem se dignam respeitar mìnimamente, foi quem lhes facilitou a vidinha regalada que têm levado, iniciada há quatro décadas e até hoje, à custa dos múltiplos e escandalosos roubos ao erário público e outros tantos assaltos aos cofres do Estado recheados de ouro e de divisas, pertença inquestionável do povo português.
    Maria

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  10. A memória do Estado Novo é para delir. No caso é de material rijo, consistente, sólido e que pela dimensão custa a derribar. Se fosse fácil já tinha ido. Mas já por aí andam campanhas de que é perigoso e desconfortável aplanando o caminho.
    Cumpts.

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