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sexta-feira, 8 de março de 2013

A loiça das Caldas e o caco gráfico

Loiça das Caldas (in C.M. das Caldas da Rainha)



Câmara das Caldas abandona novo acordo ortográfico a partir da próxima semana.

  O executivo da Câmara de Caldas da Rainha, aprovou, por unanimidade, na reunião de segunda-feira passada, a adopção do antigo acordo ortográfico, justificando a decisão com o facto de a maioria dos Países de Língua Oficial Portuguesa (P.A.L.O.P.) não terem ainda optado pelo novo acordo. Tinta Ferreira, vice-presidente da autarquia caldense, explica que a decisão de retomar o antigo acordo ortográfico estava a ser estudada há [
i.e. havia] algum tempo e foi concretizada na última reunião.
  «Não faz sentido estarmos a escrever com o novo acordo, quando há países de língua oficial portuguesa que ainda não o adoptaram. Na autarquia só usaremos o novo acordo quando formos obrigados por algumas instituições ou para publicações em Diário da República», refere o vice-presidente da autarquia e cabeça de lista do P.S.D. à presidência da Câmara de Caldas da Rainha nas eleições autárquicas deste ano.


Mário Pinto / Lusa, in Jornal de Leiria, 6/III/2013.



(O respeito pelos leitores impede-me de apresentar a peça das Caldas mais adequada ao caco gráfico.)

4 comentários:

  1. Anónimo9/3/13 18:17

    Bravo, Câmara das (de) Caldas da Raínha! Assim é que se fala/escreve! Com esta corajosa tomada de posição contra-a-corrente, a vossa Câmara está a fazer História. Só lhes ficaria bem se todas as restantes Câmaras do país seguissem o vosso patriótico exemplo.
    Maria

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  2. Poderei estar a ser injusto e a esquecer o princípio de que se deve dar sempre, à outra parte num diferendo, a oportunidade de salvar a face e de corrigir a sua posição sem ter que admitir expressamente que errou (como se reconhecer um erro fosse humilhante e não um gesto de nobreza...), mas, vejamos, porque alterou a Câmara Municipal das Caldas da Rainha a sua posição?

    Por constatar que o AO90 de facto não vigora na ordem jurídica portuguesa - já que uma resolução não revoga um decreto-lei (coisa que um mediano aluno do primeiro ano de Direito saberá, para vergonha dos batalhões de juristas entre governantes, deputados e, como agora se diz, "fazedores de opinião") - e portanto não faz sequer o menor sentido chamar "antigo acordo ortográfico" ao que de facto tem entre nós força de lei?

    Por entender que o AO90 é, como tão largamente demonstrado, indefensável no plano científico e que, além e antes disso, a língua de uma nação é demasiado importante como seu factor de identidade, de alicerce histórico, para ser deixada às mãos de lunáticos que confessam agir guiados por inalcançáveis (e indesejáveis) objectivos de uniformização e interesses políticos descaradamente prejudiciais para Portugal?

    Nada disso. O regresso à ortografia que nunca deixou de ser a vigente faz-se porque a maioria dos P.A.L.O.P . ainda (ainda, note-se) não adoptou o AO90 . Ou seja a tirania dos números não só não é questionada como a ela se professa submissão.

    É de facto triste ler os editoriais do Jornal de Angola, arrasando Portugal com a vingativa arrogância do ex-colonizado que se vê na mó de cima perante o ex-colonizador, escritos num português irrepreensível, culto, orgulhoso como por cá vai sendo raro encontrar.

    Como triste é encontrar em Portugal quem, afinal, se preste a abastardar o seu idioma se o simples argumento aritmético, de milhões de gente essencialmente inculta, assim o ditar. Porque esse é também um argumento dos acorditas.

    Invoquem-no, esse argumento, a um inglês, um francês ou um espanhol (um castelhano, seja) e verão qual a resposta...

    Registo a decisão da Câmara das Caldas. Mas não a posso em consciência, e pela argumentação invocada (pois nada tem de respeito pela língua portuguesa), festejar.

    Costa

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  3. Em bom rigor, os argumentos não são os mais sólidos, é verdade. São os mesmos que deu a Câmara da Covilhã e, em relação ao descaso jurídico e moral que é o caco gráfico, são mais do que bastantes. Mais do que os argumentos, regista-se o regresso à boa ordem. É mais significativo deste episódio. Aguardemos que mais se sigam.
    Cumpts.

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