Um fulano lá da rua de cima que já me não lembra nome, um motoqueiro do género brutamontes, costumava dizer com gestos largos: -- O Correio da Manhã?! O Correio da Manhã é aquele jornal que dá a notícia do cabo-verdiano que matou o irmão à facada e depois põe uma fotografia de onde o cabo-verdiano ia cagar.
Foi a melhor definição do Correio da Manhã que já ouvi.
O Correio da Manhã sobraçou há muito o desconchavo ortográfico. Cedo deu notícia que a seu tempo lá havia de submergir os seus leitores. Entretanto pôs-se manso, andou por aí mudo e quedo a prepará-la. Por isso se lhe nunca vislumbrou a menor centelha de condenação da tonga da mironga do cabuletê. Uma atitude muito própria das rolhas, que vogam placidamente à tona nas torrentes mais lamacentas. Pode ser rolha o que ali vai, mas ainda assim parece estranha a longa inércia e a aparente falta de oportunidade. -- Então logo isto agora, quando o Brasil se adianta para quebrar os trautos?!...
Pois é! E ele escreve-se em murais rádioeléctricos da moda que o patrão do pasquim por excelência das histórias de faca e alguidar se perfila para abocanhar a brasileiresca R.T.P.. Ao depois, como o liquidatário é o doutor Gramados, afamado confrade aventaleiro e sabujíssimo homem de Letras simplificadas...
Verosímil. Mas, como disse, a folha das pasquinadas de faca e alguidar de há muito que sobraçou (e finalmente abraçou; mesmo fora de tempo) a lição do facultativo Malaka. As rolhas são mesmo assim, vão conforme a maré lhes arrima. Quando a recauchutada ortografia brasileira da moda tornar para os seringais hei-de ver então o director Otávio Octávio (deve ter apanhado na corneta que se fartou, na escola primária, por não saber escrever o nome) com um ainda mais formoso ramalhete de explicações do que aquele que agora compôs a explicar a inexplicável «facultatividade ortográfica» (uma contradição de termos) optando por manter [a redacção] tal como na «escrita antiga». Optou, por conseguinte, por «manter» (!) a escrita aspeto, cato, carateres, conceção, receção e setor, recusando decididamente escrever pára sem acento (apesar de tal não ser facultativo) e afirmando virilmente que prefere fêmea a uma qualquer ilusória -- possivelmente presidenta -- fémea.
-- É de homem Otávio! Mas não vai lá vossemecê a entender, homem, que assim desta maneira é como mais rescende a otário?...
Enfim!...
(Imagem adaptada.)
as vezes tenho vontade de lhe botar uns likes, qual facebook!
ResponderEliminarObrigado!
ResponderEliminarCumpts.
Caro Bic :
ResponderEliminarÉ o delirium tremens » em todo o seu esplendor; não tarda, se o exemplo frutificar entre o resto do papel higiénico impresso que por cá pulula, teremos um lugar no Guiness como o país que mais línguas oficiais tem… Grotesco!
Votos de um óptimo fim-de-semana
Lhe, a quem?
ResponderEliminarCumpts
Qualitativamente a perda aqui é menor. Mas ele é nunca desistir. Esta semana proscrevi o Nescafé e reclamei nos merceeiros-móres. Qualquer dia encrenco a «faturação» da E.P.A.L. -- 26 erros de português em duas págs. A4?!
ResponderEliminarCumpts.
Deixei de ler o CM no dia em que me deparei com o acordês.
ResponderEliminarHá muito que já mando às malvas productos e serviços que me cravam nos olhos a choldra metabrasileira. Reparo com grande satisfação que para aí há muitos dignos resistentes.
ResponderEliminarAbraço amigo!
Nescafé: A propósito disso, há dias também me deparei com uma publicidade electrónica numa estação do Metro do Porto em que uma qualquer marca propagandeava que as suas máquinas faziam o melhor café «espresso» do mundo ou coisa que o valha; quer melhor?
ResponderEliminarDaqui a mais 5 anitos, qualquer comum mortal em Portugal com menos de 40 anos, tem uma probabilidade altíssima, com o limite a tender para 1, de ser um analfabeto.
Quanto à E.P.A.L. (folgo em ver que há ainda quem se não tenha esquecido dos pontinhos) então a especialidade deles não é a água? Não admirar, pois, que «metam» tanta!
Deus Nosso Senhor nos valha, que a eles, nem sei.
Cumpts
«Espresso» é à italiana. Mas não tardará...
ResponderEliminarA razão foi o rótulo dizer duma rasca «sele[c]ção» de cafés. -- À pata que o pôs! Já transmiti à Delta que ganharam um freguês. Assim saibam eles mantê-lo...
E, mas claro! As siglas requerem pontos de abreviação. E deviam descodificar-se na leitura, não enunciarem-se como nomes (tantas vezes cacofónicos).
Cumpts.
Nobre atitude. É bom que se saiba.
ResponderEliminarCumpts.
É a única forma. Querem-nos desapossar, já não do que temos, mas da identidade, do que somos.
ResponderEliminarCumpts.
Essa não é uma doença/mania dos amaricanos » que estas bestas, servil, canina (que me perdoem os nobres animais) e grotescamente «importam» para cá, sem mais aquelas?
ResponderEliminarCumpts
Sim. E preguiça. Muita.
ResponderEliminarCumpts.
Mudaram-lhe o nome
ResponderEliminarhttp://ocupome.blogspot.pt/2013/01/prenda-os-senhor-guarda.html
Não é nobre, porque é visceral: não consigo, faz-me mal ao fígado, ou à vesícula, uma dessas vísceras. Por isso, por uma questão de saúde, não compro qualquer jornal ou publicação que mutile o português.
ResponderEliminarQuando não sei e leio, paro na primeira palavra truncada.
Sucede o mesmo comigo. É boa higiene preservarmo-nos de maleitas.
ResponderEliminarCumpts.
Coitado.
ResponderEliminarCumpts.
Justamente!
ResponderEliminarOlhe, já ouvi pronunciar A.D.S.L. como «há-de se le».
não é isto uma doçura? E o que mais adiante se verá.
Cumpts
Só por isso?
ResponderEliminarE já o ouviram gaguejar (o Octávio)? vale a pena, gagueja como escreve...
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