Em cada dia há um capítulo no folhetim das novidades muito bem servido de sermão e homilia nos cabelleireiros da moda onde nos arranjam a cabeça (leia-se crespos, judites, farias, &c.). No dia seguinte viram a página e mudam o capítulo.
Hoje a missa foi a restructuração da dívida soberana (soberana?!), proposta e roborada por um bando de fidalgos da nossa república – «notaveis» é como lhe chamam, subentendendo-se o substantivo «cidadãos».
O diagnóstico que faço a partir da designação de catálogo na imprensa – «restructuração» – remette-me á noção de structura, os fundamentos, da dívida. Ora mexer na dicta dívida pelas fundações é, como imaginaes, revolver este nosso regimen festivo a la Parque Escolar, mai-la democratica côrte de cidadãos fidalgos n’elle alapados. O caso é, pois, que restructurar a dívida é restructurar o regimen, e, restructurar o regimen é … restructurar a fidalguia que n’elle se sacia emquanto me vae fallando na restructuração dos males.
Não sahimos d’isto!
Mais prova da estupidez em acção a que estamos entregues tiro-a do badalar indistincto entre «restructuração» e «renegociação» da dívida. A linguagem é pouco rigorosa mas illustrativa. Para começar os prefixos re-, re- a cada mézinha annunciada dizem de quanto se perdem por ahi os «notaveis» a repisar os mesmos problemas sem os nunca haverem de resolver. – Não sahiremos d’isto, é bom de ver. – Por fim vem de tudo mais que, sendo «restructurar» aquella pescadinha de rabo na bocca que já disse, e «renegociar» mero negócio, o negócio não passará afinal de… mais crédito – em prestações suavizadas ou com desconto no juro, mas mais crédito – para continuarem ahi alapados ao regimen os taes «notaveis», emquanto vão propondo restructurações como panacea da sua incompetente ladroagem.
Nada d'isto já leva emenda.
Irmãos Metralha em GP Desenhos.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Notaveis incapazes
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sinceramente, mas valia Portugal sair do euro
ResponderEliminarMais valia Portugal.
ResponderEliminarCumpts.
O Amigo tem razão. Portugal já acabou... Não digo que o ultimo a sair apague a luz porque está já foi vendida ao pc chinês.
ResponderEliminarAbraço amigo.
Não ha-de sobrar nada. Entregue o territorio vendido o reino, diluída a identidade, vai ja adeantado o ermamento para os senhores que haja de haver não toparem com viriatos nem tribos de Lusitanos.
ResponderEliminarCumpts.
A que eu acho (nada)graça é vamos negociare a restreturação da dívida...eles não tem autorisação de ir a casa de banho!Cambada de cow boys,que nem sabem montar a cavalo.
ResponderEliminarTem razão.. e é por isso que já começo a pensar seriamente em sair daqui... pois não sei se consigo ficar por cá e assistir a esta morte lenta... é muito doloroso.... dói muito, dói até na alma...
ResponderEliminarNo entanto, não quero ir sem que me diga onde posso encontrar uma gramática pré 1911 para aprender a escrever como o Bic Laranja?
É isso mesmo. Não passam todos de mandaretes.
ResponderEliminarCumpts.
Glauco Mattoso publicou um «Tractado» sôbre o assumpto em 2011. Todavia, pode ser mais proveitoso ler a Camilliana em edições do séc. XIX e princípio do séc XX facultada pelo Archivo da rede (archive.org). Quem diz Camillo diz Eça ou até Machado de Assis nas ediçoes gratuitas para o Kindle disponíveis na Amazon.
ResponderEliminarCumpts.
Tractado...
ResponderEliminarObrigada pela pronta resposta...
ResponderEliminar