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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Feira de Abril

 A emissora 2 -- a da música erudita -- veio-me esta manhã com uma arenga que foi notícia há um ano: a P.I.D.E. (i.é, a D.G.S.) prendeu e interrogou pessoas em 25 de Abril de 1974 (Jacinto Godinho et al., R.T.P., 25/IV/2014). A costumeira lavagem ao cérebro a funcionar por altura da feira de Abril, já estamos habituados. E assim lá se ouviu o escândalo de os ignóbeis agentes da D.G.S. terem ido trabalhar naquele dia e cumprirem a missão que lhes competia e por que, afinal, eram pagos, quando os lateiros dos oficiais subalternos do Quadro Permanente do Exército faziam um levantamento de rancho, por mais dinheiro e, por andarem sumamente contrariados em (poder) ter de dar o coiro pela Pátria.
 Do Jacinto Godinho, entrevistado com o protocolar fervor Abrileiro pelo locutor de serviço, ressoou, requentada, esta manhã a contrariedade de a D.G.S. não ter sido extinta, se não quando os recos da Escola Prática de Santarém deram a mijinha matinal na alvorada da liberdade, pelo menos tão logo que Tareco se pôs a bafejar no megafone, empoleirado na cabina telefónica do Largo do Carmo. Pior de tudo ainda é -- revelou esse Godinho -- um mês e meio de obscuridade entre o dia do grande acidente nacional e a extinção da D.G.S., em que não sabe bem o que foi feito dela. Pois era ele perguntar aos socialistas e comunistas de serviço à libertação que voragem que deram à tenebrosa naquele entremez ou, à falta de resposta, procurar pela coisa em Moscovo...


Paris Match,11/5/75.
Caça às bruxas, Rossio, 1974.
Paris Match, 11/5/75, apud Porta da Loja.

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