| início |

sábado, 4 de outubro de 2014

Fantochada republicana

 Em 1911, à falta de melhor, a República comemorava os seus desgraçados mártires: um almirante sem navio que, desorientado numa recôndita azinhaga de Arroios (v. n.º 11), meteu uma bala nos miolos, e um psiquiatra propagandista que falhou a revolução porque foi morto na véspera por um furioso louco, doente seu. Dois heróis equívocos da República. Ambos falharam rotundamente o 5 de Outubro (um foi morto em 3, o outro matou-se em 4 de Outubro); a própria República proclamou-se por um equívoco. Neste ensarilhado de equívocos prosseguiu a malta do barrete frígio montando em 3 de Outubro de 1911 grande romaria de marujos pelos dois finados e botando inevitável discurso pela obra (?) do infeliz almirante Reis e pela memória do triste dr. Bombarda (ou não seria pela alma? -- de ambos...).
Marinheiros no cortejo fúnebre, Rua Morais Soares (J. Benoliel, 1911)

 

 Bom, factos são factos e propaganda é propaganda. Da propaganda aproveita-se esta imagem da Illustração Portugueza (II série, nº 295, 16 de Outubro de 1911, pp. 500-501) que mostra a Rua Conselheiro Morais Soares por alturas da Rua Barão de Sabrosa. Os marinheiros não me interessam nada, o que me interessa é o cenário campestre, são os curiosos empoleirados nos muros e são os vultos ao fundo, com umas árvores diante, do Hospital de Arroios e dum casarão com capela que havia na Azinhaga das Freiras - onde deram com o tal almirante suicida. À esquerda ainda se topam umas casas que serviram porventura de posto fiscal ao fundo do Poço dos Mouros. O monte no horizonte é para os lados do Arco do Cego. -- Extraordinário!

(Publicado originalmnete no dia de Nossa Senhora da Conceição de 2010 à uma da tarde. Remissões revistas. Cliché de Joshua Benoliel.)

6 comentários:

  1. M.Martins6/10/14 02:49

    A propaganda não mudou muito os mètodos hoje empregados,marketing relacional, é uma relação entre uma marca e um mercado ciblado.O vendedor que vendeu frigorificos aos Esquimós no Artico,os Islamistas que acreditam que depois de mortos Allà lhes da 70 virgens.A lista é longa...mas os efeitos escomptados são de uma eficácia a tôda epreuva;e os U.S.A estão lá para nos provar.Os Portugueses mesmo com uma folha de grandes escritores,poétas, jornalistas, lá tambem a lista é longa;só os falsos e oportunistas (politicos) nos deixaram na situação em que Portugal se encontra!Cumprimentos

    ResponderEliminar
  2. Bic Laranja6/10/14 16:02

    A eficácia é tanto maior quanto mais estúpidas as gentes. Para cima de 80% dos humanos nada raciocinam acima do instinto animal. Especialmente postos ante as televisõesse; valem mentalmente menos que manadas.
    Testes de laboratório o provam.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  3. Inspector Jaap10/10/14 21:10

    Ele há gente muito mais sábia do que eu para o comentar, caro Bic, que não perde pela mudança:


    “O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”
    --- Fernando Pessoa

    Cumpts

    ResponderEliminar
  4. Duas cores (esmaltes) que se justapõem sem intervenção de um metal são heráldica de região, não de país independente.
    Os esmaltes são da carbonária e os maçons da repúbliqueta são iberistas.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  5. Inspector Jaap12/10/14 20:19

    Esqueceram-se foi das bananas, para o quadro ficar completo!
    Cumpts

    ResponderEliminar
  6. Comeram-nas. São mamões.
    Cumpts.

    ResponderEliminar