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quarta-feira, 12 de março de 2014

Notaveis incapazes

 Em cada dia há um capítulo no folhetim das novidades muito bem servido de sermão e homilia nos cabelleireiros da moda onde nos arranjam a cabeça (leia-se crespos, judites, farias, &c.). No dia seguinte viram a página e mudam o capítulo.
 Hoje a missa foi a restructuração da dívida soberana (soberana?!), proposta e roborada por um bando de fidalgos da nossa república – «notaveis» é como lhe chamam, subentendendo-se o substantivo «cidadãos».
 O diagnóstico que faço a partir da designação de catálogo na imprensa – «restructuração» – remette-me á noção de structura, os fundamentos, da dívida. Ora mexer na dicta dívida pelas fundações é, como imaginaes, revolver este nosso regimen festivo a la Parque Escolar, mai-la democratica côrte de cidadãos fidalgos n’elle alapados. O caso é, pois, que restructurar a dívida é restructurar o regimen, e, restructurar o regimen é … restructurar a fidalguia que n’elle se sacia emquanto me vae fallando na restructuração dos males.

 Não sahimos d’isto!
 Mais prova da estupidez em acção a que estamos entregues tiro-a do badalar indistincto entre «restructuração» e «renegociação» da dívida. A linguagem é pouco rigorosa mas illustrativa. Para começar os prefixos re-, re- a cada mézinha annunciada dizem de quanto se perdem por ahi os «notaveis» a repisar os mesmos problemas sem os nunca haverem de resolver. – Não sahiremos d’isto, é bom de ver. – Por fim vem de tudo mais que, sendo «restructurar» aquella pescadinha de rabo na bocca que já disse, e «renegociar» mero negócio, o negócio não passará afinal de… mais crédito – em prestações suavizadas ou com desconto no juro, mas mais crédito – para continuarem ahi alapados ao regimen os taes «notaveis», emquanto vão propondo restructurações como panacea da sua incompetente ladroagem.
 Nada d'isto já leva emenda.

Irmãos Metralhas
Irmãos Metralha em GP Desenhos.

10 comentários:

  1. Sinceramente, mas valia Portugal sair do euro

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  2. Bic Laranja13/3/14 08:41

    Mais valia Portugal.
    Cumpts.

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  3. Marcos Pinho de Escobar13/3/14 11:00

    O Amigo tem razão. Portugal já acabou... Não digo que o ultimo a sair apague a luz porque está já foi vendida ao pc chinês.
    Abraço amigo.

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  4. Não ha-de sobrar nada. Entregue o territorio vendido o reino, diluída a identidade, vai ja adeantado o ermamento para os senhores que haja de haver não toparem com viriatos nem tribos de Lusitanos.
    Cumpts.

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  5. M.Martins13/3/14 19:25

    A que eu acho (nada)graça é vamos negociare a restreturação da dívida...eles não tem autorisação de ir a casa de banho!Cambada de cow boys,que nem sabem montar a cavalo.

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  6. Tem razão.. e é por isso que já começo a pensar seriamente em sair daqui... pois não sei se consigo ficar por cá e assistir a esta morte lenta... é muito doloroso.... dói muito, dói até na alma...
    No entanto, não quero ir sem que me diga onde posso encontrar uma gramática pré 1911 para aprender a escrever como o Bic Laranja?

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  7. É isso mesmo. Não passam todos de mandaretes.
    Cumpts.

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  8. Glauco Mattoso publicou um «Tractado» sôbre o assumpto em 2011. Todavia, pode ser mais proveitoso ler a Camilliana em edições do séc. XIX e princípio do séc XX facultada pelo Archivo da rede (archive.org). Quem diz Camillo diz Eça ou até Machado de Assis nas ediçoes gratuitas para o Kindle disponíveis na Amazon.
    Cumpts.

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  9. Obrigada pela pronta resposta...

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