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sábado, 27 de agosto de 2011

O artolas

 Ouvi ontem um artista na telefonia. Entrevistado, dizia que a quinta essência da criação artistica para si era «a inovação». — A inovação? Cuidava eu que fosse isto coisa de inventores ou treta de vendilhões, e que a Arte tendesse para o Belo... — Mas o artista é um intelectual. Frisou ele que, e bem, há maus exemplos de inovação. O jornalista pediu um.
 Resposta pronta: — «O fascismo.»
 Imediatamente o jornalista: — «Mas isso não é arte!»
 Não se ficou o nosso artista e foi buscar o caso daqueloutro que expôs um cão vivo preso por uma corda a morrer à fome. Que sim, «aquilo era inovação mas era imbecil».
 Como foi que a artística razão do entrevistado cedeu aqui ao horrível devaneio do simples senso comum ainda estou para perceber, porque a seguir o jornalista (naturalmente embalado no aparente senso comum do artista) saiu-
-se-lhe a corroborar com o descabelado exemplo dum artista que se mutilasse - «que seria inovação do mesmo género» imbecil...
 Afinal não; para o nosso artista seria «inovação interessante». Mas falhou-lhe, é claro, a arte de o demonstrar, pois apenas concorreu com um exemplo desviado: o caso dum artista que enxertou uma orelha no braço. E digo desviado porque a orelha era de laboratório, não lhe havia sido cortada.
 Chego a pensar se isto com três orelhas me soaria bem. Mas não sou artista nem intelectual.


(Imagem do museu do circo.)

7 comentários:

  1. Estes artistas... falam, falam, mas não dizem nada.

    O que será que esse artista consideraria de uma certo busto que eu vi no jornal há uns dois anos??
    Era a cara do artista em questão feita de sangue do próprio artista. Ele andou a tirar sangue e a guardá-lo para fazer aquela coisa mai'linda!!! Com tanta gente a precisar de sangue para se curar e estes otários fazem desta coisas.

    Mais lhe digo... são mais artolas os que consideram essas coisas arte e chegam a pagar por salpicos de sangue numa tela... Só o nojo!!!! :|

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  2. Attenti al Gatti27/8/11 21:59

    Bom, pode-se sempre dizer que a obra de arte lhe saíu do corpo. Ou, dito de outra maneira, obrou bem.
    A.v.o.

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  3. São uns loucos ensimesmados. Sobra que a vampiresca tela desse se lava com água oxigenada, podendo servir para coisa melhor.
    Cumpts.

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  4. Obrou obrou. E pode sempre pô-lo numa gaiola e esperar que cante.
    Cumpts.

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  5. hehehehehe... maravilha!

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  6. João Amorim28/8/11 10:29

    Às vezes é preferivel nem ouvir este tipo de coisas, mas bem sabemos que o mundo está exertado de "artistas".

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