Havia um grilo onte' à noite na minha rua. «Grilava» a rua através do contínuo da viação e trânsito, esse «cântico» de 24 sôbre 24 horas que Lisboa entoa. -- O que torna mais deslocado o grilo, que havia de caber a noites mais estivaes que a de ontem e a scenário romanceadamente campestre.
Pois o grilo imaginei-o eu nalguma sacada, numa gaiolinha de grilo, como espécie de bucolismo plastificado dalgum vizinho dado a devaneios pastoris, mas mais diligente que eu em nos prosseguir. É que ter um grilo na minha prezada sacada foi coisa que me já ocorreu...
Disse-me o snr. do café que não, e que é novidade antiga êste grilo cantando por aqui nas noites quentes. Engano e distracção minhas porque o não ouvira antes, nem no supunha agora em lora perdida no meio da buliçosa cidade.
Um grilo à noite na minha rua alegra-me sem me incomodar o sono. O ruído da cidade é que me desengana de, com êle, conseguir sonhar com o campo.
Cruzamento da Rua de Artilharia Um com a Joaquim António de Aguiar, Lisboa, 1961.
Arnaldo Madureira, in, archivo photographico da C.M.L.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Dum grilo
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