A emissora 2 — a da música erudita — veio-me esta manhã com uma arenga
que foi notícia há um ano: a P.I.D.E. (i.é, a D.G.S.) prendeu e interrogou pessoas em 25 de Abril de
1974
(Jacinto Godinho et al., R.T.P., 25/IV/2014). A costumeira lavagem ao cérebro
a funcionar por altura da feira de Abril, já estamos habituados. E assim lá se
ouviu o escândalo de os ignóbeis agentes da D.G.S. terem ido trabalhar naquele
dia e cumprirem a missão que lhes competia e por que, afinal, eram pagos,
quando os lateiros dos oficiais subalternos do Quadro Permanente do Exército
faziam um levantamento de rancho, por mais dinheiro e, por andarem sumamente
contrariados em (poder) ter de dar o coiro pela Pátria.
Do Jacinto
Godinho, entrevistado com o protocolar fervor Abrileiro pelo locutor de
serviço, ressoou, requentada, esta manhã a contrariedade de a D.G.S. não ter
sido extinta, se não quando os recos da Escola Prática de Santarém deram a
mijinha matinal na alvorada da liberdade, pelo menos tão logo que Tareco se
pôs a bafejar no megafone, empoleirado na cabina telefónica do Largo do Carmo.
Pior de tudo ainda é -- revelou esse Godinho -- um mês e meio de obscuridade
entre o dia do grande acidente nacional e a extinção da D.G.S., em que não
sabe bem o que foi feito dela. Pois era ele perguntar aos socialistas e
comunistas de serviço à libertação que voragem
que deram à tenebrosa
naquele entremez ou, à falta de resposta, procurar pela coisa em Moscovo...

Caça às bruxas, Rossio, 1974.
Paris Match, 11/5/75, apud
Porta da Loja.
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