O confrade Manuel do H Gasolim Ultramarino primeiro sugeriu a hipótese — Sanatório Vasconcelos Porto em São Brás de Alportel —; ao depois deixou de ter dúvidas e eu também. Devo-lhe este deslinde.
Não conheço o lugar do sanatório (Almargens, São Brás de Alportel), mas das imagens, descontando a galeria em ferro que é a varanda, olhe-se a fachada: uma ala corrida e um corpo lateral com frontão; contem-se as portas e as janelas... — É, não é?...
Não convencido?
Note o benévolo leitor a assimetria entre a 2.ª, 3.ª e 4.ª portas (1.º andar) a contar da esquerda; há só uma janela de intervalo entre elas; nas restantes, há duas. Comparando, as imagens batem certas.
O sanatório de Carlos Vasconcelos Porto foi inaugurado em 1918 para tratamento dos tuberculosos dos caminhos de ferro do Estado. Diz que o projecto, porém, é de 1928 (!), do arquitecto Carlos Chambers Ramos, afamado autor do Pavilhão de Rádio do Instituto da Palhavã (cf. S.I.P.A., Sanatório de S. Brás de Alportel). A construção segundo este projecto foi em 1931, com alterações em 1954. Não sei bem o que existiu entre 18 e 28. Talvez o mesmo casarão sem Le Corbusier nem teorias da «arquitectura do racionalismo internacional»...
Na fotografia sem legenda o casarão não tinha a varanda. No Guia de Portugal (vol. II, 1.ª ed., 1927, pp. 242), Raul Proença descreve-no-lo com instalações medíocres (tem apenas alojamento para 22 doentes), mas excepcionais as condições de abrigo em que se encontra, oscilando sempre a temperatura interna no sanatório entre 15º e 25º. Da varanda [sublinhado meu] belas vistas sobre Farrobo e Alportel. - Na enciclopédia livre tem o benévolo leitor um verbete razoável com a cronologia do sanatório.
De Raul Proença tiro que em 1927 havia uma varanda. A imagem do motociclista não na mostra. Faria sentido aquele casarão sem varanda? — Calhando, não. Calhando, a fotografia é do casarão inacabado. Se ele vem de 1918 temos uma data; se só vem do projecto do arq.º Carlos Ramos, temos um intervalo (1928-31). Não sei que diga.
Com isto, pois, temos a geografia certa e uma profusão de datas para uma fotografia sem legenda perdida na Torre do Tombo. Perguntava-me o confrade Manuel se se podia situar o ponto donde ela foi tirada. Sim, não há-de ser difícil. Mais trabalhoso será, porém, saber quem era o motociclista; só talvez folheando «O Século» de 1918 a... 1931? Por isso a fotografia de há dias ainda vai sem legenda.
(Os postais aqui são do Profe 2000.)
Vamos então a isso!
ResponderEliminarA deslindar o resto - nomes e moradas dos quatro retratados! :)
Abraço
Cinco, perdão.
ResponderEliminarFaltava o peão.
Faltava o peão.
ResponderEliminarVamos pois.
ResponderEliminarCumpts. :)
Sobre este sanatório deve ler o livro editado pela D. Quixote em 2006, que explicará todas as alterações arquitectónicas que sofreu, a varanda já é projecto do sanatório e não do casarão de família, edifico original que sofreu alterações para a sua transformação em sanatório(inaugurado a 8.09.2018)
ResponderEliminarLapso na data 1918
ResponderEliminarGrato pela indicação.
ResponderEliminarFeliz 2013.
Relativamente à possibilidade desta imagem ser do Sanatório Carlos Vasconcelos Porto, ela deverá ser anterior à sua inauguração, pois na imagem visível na Revista de Turismo de 20 de [Setembro] de 1918, pág.43-44 (consultar a hemeroteca digital da Câmara de Lisboa), pode verificar-se que a varanda já está construída.
ResponderEliminarA estrutura assemelha-se à do Sanatório, mas anterior à construção da varanda, que foi construída com vigas (não sei se é este o nome [correcto]) em ferro dos carris dos ]caminhos-de-ferro].
(De Cristina a 5 de Janeiro de 2013 às 00:02)
Interessante artigo, muito obrigado. Fica esclarecido que o projecto inicial do sanatório é do Eng.º José Abecassis e a execução da obra em 1918 é do Sr. . Eduardo Garrido. O seu mentor, naturalmente, Carlos Vasconcelos Porto.
ResponderEliminarA fotografia do casarão sem a varanda é porventura anterior à instituição do sanatório. O motociclista com o «side-car» pode relacionar-se com os alvores da obra do sanatório ou com os donos anteriores do casarão, se os houve.
Fica a ligação directa ao artigo da «Revista de Turismo».
Muito obrigado! :)