Existe alguma alternativa para acabar com aquele horror [o aborto gráfico] além da Iniciativa Legislativa de Cidadãos?
Não, não há.
[...]
A nossa língua-mãe, o Português, esse ser vivo antiquíssimo, com o seu tronco gigantesco, de casca rugosa e cheia de antigas e veneráveis cicatrizes; não permitiremos nem que o serrem pela base, separando-o da raiz como quem separa um corpo da sua cabeça, nem que lhe decepem os oito braços grandes, enormes, tão imponentes como os oito países que representam.
Aqui estamos e ficaremos, portanto, inamovíveis e determinados, lutando até ao limite das nossas forças por aquilo que é de todos e de que apenas uns poucos pretendem abrir mão.
Em suma, quer isto dizer que o prazo para recepção das subscrições da I.L.C. contra o AO90 prolonga-se até ao próximo dia 25 de Abril.
Teria graça! Ver a iniciativa ter êxito em 25 de Abril para cair no colo dos deputados em 26. Uma rica ironia para o pouco que eles fazem da gente.
O problema do purismo linguístico é que trata a língua como algo perfeito, acabado e, por consequência, inamovível e definitivo. Ora tratar um idioma assim foi, justamente, o erro dos que prepararam e subscreveram o acordo ortográfico. Este é um aborto, não por determinar que se escreva "fato" em vez de "facto" ou "ótimo" em vez de "óptimo", mas, simplesmente, porque é um acordo. A evolução de uma língua (no seu registo escrito ou oral) não se faz por decreto, não se legisla. O português há-de evoluir como tiver que evoluir e, certamente, de modo diferente em Portugal, no Brasil, em Angola ou em Moçambique. As realidades sociais de cada um destes campos do mundo são distintas e a língua tem que responder a essas realidades. Contudo, tentar prender a língua, fixando-a, num determinado contexto temporal, é apenas um despropósito. Seria como tentar que o latim fosse ainda hoje a língua única do Mediterrâneo. As línguas são livres. O seu curso não se detém com acordos ou petições contra os acordos.
ResponderEliminarO meu discurso anterior defende a língua como um produto natural, não controlável por nenhuma humana vontade. Dele não se segue que eu defenda que póssamos escrever e dezer tudo o que nos apetesse e que o mundo seria melhor se chega-se o dia em que não ouvesse regras.
O meu comentário anterior contém uma vírgula entre o predicado e o sujeito cuja colocação me devia condenar a repetir toda a 4.ªa classe.
ResponderEliminarPerfeitamente de acordo, Caro Funes. Aliás, posso-lhe afiançar que muitas grandes editoras portuguesas recusam textos na «novilíngua» acordada, pois acham que a sua ortografia se aproxima mais de um crioulo do que do Português.
ResponderEliminarAssim, quem escrever (escrevinhar seria um termo mais adequado) segundo «a cor do horto gráfico» (perdoe-me a brincadeira), fará figura de iletrado, de bárbaro, como o são os polítiqueiros que querem impor a degeneração da Língua por decreto...
Cumprimentos.
E falta um acento em "chegá-se o dia".
ResponderEliminarBom ano!
Pois é. Com esta gente, com tanta gente corajosa e persistente a apoiar a iniciativa... não há como desistir!
ResponderEliminarUm abraço de gratidão a todos aqueles que não se rendem à "apagada e vil tristeza" a que apenas alguns nos querem condenar.
Saúde!
Eu pergunto-me como será a vida dos professores (os que são contra o acordo) no próximo ano lectivo. São contra, mas tal aborto é-lhes imposto por decreto. Mesmo que queiram fugir ao sistema (que não me parece recomendável)... nem sequer os livros escolares permitem tal coisa...
ResponderEliminarCara Luís:
ResponderEliminarOs professores com coragem podem E DEVEM actuar contra este disparate. Aqueles que leccionam anos mais avançados, deverão dar a ortografia portuguesa correcta, chamando depois a atenção para a versão da «novilíngua» que os manuais querem impor, de preferência ridicularizando-a, assim como aos manuais, ligando-a aos odiados desgovernantes que a querem impor. Garanto que os alunos não se irão esquecer das duas formas... da correcta e da bárbara «modernista, laica e republicana»...
«Facto escreve-se com "c", mas os bárbaros iletrados da política querem que escrevamos "fato", pois já não sabem a diferença entre um caso ou acção e um fato de fazenda...»
Creio que a melhor actuação é denegrir a barbárie pelo ridículo, avisando os alunos que as provas de exame podem ter sido elaboradas por bárbaros e que convirá escreverem a gosto deles... Mas só aí!
É que, Cara Luísa, também fui professor, por largos anos...
Cumprimentos.
Cara Luísa:
ResponderEliminarO escrever depressa e irritado (com os bárbaros iletrados - se calhar é contagioso) dá nisto: falhou-me o «a» no Seu Nome. Perdoe-me.
Parece-me que o Carlos não percebeu o meu comentário.
ResponderEliminarConsidero que, com a situação actual em Portugal, não seja muito "saudável" os professores andarem a falar mal do acordo ortográfico na sala de aula. Eu acho que, se algum dia conseguir ser contratada, vou ficar a balançar entre o "idealismo" e o ordenado ao fim do mês. Mas será por pouco tempo, é que é um faCto que as consoantes ditas (erradamente) mudas e sem função não me enchem a barriga.
Não é necessário pedir desculpas. Pelo feminino de "Cara", percebi que foi uma gralha. :)
ResponderEliminarProvavelmente vão ter de se conter. Dependendo dos superiores, podem arranjar lenha para se queimarem. Ou no mínimo para se encalharem.
ResponderEliminarCumpts.
Eu sei bem, cara Luísa, que a situação actual em Portugal é só comparável à de uma república das bananas centro-africana, em que um soba e a sua corte de burgessos bolsa «diktats» absurdos e enche os bolsos descaradamente com o produto da rapina.
ResponderEliminarContudo, já tenho cãs brancas, e conheci outros tempos. Parece que, face à actual «democracia» a ditadura do Estado Novo era talvez mais... democrática! Ou talvez menos descaradamente desbragada.
Assim, conheci uma polícia política a sério, a PVDE/PIDE/DGS, e portanto este SIS a mando do bando do soba não passam de rufias de bairro em comparação.
Por isso, o não me calar, deixei de ser professor (não, não fui expulso nem suspenso do ensino, apenas me tentaram infernizar a vida com os usuais golpes baixos), mas fiz bons amigos entre os meus alunos e colegas. E foram centenas, os que não aderiram à neo-imbecilidade já então embrionária (não só no ensino do Português, mas também no da História e até no das Ciências exactas). Por isso valeu a pena.
Mas compreendo o seu receio. Só que a época não é para receios, pois quem se verga é esmagado por esta escumalha. É fazer-lhes frente, de todas as formas possíveis. É a Hora, como escrevia Fernando Pessoa.
Cumprimentos.
Resta esclarecer que a minha docência foi pós 25/4, e que o Estado Novo apenas me agraciou com vários prémios, enquanto estudante. Depois, vieram os abrileiros e estragaram tudo...
ResponderEliminarCumprimentos.
Caro Bic:
ResponderEliminarRespondi a isso acima, à Cara Luísa. É que nunca fui homem para me conter. Principalmente em relação a trogloditas que tomaram de assalto o Aparelho de Estado e os postos de chefia...
Mas compreendo que muitos se contenham, por receio de represálias, para poderem continuar - com dificuldade crescente - a sustentar casa e família. Mas também por isso os bárbaros conseguem esmagar Portugal. Porque não nos opomos a eles. E, sabe, viver assim não é viver. Tenho o dever de lutar, por Portugal e pelos meus filhos. Antes que seja demasiado tarde.
Cumprimentos.
Pense o confrade Funes se, com decretos que abrem a porta a traduções exóticas a preço da uva mijona vindas da banda dos trópicos, não sairá enviesado o natural curso do "produto" língua. Um exemplo: no´português brasileiro corrente, mesmo em traduções publicadas de reputados documentos jurídicos, escreve-se frequentemente "corte" e "corte suprema" para designar as formas portuguesas-brasileiras "tribunal" e "supremo/superior tribunal", apesar de a única corte que o Brasil conheceu ter sido a de D. João VI! (in Roque Dias, Ensaio sobre a Cegueira, logo ao fundo da pág. 2).
ResponderEliminarDou de barato que o Brasil até haja conhecido as cortes de D. Pedro I e II, que só reforça o argumento.
Cumpts.
Respondeu sim senhor. Eu é que leio agora.
ResponderEliminarE só temo que já seja, de facto, tarde. Não sobra nada do edifício. Isto que levam a cabo agora é tão só a remoção dos escombros.
Cumpts.
Obrigado. Oxalá a iniciativa seja coroada de êxito.
ResponderEliminarCumpts
Eu sempre fui dessa opinião, antes quebrar do que vergar. Mas... depois que acabei a faculdade e vi como é a vida "a sério", abrandei um pouco. É muito complicado andar à procura ou segurar um trabalho (qualquer um, mesmo sem ser a nossa profissão) e ser "contestatária" ao mesmo tempo. E não tenho filhos, nem casa para pagar ('infelizmente', com quase 30 anos, ainda vivo com os meus pais)!!
ResponderEliminarSituação normal, como a maioria dos nossos políticos , são uns ignorantes, é muito cansativo escrever português correcto, então toca de poupar nas letras para o teclado dos PC não se estragar. Pela mesma ocasião , aproveita-se para fazer dos portugueses uns analfabetos, depois no pais dos cegos quem tem um olho é rei, coisa que eles já são, visto que têm os mesmos o mais privilégios.
ResponderEliminarOs meus cumprimentos
Isto nem parece estar a acontecer. É imperativo abortar o aborto gráfico. É imperativo.
ResponderEliminarBom ano.
Caro Cabo Carvoeiro:
ResponderEliminarPor falar nos PCs, lembro que as primeiras tentativas de impor o «acordo» ortográfico esteve ligado - pelos finais da década de 1980, início da de 1990 - com um lobbying dos fabricantes de computadores pessoais para eliminar os teclados com acentos, cedilhas, etc., para além das páginas de código ASCII referentes a tais caracteres especiais (para optimizarem a produção e os lucros, está bem de ver) Os brasucas, sempre papalvos nestes assuntos, chegaram a impedir a venda de teclados para a língua portuguesa naquelas que foram as Terras de Vera Cruz. O caos instalou-se, e a maioria dos escritórios e editoras brasileiras em breve adoptaram um programinha, denominado «Fácil» que, por composição de teclas, formava os caracteres portugueses acentuados e o «Ç»... Era deselegante, trabalhoso, e deixaram-se disso.
Aqui em Portugal, na época, não se atreveram a ir tão longe...
Com este «acordo», é mais grave. Como o Caro Bic muito bem escreve, é absolutamente necessário estoirar com este aborto!
Cumprimentos.
De facto - de fato....só completo!
ResponderEliminarCump.
E com enorme barrete.
ResponderEliminarCumpts.