Esta manhã, a propósito de quebrados e medidas do sistema imperial, caiu a conversa no dinheiro inglês e na complicação que aquilo era.
— Um xelim são doze dinheiros — diz-me o meu interlocutor.
Veio ao caso um passo d' «O Natal do Sr. Scrooge», de Dickens, onde uma inábil tradutora, sem sombra de ideia do que traduzia, verteu uma semanada de 5 xelins e 6 dinheiros (five-and-sixpence no original) numa renda de 5 ou 6 pénis [credo!] por semana.
Empreendendo agora na questão do velho dinheiro inglês leio que desde a Batalha de Hastings em 14 de Outubro de 1066 (está para fazer anos), a libra se dividiu na Inglaterra em 20 xelins (s. <= lat. solidus) ou 240 dinheiros (d. <= fr. denier <= lat. denarius) — Ora 240 ÷ 20 = 12, portanto 1s. = 12d. — um xelim são doze dinheiros! —Afinal parece fácil.
Tornando a Dickens recordo-me doutra moeda inglesa em que se também falava: o guinéu (g.). O guinéu é mais de 1 libra; são 21 xelins — ou 1 libra e 1 xelim, por conseguinte — e tem a curiosidade de ser (ou haver sido) considerado mais digno nas contas do que a libra; pagar-se-ia a um mesteiral em libras, mas, negócios entre cavalheiros acertavam-se em guinéus (v. Mandy Barrow, «Antigo dinheiro inglês», in Vida e Cultura Britânica).
Outra curiosidade do guinéu é derivar-lhe o nome da Guiné, a região de África desbravada pelos portugueses no fim do séc. XV, donde afluiu muito ouro à Europa e onde D. João II mandou Diogo de Azambuja levantar a feitoria de São Jorge da Mina em 1482. No pico da exploração do ouro da Mina, nos alvores do séc. XVI, consta que tiraram os portugueses de lá mais de 11 t de ouro por ano…
Tem graça, pois, que as voltas e os quebrados da libra esterlina — moeda de prata — venham lá do Guilherme da Normandia ou até do Carlos Magno. Mas mais graça tem, todavia, que as voltas do guinéu — moeda de ouro de valor superior à libra — venham da acção dos portugueses na História Universal.
Castelo da Mina, mapa português do séc. XVI na Quipaedia.
Mais uma magnífica pequena grande lição de História de Portugal… e de além-mar.
ResponderEliminarMas não irá fazer o caro Bic carreira neste moribundo arremedo de país que se envergonha da sua antiga grandeza ao fazer a apologia da admirável gesta portuguesa dos descobrimentos… Tempo perdido, já que a esta mediocridade que nos «governa» nem consegue imitar os ingleses, que não tiveram qualquer preconceito em adoptar tal nome para a sua moeda nobre, como muito justamente salienta, nem de adoptar o chá como bebida nacional, também ido da Lusitânia pela mão de D. Catarina que lhes ensinou algumas boas maneiras à mesa (uso de talheres)…
Estes cafres, por cá, ainda hão-de aprender a comer com garfo, será?
Calorosos cumprimentos
Mas um xelim não é o axento de uma bixicleta???
ResponderEliminarAhahaha! Poijé.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado! Valha-me que escrevo por desfastio e para quem o queira ler. Os mandaretes que refere nem darão por ele, escritos meus ou garfo seu. Orientam-se do tacho...
ResponderEliminarCumpts.
Como queria o Bic que eles o lessem, se escreve numa língua morta que já ninguém (eles) conhece? Aqueles obtusos bestuntos são directamente proporcionais à estreiteza intelectual daquela miserável escrita tão pressurosamente adoptada sabe Deus em nome de que interesses.
ResponderEliminarCumpts
É primo do fuinho: o buaquinho da paiêde.
ResponderEliminarCumpts
Nem nessa escripta de analphabetos saberão redigir. São piores.
ResponderEliminarCumpts.