Os baixos relevos do ceramista Jorge Barradas na fonte monumental da Alameda começaram por ser coloridos (a estatuária medieval também o era). São alegorias ao trabalho; nelas achamos representadas as artes da lavoura, da pastorícia, da pesca, e trabalhos tradicionais das mulheres e dos homens.
Não conheço fotografias a côres destes baixos relevos, de quando ainda exibiam a policromia original. E cuido que poucos daquele tempo se recordam de os ver assim -- a minha mãe era desse tempo e não me recordo de me falar neles. — Só destas fotografias tive a noção de os relevos terem tido côr. Descorados passam mais desapercebidos e, com ele, também a tradicional divisão dos trabalhos; muitos já nem fazem ideia do que isso era e um punhado doutros, hoje, não deixará sequer que tal se sonhe senão para publicitar as trevas do passado. Disto ocorre-me que a policromia original daqueles baixos relevos diminuída hoje no monolítico cinzento das pedras é por si uma outra alegoria, moderníssima: a dos defensores acérrimos da neo-ortodoxia a que chamam polìticamente correcto.
Fotografias: Fonte Monumental, Alameda de Dom Afonso Henriques, c.1948.
Estúdio de Horácio de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.
(Revisto aos vinte para as oito da noite.)
Lindíssimos. Onde estão nos dias de hoje?
ResponderEliminarEstão lá.
ResponderEliminarCumpts.
Coloridos? Ora essa ! Como se fosse possível haver cor no cinzentismo da "longa noite".Não havia,mesmo na escola não usávamos os lápis Viarco que foram uma invenção da "madrugada libertadora".E cor na Idade Média? Nem pense! Foi uma "idade das trevas".Catedrais,gótico flamejante,vitrais,iluminuras,tudo produto da Revolução Francesa,antes é impossível.O mesmo diríamos do período trovadoresco,das Cantigas de Amor e de Amigo,da poesia dos Goliardos,tudo isto é já do Renascimento,se não é passa a ser.Tem que ser.
ResponderEliminarÁmen.
ResponderEliminarCumpts.
acho que existe uma parte do Photoshop que pega em escalas de cinzentos e transforma em cores, acho que numa loja de computadores lhe sabem informar se é possível colorir via informática estas mesmas fotos
ResponderEliminarDuvido do rigor dessa magia. Basta o fotógrafo ter usado um filtro de côr para baralhar a escala de cinzentos. Nestas o céu aparece em cinz muitto escuro, que pode indiciar filtro laranja ou encarnado.
ResponderEliminarMas é uma ideia, obrigado!
Cumpts.
Esta bendita fonte passa a vida sem água.
ResponderEliminarParece que em 48 também andava seca.
Enfim megalomanoas de Estado Novo com ranço.
A secura da fonte em 48, antes de a inaugurarem, dá agora nos cérebros. Uma aridez mental que provoca as miragens do ranço.
ResponderEliminarCumpts.
Ahahahahahaha!
ResponderEliminarMaria
Concordo a 200% com o seu último período; sorte a nossa desses desgraçados não terem sequer a capacidade intelectual para conseguirem apreender a beleza e o significado deles, pois de outro modo, quais «talibã» destruí-los-iam de imediato; pois mais alguma ideia consegue lugar ao sol naquelas almejantes mentes que a destruição pura e simples de tudo aquilo que ostente alguma beleza, erudição ou significado, tudo coisas que abominam?
ResponderEliminarCumpts
P.S. Mesmo «travestidos» de «Verdes» nem os jardins lhes escapam, como justamente realça.
Sim. Pode ser que se salvem pelo pouco caso que a ignorância geral faz destas coisas.
ResponderEliminarCumpts.