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domingo, 12 de janeiro de 2014

Da livre e democrática América

 Há algum tempo li um artigo de opinião no Público em que o autor referia uma entrevista do Dr. Salazar ao jornal Il Tempo de Roma. O artigo era não sei já sobre quê, mas não deixava de mencionar que a dita entrevista fora publicada com cortes no volume Entrevistas; 1960 -1966 (Coimbra Editora, 1967, pp. 101-109) que completa a colecção dos Discursos de Oliveira Salazar. -- Na altura perguntei-me se a menção à publicação parcial da entrevista em Portugal não seria uma alfinetada metida na censura do Estado Novo, coisa habitual na espuma jornalística que nos salpica os dias.
 Não sei se foi.

Oliveira Salazar, «Entrevistas, 1960-66», Coimbra Editora, 1967, p.101

 Conto aqui o caso porque o Estado Novo tem sempre as costas largas para tudo em que a imprensa actual resolva tachá-lo, mormente pela censura. Pois se a omissão das passagens em falta foi por censura oficial, bem mal o conseguiu com aquela nota dada ao leitor da data e do jornal que publicou integralmente a entrevista. -- Perante isto dir-me-ão muitos democráticos que o regime era tão nefando quanto á liberdade de imprensa, como estúpido em cerceá-la. -- É uma ideia que vai bem com a bazófia moralona dos arautos da democracia. Claro que, pela superioridade moral, ninguém os bate em razão. O curioso no arrazoado, porém, é que no tal volume de Entrevistas, o texto que antecede a entrevista de algumas passagens do Dr.. Salazar a Il Tempo de Roma é duma entrevista concedida á americana Life e que a revista publicou com algumas deturpações no número de 4 de Maio de 1962.
 
Na democrática e livre América a imprensa não censura nadinha; apenas deturpa as palavras dos outros.

7 comentários:

  1. Há uma frase atribuída ao magnata dos media norte-americano William Randolph Hearst, quando foi a Guerra Hispano-Americana ou uma das guerras das Bananas e que reza assim: Deem-me as fotos, que eu forneço a guerra" (tradução livre da citação feita pela personagem Elliot Carver, no filme 007, O Amanhã Nunca Morre; o papel foi desempenhado pelo actor britânico Jonathan Pryce)

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  2. Conversa entre censores
    http://www.rtp.pt/play/p1380/e140289/sons-de-abril

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  3. Percebem-se mal os censores. O que se percebe bem é a locutora de serviço sair-lhe logo um resultado para tão nefanda prática: «imensos córtes»; reflexo tão pavloviano que até a Helena Matos a houve de moderar com «alguns córtes».
    Mas o melhor de tudo é a publicidade aos berros a um hipermercado que tive de gramar como introdução a tão viçoso documento histórico. É ella (a publicidade) um documento ainda mais valioso; ensina-me o que são os hojes que cantam.
    Cumpts.

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  4. Marcos Pinho de Escobar15/1/14 19:59

    Como não sou democrata, para mim o assunto é muito simples: a Verdade tem todos os direitos, o erro não tem nenhum.
    Abraço amigo!

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  5. Fora do contexto.
    ---
    Foi de férias?:)
    Maria

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  6. Bic Laranja15/1/14 21:14

    Acabei de lhe responder.
    Cumpts. :)

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  7. Bic Laranja15/1/14 21:20

    Há aí muitos que confundem democracia com verdade. Vai daí rotulam-se democratas e cuidam-se donos dela.
    São espertos.
    Cumpts.

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