P.S. — A história da despedida no quartel do Carmo, ao descer as escadas entre duas filas de soldados armados (que ninguém mandou combater...) é rigorosamente exacta. Todos eles me iam dizendo uma palavra de conforto e ânimo: «Adeus, senhor Presidente!», «Boa sorte, senhor Presidente!» e é verdade que alguns o diziam com lágrimas. Aliás, o comportamento das praças, dos sargentos e oficiais práticos (vindos de sargentos) foi excelente e correctíssimo. Quem falhou pela inércia (ou cobardia) foi o general e os oficiais superiores que o cercavam e que, se não estavam comprometidos com a revolução, pelo menos não a queriam hostilizar.
Caso curioso: no quartel da Pontinha, onde depois estive preso até embarcar para a Madeira, também os soldados que me puseram de sentinela foram correctíssimos. Algumas vezes tive de atravessar um corredor onde eles estavam e nem uma só vez deixaram de se perfilar à minha passagem. Não sabiam do que se passava? Ignoravam a minha situação? Ou era o hábito adquirido e ainda não perdido?
Depois, no Funchal, é que assisti à rápida degradação da disciplina e aos mais indecorosos espectáculos de soldados anarquizados...Marcello Caetano... in Maria Helena Prieto, A Porta de Marfim, Verbo, Lisboa/São Paulo, 1992, p. 284.
(Chapa do marinheiro no gab. de Silva Pais encenada por Alfredo da Cunha.)
Quer maior infelicidade que ter nascido neste dia?
ResponderEliminarNão tem nada que ver. A desdita de ver uma pátria a alegremente a suicidar-se calha por igual a todos que por cá andamos neste tempo.
ResponderEliminarFeliz dia de S. Marcos! (Ou é já de Santo Isidoro?)