Hoje apanhei a carreira para o Areeiro e meti-me ao depois para apanhar metropolitano. Numa outra vez que fiz isto, na bilheteira do metropolitano não me venderam um bilhete porque o cartãozinho tinha carregada uma viagem da Carris. Como lhe contava assim a história ao jantar, admirou-se-me cá a senhora fitando-me intrigada. — "Devem ser sistemas informáticos muito avançados mas incompatíveis; o do Metropolitano e da Carris..."
Nessoutra vez não quis fazer mais caso e deixei o metropolitano para ir apanhar o autocarro. Agora, porém, quando me meti para apanhar o metropolitano e me lembrava disto ia descansado; não havia de suceder o mesmo, pois se já gastara a viagem de autocarro!...
Pois sim, mas a final de contas a empregada da bilheteira sai-se-me com outra:
— Cartão caducado; o sistema não deixa carregar.
— Então isso tem prazo como os iogurtes?!
— Um ano.
— Bem vejo. E para pagar uma viagem
...?
— ... Tem de comprar um cartão novo.
— Mas que grande negócio! E tal é o descaro. — Alguém atrás sorria-se.
Paguei o esbulho só para ter o elementar direito de comprar um reles bilhete de metropolitano (paguei o esbulho e paguei o bilhete) e segui. Já no caminho lembrou-me duma que ouvira... E então, na estação de destino, antes de sair, lá bati o cartãozinho com a respectiva factura na bilheteira. O meu sistema também não é compatível com a intrujice de só vender bilhetes de metro a quem compre, previamente e por prazo limitado, o direito de os poder comprar. Fiquem lá com o cartãozinho de volta. Ó para cá o dinheiro!
Metropolitano de Lisboa, Avenida, c. 1960.
Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
terça-feira, 26 de abril de 2011
Da intrujice sistémica
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Uma ideia de génio, não? A minha história mais jeitosa com esses belos cartões foi nos barcos para o Barreiro. A máquina não aceitava o cartão (que estava válido e não tinha qualquer bilhete dentro) e eu tinha que esperar que a bilheteira abrisse. A bilheteira abria às 8h15 e a essa hora eu devia estar na escola a estagiar...
ResponderEliminarPor causa disso comecei a ter quatro ou cinco cartões na carteira. Tinha que escrever em cada um em qual transporte me podia servir deles...
No entanto, o seu texto tem uma coisa boa. A imagem a ilustrar. É engraçado ir conhecendo uma cidade que já lá vai...
Saudações
O problema é que o meu amigo é um amante da língua portuguesa. Caso contrário, tinha resolvido todos os problemas adquirindo o cartão "zapping" que dá para a Carris e para o Metro. Não me pergunte se o cartão "zapping" tem prazo de validade superior a um ano, porque só estou em Lisboa há seis meses.
ResponderEliminarCaro Bic:
ResponderEliminarMais uma excelente fotografia a ilustrar uma saudosíssima época bem mais honesta e luminosa (a «longa noite» é a desta «democracia» bananóide e extorsionista), em que os serviços públicos eram para servir o público e não para se servirem dele, como acontece por todo o lado nesta cleptocracia ignóbil institucionalizada por decreto...
Cumprimentos.
Burocracia made in Portugal, quando os burros estão no poder fazem tudo para que os cavalos andem devagar, é o mundo virado de pernas para o ar os burros a tratarem os cavalos de burros.
ResponderEliminarTalvez a maneira como somos tratados tenha mais semelhança com as ovelhas, da lã , leite, depois de morto carne, e até é possível com os ossos se façam botões
Não há duvida...é culpa do Sócrates
ResponderEliminarPois nem assim essas empresas de transporte dão lucro, veja bem.
ResponderEliminarA imagem vale bem mais que o texto, sim; dá mais realce à intrujice dos dias que vivemos.
Cumpts.
Grato pelo conselho, mas a sua sugestão enferma dessa maravilha que é a caducidade. Além de ser, como o outro, condição prévia necessária para comprar um simples bilhete de autocarro. Que dirão os contitucionalistras ou a a brasileira DECO disto?
ResponderEliminarCumpts.
Valha-nos a fotografia que o resto não leva emenda.
ResponderEliminarCumpts.
Também o "zapping" tem prazo de validade de 1 ano.
ResponderEliminarNão dão lucro devido às enormes receitas utilizadas em proveito próprio das administrações e ao sabor do vento. Que por um acaso sopra sempre a favor dos mesmos.
Adoro a foto.
É continuar!
Se lhe parece.
ResponderEliminarCumpts.
Tem parecenças tem.
ResponderEliminarCumpts.
No que merece a pena, mérito do fotógrafo. O resto é esquecer.
ResponderEliminarCumpts.
Vade Metro, Satanás!
ResponderEliminarA.v.o.
Só se comprar o cartão que dá direito a comprar bilhete.
ResponderEliminarCumpts.