Sei desta de Debret, do oficial régio que passeia com a família, no Rio de Janeiro, em 1816. Era hábito instituído na época o chefe da casa passear-se sempre à frente dos filhos, da mãe, dos criados e dos escravos, necessàriamente nesta ordem. Em 1816, o Brasil não era com certeza das terras mais civilizadas, mas havia esta ordem formal, quase protocolar, na vida pública. Atrevo-me a pensar que se chegou a tal nos alvores do séc. XIX como corolário dum processo civilizacional.
Ontem vi nos noticiários televisivos imagens, não dum oficial régio, mas de boa parte dum governo de camisa aberta e mãos nos bolsos, deambulando a par de caixotes de lixo e paredes borradas de grafitos, e notei que qualquer subalterno(a) se punha adiante do primeiro ministro. Este governo do séc. XXI ia e vinha de reunir-se oficialmente em conselho num vulgar 9.º andar dum mamarracho digno de qualquer subúrbio berlinense da 2.ª metade do séc. XX.
O processo civilizacional, parece-me, deu em regresso civilizacional, mas há quem louve a frescura simplória dos modos e trajos desta representação do Estado Português. Pois que me explique daí o avultado de tantos gastos desta gente. Não hão-de ser só os carrões alemães.
(Estampa de Debret in Colégio de N. Senhora de Lourdes. Imagens da XIX.ª comissão liquidatária da Radiotelevisão Portuguesa brasileira e da Sociedade Industrial de Comunicação concentrados, 11/X/2014.)
Diz-me como te vestes, dir-te-ei quem és, ou, se preferir, somos o que vestimos.
ResponderEliminarCumpts
Já somos mais o automóvel em nos sentamos.
ResponderEliminarCumpts.
E então se não formos nós a pagá-lo...
ResponderEliminarCumpts
Já vi decadência com elegância, mas o ocaso do portugalinho-mercearia dos abrileiros é um fartar ordinarice. Os grafitos, os caixotes de lixo e os passeios cobertos por carros não são meramente ilustrativos.
ResponderEliminarAbraço amigo!
Ando a reflectir sobre o tema.
ResponderEliminarCreio que a culpa está na pequena burguesia que se tornou elite.
Começou com a vitória dos Liberais na Guerra Civil mas agravou-se a partir dos anos 50/60 do século passado. O mamarracho também surgiu nessas décadas. E foi nesses tempos que cresceram os Cavacos e os Sócrates da nossa desgraça.
Tudo duma miséria atroz, é verdade.
ResponderEliminarCumpts.
Nem sei que lhe diga. Pode ser!...
ResponderEliminarEstranho fado nos havia de calhar.
Cumpts.