A Miranda nunca chegou comboio. O destino deixou o caminho de ferro aquém, nas Duas Igrejas, a salvo erro 8 km. Faltou-lhe este pedacinho assim.
O comboio entretanto acabou. Fechou. A linha incompleta foi desmantelada (quiçá pelo sucateiro Godinho), a estação foi abandonada e do descaso geral até os burros se quase extinguiram.
Quase. Faltou-lhe um pedacinho assim.
Um burro parece então que arrebitou as orelhas e se lembrou de fazer uma estrada. Para substituir o velho caminho de ferro (quase) até Miranda e valer à erma E.N. 221. Fez um moderno I.C. -- um I.C. 5 com concessionária de exploração e tudo. Mas um I.C. 5 com craveira modesta, com feitio de estrada nacional... 221: uma faixa para lá, uma faixa para cá.
Muito bem! Quem saia de Mogadouro para Miranda não acha auto-estrada, mas tem ali duas estradas de feitio nacional, iguaizinhas, uma daqui, outra dali -- paralelas; ambas com uma faixa para lá, outra para cá. Tão erma uma como ermada a outra. Claro que o I.C. é interdito a tractores de lavoura, motas Zundapp ou burricadas.
Pretensões de auto-estrada sem no ser?
Talvez.
Com subvenção à concessionária em função do lá-vai-um?
Não sei.
Certo é toda a sinalização rodoviária remeter o tráfego para o I.C. 5, tirando-o da E.N. 221... Mas não inteiramente. O I.C. 5 não esticou até Miranda. Ficou como o caminho de ferro, nas Duas Igrejas, a salvo erro 8 km. Faltou-lhe este pedacinho assim.
E.N. 221, km 0, Miranda, 2013.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Um pedacinho assim
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Anda a fugir-me o pé para tais paragens.
ResponderEliminarMuito do meu agrado no Verão de São Martinho.
Dias luminosos em paisagens limpas.
Pode ser que seja já amanhã...
Abraço
ResponderEliminarCumpts.
Portugal no seu pior
ResponderEliminarNão. No seu melhor.
ResponderEliminarCumpts.
“Faltou-lhe um pedacinho assim” diz o caro Bic.
ResponderEliminarSe calhar com mais justeza do que parece à primeira vista; se não, vejamos:
Em Alcácer-Quibir faltou “um pedacinho assim” para ganharmos e, por via disso, foi o que foi.
Em 1580 faltou “um pedacinho assim” para nos ser passada a certidão de óbito definitiva, mas resistimos.
Posteriormente, faltou “um pedacinho assim” para perdermos de vez o Império, mas recuperámo-lo na sua quase totalidade, após 1640.
Em 1974 faltou “um pedacinho assim” (50$00 por mês) para que os gloriosos militares de abril (não é engano, é apenas concordância formal) regressassem à “drôle de guerre” sem mais delongas.
Em Novembro de 1975 faltou “um pedacinho assim” para cairmos na esfera soviética, mas aguentámo-nos.
Em 2013 falta “um pedacinho assim” para o governo ser corrido à paulada (gente de coragem, estão a ver?).
Em 2014 falta “um pedacinho assim” para regressarmos a 1580; será que vamos arribar novamente? Haverá ele para aí escondidos uns conjurados do Séc. XXI que nos devolvam a dignidade? Já é tempo, apesar de estarmos a pouco mais de meio caminho.
Cumpts
Não há-de haver ninguém, cuido que lho já disse.
ResponderEliminarA piolheira descambou num canil.
Cumpts.