Vê-se hoje em dia muita coisa «de excelência». Coisas excelentes é outra
conversa, mas «de excelência»…
Bom! O Guglo dá hoje
treze milhões e duzentos mil resultados «de excelência». Empresas e centros «de excelência» (incluí pólos,
campi
e regiões inteiras também) é o mais que se queira e, como não se quer mais
nada, o caso é que as «perfeitas» condições «de excelência» ao dispor são
corolário dos frutíferos modelos «de excelência» que se propagam como coelhos.
O resultado são ninhadas [de] produtos e serviços «de excelência».
É toda uma
cultura; é toda uma civilização.
Com isto a excelência deu em low cost
e, como tudo o que é demais, enjoou. — A quantos não satisfariam mais
naturalmente quaisquer bons produtos ou serviços (olhai, o Serviço Nacional de
Saúde «de excelência», p. ex.) do que toda essa banha da cobra rotulada,
homologada e certificada «de excelência»?
Ou que dizer daqueles «S. Exc.ª
isto» ou «Vossa Exc.ª , sr. deputado, aquilo» que ressoam amiúde dos lados de
S. Bento, a julgar do (pouco) subtil agravo ao interlocutor posto em tão
deferente tratamento?...
Veio-me isto a propósito dum «optimizado», que
é outro chavão corriqueiro para definir inúmeros trabalhinhos que levamos a
cabo a cada dia com os conhecidos resultados «de excelência».
O que me quer
que surja «de excelência» causa-me má impressão, dá-me brotoeja, e não consigo
metê-lo em texto que redija. De modo que me lá resigno ao «optimizado».
Sucedeu-me ter tido hoje de redigir algo que havia fatalmente de cair nas
garras dum revisor acordita. Era certo e sabido que o
«optimizado» acabaria mal... Pois acabou, «de
excelência».
(Vale-me de que a redacção também era do género
para quem é bacalhau basta.)
(Imagem in «Acçoriano» Oriental, numa qualquer notícia de querer o arquipélago ser destino «de excelência».)
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Do «...trabalho optimizado [i.é, 'de excelência'].»
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
"Com isto a excelência deu em low cost..."
ResponderEliminarAhahahaha!
Maria
"Excelência" é precisamente do mesmo tipo de aleivosia que é dizerem-me que um laboratório, ou outra empresa, é certificada pelas normas ISO qualquer coisa.
ResponderEliminarQuem for BOM não precisa de certificações. Até porque estas são feitas por reles MEDÍOCRES.
Quis custodiet ipsos custodes?
Não sei se o Latim está correcto...
Abraço do eao
:) Cumpts.
ResponderEliminarA «excelência» é mesmo isso: meia dúzia de parâmetros tipificados num manual de produção sem o qual nenhum trabalho pode ser tido por aceitável. Por melhor que seja.
ResponderEliminarA garantia de qualidade para quem passa certificações há-de recuar à causa primeira. Como primeiro do que tudo havia Deus, deve vir daí.
Cumpts.