Contou-me o meu irmão que a primeira vez que viu o Areeiro, pelos meados dos anos 60, ficou deslumbrado. Parece-me que se tresmalhou para ali com uma tropa de mini-aventureiros. Nunca vira nada como aquela praça e aquilo impressionava. Cuido que não fosse para menos.
Confessso que me não recordo das minhas primeiras impressões da Praça do Areeiro. Estou a tentar recordar-me; deve ter sido numa daquelas idas ao Nutripolo que rocei primeiramente o lugar mas daí não forjei uma memória que sobrevivesse como a primeira. Costumava a minha mãe atalhar caminho para o apeadeiro marginando a praça pela Rua Alves Torgo; poderá tal ter-me fintado uma primeira impressão forte dos arranha-céus pelo esbatido do semi-arrabalde donde me fora primeiramente dado vê-los? Ou terá sido de ter crescido com televisão e com imagens vulgares de cidades cujos arranha-céus de longe ultrapassavam a dúzia de andares do Areeiro?
De toda a maneira, e isto no neu tempo, o Areeiro ainda era um limite muito marcado da cidade; não já para Norte, como no tempo de a minha mãe contar que Lisboa terminava no Areeiro, mas para Nascente isso era notório. E vê-se...
Panorâmica de Alvalade [sobre o Areeiro], Lisboa, 196...
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Nota: numa Vista Aérea do Areeiro publicada aqui no blogo em 6 de Agosto pode o benévolo leitor apreciar uma ampla perspectiva desde o lado oposto; muito mais ampla agora do que então por ter eu obtido no arquivo municipal uma fotografia de muito maior resolução; se lhe interessam estas novidades antigas, não deixe o benévolo leitor de clicar lá na fotografia.
não me lembro desse supermercado, confesso.
ResponderEliminarmas havia um nutripol na parada do alto de são joão que até tinha um reclamo luminoso que se via do cimo das escadinhas da perry vidal.
lembras-te?
Não. Se não era isso pelos anos de 73-74 não era o mesmo.
ResponderEliminarUm dos aventureiros que ia na pandilha com o meu irmão era o teu primo Luís.
Abraço.
Tão interessante essa reacção que conta! Que idade tinha o seu irmão e em que ano seria? E há quanto tempo vivia ele em Lisboa quando viu o Areeiro?
ResponderEliminarSe acha este perguntar uma devassa demasiada, responda por alto.
Ainda me lembro que a minha tia mais velha dizia que o prédio a norte era o arranha-céus do Areeiro!
ResponderEliminarSeis ou sete, foi pelo meado dos anos sessenta. Viveu sempre em Lisboa mas não se tresmalhava muito para ali.
ResponderEliminarCumpts.
E ainda é. A praça do Areeiro é que não é já a mesma coisa...
ResponderEliminarCumpts.
É dificil de conceber que não passasse por lá! Hoje seria quase impossível. Quando à sua (e creio que minha) geração, tem razão: ficámos blasés, por causa da televisão.
ResponderEliminarNão é. A cidade pendia para a baixa e nisso o Areeiro era andar para trás. Alvalade tinha mais de subúrbio. Se notou, os autocarros e eléctricos do tempo irradiavam praticamente todos da baixa.
ResponderEliminarCumpts.