Acha-se esta publicada no Portugal Velho com um título meio sensacional, meio esquerdóide: A Vida num Bairro de Lata, Lisboa, 1972. -- Não ocorreu porem-lhe bairro de lata com vistas 5 estrelas, já que até deitava vista para o Sheraton? -- Havia de ser ironia refinada de mais, cuido. Ou de certo andarão as vistas mais fixas na lata do que nas estrelas...
Depois, lendo lá os comentários, entrevejo desnorte e palpites de subúrbio que não dão para localizar a cena senão num lugar-comum: o Terceiro Mundo. Do vulgar achismo palpitante tiro sòmente que os horizontes são bem mais curtos na classe média hodierna do que no dito bairro de lata lisboeta em 1972. Pelo meio daquele alvedrio de subúrbio sempre escapa alguém secamente a atinar com o Norte: Rua Barão [de] Sabrosa.
A final sempre era bairro, sim. Popular, não de lata. Se falamos de condições para a gente habitar, procurai o lugar no séc. XXI, a ver se lá mora hoje alguém em melhores condições do que no tempo do Terceiro Mundo.
Rua Barão de Sabrosa, 75-79, Alto do Pina, 1967.
Fotografias: Rui Trancoso (Portugal Velho) e Augusto de Jesus Fernandes (Arquivo Fotográfico da C.M.L.).
Coisa estranha. Diria a minha cabeça que não seria possível os dois edifícios - Imaviz e Sheraton - serem vistos desta forma. Parecendo que um mostra o alçado nascente* e outro o alçado norte*, lado a lado.
ResponderEliminarMas é. Há uma ilusão de óptica qualquer ditada pela distância que o torna possível.
Abraço
*
Um ângulo para mim habitual, de modo que me nunca fez espécie.
ResponderEliminarCumpts.
Mas será mesmo a dita Rua Barão de Sabrosa?? vendo no google esta rua nada parece com o que se vê na foto... e as habitações da rua parecem construções bem anteriores a 1972!! e também no google nao se vê á distancia o torre do " 5 Estrelas" ..... não será outra rua ... outro Bairro??
ResponderEliminarJá descobri ao certo a mesma perspectiva da imagem agora na actualidade!! sim... é na dita Rua Barão de Sabrosa.... mas num descampado que tem uns automóveis estacionados ... vê se bem as torres ao longe...
ResponderEliminarRemete esta nossa troca de impressões para um livro:
ResponderEliminar"A imagem da cidade" de Kevin Lynch.
Eu não diria, visto "daqui" que aquelas duas fachadas fazem entre si um ângulo recto. Antes me parecem paralelas.
(também vi ontem o actual panorama no Google Street View)
Abraço
O sítio a que se refere deve ser certamente a "Quinta da Argolinha".
ResponderEliminarNo fim dos anos 50, princípio dos 60, os habitantes das barracas entre a Praça Paiva Couceiro e o convento das Comendadeiras foram para terrenos entre a Barão de Saborosa e a Picheleira.
Foi um despejo colectivo da CML (O brigadeiro entrou em funções).
Se me recordo bem tinha um acesso pela rua do Sol a Chelas.
Apanhando o autocarro n° 11 vindo de Sapadores para a Picheleira nem se via nada desse bairro de lata que finalmente era equivalente ao outro.
Cumprimentos
José
Compreendo. E é-me possível agora ver essas fachadas paralelas. Antes a sugestão da vista só o hábito de ver 'daqui'. Vistas curtas, se me entende...
ResponderEliminar:)
Cumpts.
Descobriu um mirante mais acima. Bom trabalho.
ResponderEliminarCumpts.
A quinta que tinha acesso pela Rua do Sol a Chelas era a Curraleira. A cena aqui é o n.º 75 da Barão de Sabrosa, cujas traseiras são sobranceiras à Rua do Actor Vale.
ResponderEliminarMas já me deu essa novidade das barracas na Paiva Couceiro.
Cumpts.
Olhares diferentes, de pessoas diferentes, com experiências diferentes.
ResponderEliminarEu é que estaria equivocado se insistisse no paralelismo das fachadas.
É uma tomada de vistas curiosa.
Hei-de medir o ângulo que o olhar da lente faz com cada um dos alçados. Diz-me que é tirada passando aquele portão para dentro.
Abraço
Tudo indica que sim.
ResponderEliminarCumpts.