(Retalhos..., 1.ª ed., no alfarrabista Roma.)
É meio irónico pô-lo assim, mas o tempo dos médicos neo-realistas já lá vai. Ninguém já paga ao médico com uma galinha ou meia dúzia de ovos de pata. Esse era o tempo atrasado, das trocas directas e do marasmo da longa noite. Era tempo de Hospitais Civis regidos parcimoniosamente pelo Estado. Tempo de hospitais particulares oprimidos ciosamente pelo mesmo Estado; quando muito permitia-se o hospitalzinho da Misericórdia, pois que isto de ajuntar fortuna à custa das maleitas alheias havia não havia de ser senão coisa do demo.
Era. Salvavam-se nesses tempos tristes umas quantas vidas e até um módico de almas. De caminho continham-se ordenados de médicos porque, ou trabalhavam eles nos Hospitais Civis a preços comportáveis pelo erário, ou se sustentavam num consultòriozinho particular com algumas dúzias de doentes. Tudo muito pouco liberal, mas essa coisa de hospitais de banqueiros a inchar ordenados de médicos e a vender «saúde» ao Estado como se fosse ele uma vaca a que se não acaba o leite é que nem pensar.
Pois, foi tempo... Tempo em que um charlatão aspirante a médico, mesmo perdido de bêbado, assumia -- «Eu sou médico. Tenho obrigação de curar as chagas de carácter social.» -- A ver se não tinha razão: achais aí hoje médico para curar a ganância?
Público do dia de S. João de 2014.
(Revisto à meia-noute.)
O que a ciência tem evoluído... Isto sempre fou algo de ficção científica. conseguir-se estar em város lados ao mesmo tempo.
ResponderEliminarSerá que registaram a patente???
Com certeza. Não se vê como são uns judeus em contas?
ResponderEliminarCumpts.