
Em menino tive um carrinho destes. (Só um.) Certa vez, na escola primária (primeiro ciclo), talvez na segunda ou na terceira classe (3.º ano), a senhora (professora) mandou (hoje pediria...) uma redacção. -- No princípio ensinou-nos «redacção», mas mais tarde, com a evolução do eduquês, também ensinou que se dizia «composição»; talvez fosse ainda na segunda classe, portanto, porque tenho uma vaga ideia de que o jipe foi numa redacção, não numa composição... Ou não tenho ideia nenhuma, já não sei...
Fazer uma redacção na escola era o mais difícil. Primeiro obrigava a escrever muito -- para aí umas dez linhas -- e, ao depois, era precisa inspiração, pensar no que escrever, conseguir escrever coisas sobre um tema. Escrever coisas, mesmo sem tema, não era coisa para todos, por isso alguns meninos chumbavam (ou reprovavam... ou melhor: elevavam a taxa de retenção... -- falássemos agora qui de I.R.S., em vez de cábulas, e o burro seria eu...)
Não me alembra agora do tema nessa vez e até fico em dúvida se não foi tema nenhum. Lembra-me é de em não havendo tema ser mais fácil -- podiam fazer-se redacções sobre jipes e carrinhos de brincar. Mas era raro não haver tema nenhum; talvez fosse só quando a senhora se por ventura achava desinspirada sem se alembrar de nada ou de coisa nenhuma.
Bom, não me lembro se havia tema, se não havia. O que sei é que pus o jipe na redacção. Como, de que maneira, para dizer mais o quê, não me recorda. Lembro-me só de falar lá no jipe e, necessariamente, de ter de escrever jipe, uma palavra que me nunca antes aparecera para escrever. Se a vira escrita em amaricano por baixo do carrinho com que brincava não fiz caso -- aquele bárbaro não fazia ainda sentido como agora, com dois ee para o som i. Escrevi mesmo jipe e acabou-se.
Pois a senhora corrigiu-me a redacção, pôs-lhe um visto, que não é avaliação nenhuma (um bom ou um muito bom é que era bom) e a única palavra que me lá emendou foi... jipe; emendou para jeep.
Tinha visão de futuro, olha...!
(Os jipinhos de reinar são duns leiloeiros da rede.)
ResponderEliminarMas de que se admira? Claro está que o horizonte desta súcia a isto se resume; é gente claramente menor que se colocar o polegar no nariz e estender a mão, não consegue ver a falangeta do mindinho; vou fazer de Zandinga ” de trazer por casa: se aquilo ganhar as eleições, não duramos meio ano; que apostar?
Cumpts
comentário acima fora do lugar; deveria ter sido este:
ResponderEliminarEstava a sua digna professora já a ensinar-lhe a sua futura língua (na variante mais bárbara): o Inglês!
Cuido que terá esta 19 variantes, mas posso estar enganado; pois bem, a ser verdade, não tarda, terá 20.
Cumpts