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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Para vergonha de servis e ilustração de ignorantes


 Há no A.O. de 1990, simultaneamente, servilismo e ignorância relativamente ao Brasil. Pois o diálogo luso-brasileiro é em grande parte um diálogo assimétrico. Ele situa-se num eixo que Eduardo Lourenço qualificou lapidarmente: «ressentimento e delírio». A maneira como nós vemos o Português é própria de um povo que fala e sempre falou a sua própria língua e a difundiu pelo mundo, o mundo de um «império» que no plano mítico-ideológico parece não ter terminado ainda. No Brasil, o  Português é a língua do colonizador. Não é, portanto, a mesma, nem poderia ser, a visão da «língua comum», pois os brasileiros parecem sobretudo interessados em acentuar divergências, quer na ortografia quer na sintaxe, afastando-se, muitas vezes conscientemente, da norma culta, procurando factores de diferenciação específica. O próprio preconceito brasileiro relativamente aos falares portugueses [é o] que se reflecte na legendagem de tudo o que é português no Brasil e, no plano da escrita, na tradução de livros ou de notícias de jornais portugueses [...]


José Paulo Vaz, «Ainda as facultitividades do Acordo Ortográfico de 1990 — algumas notas críticas», in A Folha. Boletim de Língua Portuguesa nas Instituições Europeias», n.º 40, Outono de 2012, p. 9, apud I.L.C., 10/II/2013.




Ilustração: Carlos Alberto, História de Portugal, 13ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, [s.l.], 1968.

4 comentários:

  1. Inspector Jaap19/11/13 12:24

    Um verdadeiro assombro, uma pérola, uma gema, este verbete; que lucidez e clarividência; um tratado de como dizer verdades universais e do tamanho do Universo, passe a eventual redundância, em tão poucas palavras… Só não vê quem é mesmo cego ou foi cegado por estultícia ou concupiscência pelo maldito dinheiro.
    Calorosos cumprimentos e obrigado, caro Bic, por trazê-lo à colação.

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  2. Bic Laranja20/11/13 08:15

    Cumpts. :)

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  3. http://www.youtube.com/watch?v=BnvKXzQDe64

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  4. Inspector Jaap22/11/13 18:14

    Não consegui ver mais do que 3 m, ou isso que é, de tão agoniado que fiquei… Fiquei, apesar de tudo, a saber que o Português, teve um estrangeiro qualquer que lhe deu alguma notoriedade; um tal (de) Camões, sabiam? De resto ele é só tupiniquim… e andam estes m...das a lamber o dito a estes gajos; não tarda veremos o malacaca a engraxar os sapatos aos faladores de tupiniquês quando cá vieram… «ca nojo».
    Cumpts

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