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sexta-feira, 6 de março de 2015

Rio de Janeiro ou águas de Março?

Enseada de Botafogo (Iluminata, 2014)

 Falou-se para aí no domingo, 1 de Março, dos 450 anos do Rio de Janeiro. Um pouco por isso pus nas variedades a Astrud Gilberto a cantar a Garota de Ipanema... em amaricano...
 O «Público» usou a propósito (do Rio, não da Astrud) o título: Rio ou, há 450 anos, São Sebastião. Ora o Rio é de Janeiro, o que bate certo com o orago promordial da cidade de S. Sebastião, cujo o dia é 20 de Janeiro. Mas exprimir no título S. Sebastião, há 450 anos referido a um aniversário fundacional [fundador] posto não sei porquê em 1 de Março, quando é certo e sabido o Rio ser de Janeiro, parece uma trapalhice. Se quisermos maior confusão, nem o Rio bate certo porque se refere à baía de Guanabara.
 Adiante.
 Valham-nos, por maior verosimilhança, umas panorâmicas recriando o que os olhos dos nossos marinheiros avistaram mais de perto por lá no séc. XVI.

Costa Brava (Ipanema); Iluminata, 2014

 Adiante outra vez.
 Falei na Astrud, a mulher do Gilberto, que pus nas variedades a cantar Garota de Ipanema, meia chocha, em amaricano -- com meia chocha refiro-me à Astrud, não à Garota; aliás, de chochos, tanto a Astrud como o Gilberto fazem bom par... -- Mas a melhor versão da Garota de Ipanema em amaricano que conheço é a de Nat King Cole.


 





Imagens promordiais da enseada de Botafogo e da orla marítima da Costa Brava (Ipanema e Leblon) de Iluminata, apud blogo XPTO.


(Emendado.)

7 comentários:

  1. Anónimo6/3/15 22:38

    Conheço o Rio, lindo de morrer. Mas estas imagens assombrosas são de nos deixar extasiados. Parabéns por trazê-las aqui.

    A Garota de Ipanema é uma canção imortal. João Giberto foi um autor iluminado quando compôs este tema absolutamente único. A Astrud cuja voz desconhecia e devo ter ouvido no Youtube talvez uma ou duas vezes, tinha um tom de voz bastante fraquinho e muito aquém d'algumas outras boas intérpretes brasileiras conhecidas.

    Mas para mim, pessoalmente, a interpretação fabulosa que junta em estúdio Vinícius de Morais (ainda muito novo!) e Frank Sinatra a interpretare essa belíssima canção, interpretação que desconhecia e vi pela primeira vez no Youtube há poucos anos e que já repeti várias vezes, é simplesmente genial. Eu que sempre adorei a voz romântica e única de Sinatra e nunca tinha ouvido a voz de Vinícius nos seus trintas (creio tê-los nessa altura) é um autêntico sonho, de uma beleza difìcilmente ultrapassável. Só comparável com a voz doce e ultra melódica de Chico Buarque nas suas lindíssimas canções, também dessa altura e que conservou maravilhosa tal e qual durante muitos anos.

    Quanto a Nat King Cole, bem, para a voz deste romântico inveterado, já não me sobram palavras elogiosas. De uma beleza sem par. E pensar que este senhor não queria dedicar-se às canções por se julgar pouco merecedor dessa honra por falta de jeito e timbre de voz insuficiente! Julgava, pois julgava, mas o facto é que alguns anos depois de ter-se finalmente dedicado à profissão, o sucesso mundial foi estrondoso e as receitas obtidas pela venda de milhões dos seus discos foram de uma tal ordem de grandeza que chegaram e sobraram para pagar integralmente o edifício da Capital Records em Los Angeles! E esta, hein? (parafraseando Fernando Pessa). Teve um programa televisivo próprio que foi um sucesso enormíssimo e só terminou abruptamente porque a Coca-Cola (com o racismo crónico que caraceriza os norte-americanos sobretudo os d'origem judaica, como são quase todos os ligados ao cinema, rádios e televisões e naturalmente à música, lhe retirou incrìvelmente o patrocínio dada a sua negritude, imagine-se a hipócrisia e o cinismo!). Ele ainda entrou em filmes, mas no último, creio que com Jane Fonda, já extremamente doente e desaconselhado pelos médicos de o fazer, o esforço interpretativo foi demasiado e não resistiu ao cancro em estado adiantado de que padecia. Cancro desenvolvido pelas desfeitas e injustiças graves de que foi alvo pelos poderosos de Hollywood. Sabe-se que determinados cancros se desenvolvem por gandes preocupações e depressões profundas.

    Foi uma tristeza a morte precoce deste homem bom e cantor extraordinário.
    Maria

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  2. Anónimo6/3/15 22:42

    Recebeu o meu comentário enviado há pouco? É que me fugiu quando ia verificar se estava tudo correcto...
    Maria

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  3. E porquê o "amaricano " quando o idioma em causa é o inglês? Certamente na, ou numa, variante norte-americana. Mas ainda assim língua inglesa e quero crer que com bem menos aspirações de dominação e desvirtuação sobre a língua-mãe - que bem cuidaria de não o admitir, estou certo! - do que, deliberadamente ou por arrepiante lusa boçalidade, o português brasileiro (e esse sim, cada vez menos português) sobre o português dito europeu.

    "Amaricano " parece denotar um certo desprezo ou sobranceria. E nem tudo o que de lá vem é mau, como não terão eles - os americanos (norte-americanos) - culpa da acrítica, submissa e até materialmente imprópria adopção, por cá, de algumas palavras, locuções ou o que seja da sua variante do inglês. Procuremos entre nós essa culpa, pois é entre nós que ela afinal está e defender a língua-mãe pode e deve ser feito sem desconsiderar as outras.

    Eu sei, eu sei que nós temos oitocentos anos, mais até, de história (como tanto gostamos de invocar) e eles são, para nós, umas crianças grandes. E veja-se onde nos levaram esses oitocentos anos e a nossa alegada maior maturidade: uma pátria absolutamente decadente e um punhado a governar-se de forma obscena e impune, à conta de uma multidão aflitivamente embrutecida, que confunde orgulho e patriotismo com futebol (que sistematicamente, aliás, falha) e que parece gostar e muito disso.

    Costa

    Ps.: concordo consigo quanto à versão de Nat King Cole. Sem dúvida.

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  4. Gostei das imagens sobretudo pelo primevo que nos permitem entrever.

    A Astrud anda a par do Gilberto no tom enjoadinho do canto. E o sotaque só engrossa esse tom... Mas o autor da cantiga não foi o Gilberto...

    Nem do Vinicius, nem do António Jobim como consta...

    A verdade, segundo a lenda, é que foi um gaiteiro de Miranda que ia na armada do Estácio de Sá em 1565 enamorado da bela filha do chefe dos Tamoios que compôs a cantiga. Como os marotos dos índios Tamoios andavam aliados aos franceses contra os portugueses foram todos colonialmente dizimados e aí o nosso gaiteiro desistiu das cantorias, desencantado de amores impossíveis. -- Cáiu nà rèau, né. -- Os pergaminhos em que escrevera a notação da cantiga enterrou-os num baú no areal de Ipanema juntamente com uns fios de cabelo da amada e umas moeads de ouro pilhadas aos franceses. E lá ficaram até 1963 quando um cão desenterrou o baú e apareceu com ele na boca diante do Vinicius e do António Jobim que matavam a sede e o calor tropical com uns chôpes no bar do Veloso à esquina da Rua do Montenegro em Ipanema... As moedas deram à justa para pagar mais uma rodada.

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  5. «Amaricano» parece denotar um certo desprezo ou sobranceria.
    Pode ser, mas deixe. O desprezo pelos mandaretes do nosso burgo nem para sobranceria me dá, portanto dou em implicar com os «amaricanos». Tem porém V. inteira razão sobre eles (os «amaricanos») mai-la a sua relação com a matriz do seu bárbaro linguajar.

    Cumpts.

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  6. Anónimo8/3/15 01:55

    Mas está a brincar e inventou esta historieta ou a lenda de facto existe e está documentada e portanto passou-se tudo como conta?... Humm:)
    Maria

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  7. A historieta será lenda de verdade histórica inegável se for muitas vezes repetida. Como a democracia e a liberdade...
    :)
    Cumpts.

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