Sobrevoando o lugar de Benfica pouco mais ou menos sôbre a quinta da Granja nos anos 50. O panorama que se avistava até à serra de Sintra era o que pode o leitor apreciar. Para quem, como eu, nunca conheceu esta païsagem e suspira por fazer idéia de como foram os lugares adjacentes à estrada e ao lugar de Benfica -- lugares que sempre conheci com païsagem tão densamente edificada -- respirar uma imagem destas é um refrigério.
Algumas referências que vejo situam-me o espaço, outras suspendem-me no tempo: dou adiante algumas que identifico de cor; conto com o leitor interessado mais entendido nos pormenores antigos do lugar para que, com paciência ou generosidade, ajude no que faltar.Vista aérea sobre Benfica, Lisboa, 195...
C.M.L./D.E.P., in archivo photographico da C.M.L.
Partindo do quadrante inferior esquerdo, vae a estrada de Benfica em boa parte bem definida pelo casario de r/c, 1.º e 2.º que ainda hoje a conforma no trôço que leva da Fonte Nova às Portas e, para lá delas, à Porcalhota e à Amadora, já no quadrante superior direito da imagem. Do seu serpentear solta-se, primeiro, à esquerda a Gomes Pereira e a fábrica Simões e depois, à direita, a Calçada do Tojal, com a igreja da Benfica marcando bem o lugar de encontro dessa serventia com a estrada de Benfica. No lado oposto à igreja o antigo campo do Fòfó, cujo limite do lado de cá é bem marcado pelos muros da Azinhaga das Garridas, velha serventia de que sobra um trôço e que, por inteiro, nestes tempos de outrora, levava a gente bucòlicamente do coração de Benfica à Buraca cruzando a linha de Sintra numa passagem de nível de que nunca vi imagem, mas que sei que existiu, a par do Retiro do Bom Pastor.
Adiante da igreja de Benfica o casario mais denso até às Portas -- que as não descortino --, apenas identifico por ali a longa fiada de casinhas baixas da quinta das Fontaínhas, de que sobra hoje uma fracção.
Na banda esquerda da imagem as moradias do bairro das Garridas e o do bairro de Santa Cruz de Benfica em construção; entre êles a mancha arborizada da mata de Benfica. Além de Santa Cruz, campos, e o incipente casario da Damaia (ou de A-da-Maia) e da Damaia de cima, esta já para lá do aqueducto que corta, solitário, a païsagem para a direita; na Reboleira nada...
Na banda superior direita da imagem, além das Portas e do bairro da Venda Nova, a Estrada de Sintra (E.N. 249) em direcção à Amadora -- que se nota bem urbanizada até ao que me parece o Casal de S. Brás -- e, após, apenas o casario a define (à estrada nacional) da direita para a esquerda da imagem, até se ela perder para lá duma fita que se ainda avista além de Queluz.
A serra de Sintra com uma luz diáfana fecha o scenário bucólico dêste tempo suspenso.
E vejo a minha rua lá bem ao fundo.
ResponderEliminarFico assim a saber que a sua construção é anterior a muita coisa com o mesmo aspecto que por ali há.
Obrigado.
Abraço
Manuel
Bela imagem!
ResponderEliminarQuanto às Portas, penso que ainda é possível ver pelo menos o topo da porta Sul, pouco antes de uma fiada de casas térreas (perto de uma zona com aspecto industrial) que, de acordo com as fotografias aéreas disponibilizadas pelos mapas "Bing", ainda lá se mantêm.
Por outro lado, será que, ao centro da fotografia, pouco acima dos arcos do aqueduto, se vê o que o quartel actualmente ocupado pelos Comandos e que, tanto consegui apurar, foi construído nos anos 50 para albergar o Regimento de Infantaria n.º 1?
Cumprimentos,
JMN
Foi um prazer
ResponderEliminarObrigado eu!
É verdade. Vê-se lá o castelinho, vê.
ResponderEliminarAs instalações militares na Amadora tiveram aeronáutica pelos anos 20 e 30. Depois não sei. Lá onde as refere são mesmo elas, possìvelmente já com o R.I. n.º 1.
Grato da informação.
Bom, as Garridas não eram azinhaga, nem tinham bairro. Eram estrada, tal como ainda consta no bocadinho sobrante que refere. Tinham apenas uma dúzia de casas uni-familiares, do lado esquerdo de quem subia para a Buraca, direito à passagem de nível que bem refere e um casarão de primeiro ou segundo andar, que teria sido o edifício principal de uma quinta desaparecida, com um pátio interior e várias edificações mais pequenas, todas elas habitadas. O lado direito, foi quinta murada até à construção de Santa Cruz.
ResponderEliminarAntes da Calçada do Tojal, isto do lado direito da Estrada de Benfica, divisa-se a Rua dos Arneiros, que até há pouco tinha, essa sim, sido travessa e a Rua Cláudio Nunes, que levava as gentes até à porta de cemitério.
Para lá da Calçada do Tojal e até à Estrada Militar, muito pouco haveria construído, por esse tempo.
É talvez importante sublinhar que, a grande quinta que se vê à direita em primeiro plano, a Quinta da Granja, ainda se mantém, embora amputada de uns bons bocados, mas com outros que a foto não abarca e que incluem todos os edifícios da quinta. Uma parte deles são hoje utilizados para turismo de habitação.
A quinta ainda se estende até quase à perpendicular da Gomes Pereira, em cujo cruzamento nasceu a Avenida do Uruguai.
Cumprimentos.
Muito obrigado de nós precisar melhor a fotografia. É preciosa a descrição da Estr. das Garridas, de que pouca ou nenhuma memória sobra. Há uma imagem que vi em tempos no archivo municipal referida vagamente a Benfica é que conjecturo ser da Estr. das Garridas. Deixe-me ver se a acho para tornar-lhe aqui com ela. Talvez a possa confirmar.
ResponderEliminarCumpts.