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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Miragens

 Tudo sumido até ao cinema Avis. Inclusive. Inclusive aquele palacete cujo frontão espreita por cima do eléctrico (e não sei agora se a casa que o antecede ainda lá está neste momento).
 É Lisboa seguindo a carreira do sumiço; a mesma do eléctrico 24 (acabou provisoriamente, li já não sei onde) e até do autocarro 16, que também levou sumiço do Arco do Cego. Esteve para acabar este Verão; de Benfica, queda-se afinal por São Sebastião, já não segue para o Chile.

Arco do cego, Lisboa (C.Leach, 1984)
Lisboa: - Siga aquele eléctrico!
, Arco do Cego, [1984].

Cristóvão Leach, in Busworld Photography.

17 comentários:

  1. André Santos26/8/10 03:29

    Da fotografia apenas resta o edificio estreito com varandas (logo após o AVIS) e os dois do fundo de 3 pisos, tudo o resto desapareceu.

    Por curiosidade, o eléctrico 321 começou a sua vida por ser um electrico tipo "salão" aberto, da serie 283-322 entrada ao serviço em 1902, que entre 1952 e 1955 recebeu uma nova carroçaria tipo "caixote" (a presente na foto), tendo sido aproveitado quase todo o equipamento mecanico e electrico do inicio do século.
    Em 1984 alguns componentes do elctrico 321 tinham 82 anos de serviço.

    Um abraço.

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  2. A própria rua (faixas de rodagem e passeios) também quase levaram sumiço à conta da extensão do metro. Quanto mais tempo ficará aquela Duque d'Ávila naquele estado?

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  3. Carlos Portugal26/8/10 18:19

    Caro Bic:

    É Lisboa que desaparece, para se tornar em mais uma subúrbia de qualquer coisa cinzenta e informe, cheia de mamarrachos minimalistas e horrendos, iguais a tantos outros em qualquer das metrópoles sem história do mundo.

    São os transportes públicos que desaparecem, com a «desculpa» insolente de que é para «melhorar a qualidade de serviço», e depois apregoam «dias sem carros», «ande de transportes públicos» e outras imbecilidades no género. Pois é, transportes públicos. Quais? Se cada vez existem menos? De bicicleta? Só um fanático da modalidade, com uma conta-corrente nos hospitais por quedas devidas a circular numa cidade como Lisboa. Então com chuva ou calor estival, deve ser uma delícia, não haja dúvida...

    Há muitos anos, na minha juventude, atrevi-me a experimentar andar de bicicleta por Roma (vivia então lá), que é, em muitos aspectos, semelhante a Lisboa (sete colinas, ruas calcetadas, etc.). Desisti ao terceiro dia, por motivos evidentes. Pois, em Roma, sê romano: comprei uma moto.

    E, ao menos, lá ainda mantêm a alma da cidade, não destruindo estupidamente o que faz parte integrante dela. O que aconteceria se substituíssem o Coliseu, a Praça Navona, o Fórum, etc. por «centros comerciais» ou edifícios de escritórios? Roma deixava de ser Roma, simplesmente. Deixava de ter interesse, pois perderia a alma.

    Mas estão a fazer isso com Lisboa, a nossa Lisboa...

    Cumprimentos.

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  4. Bic Laranja26/8/10 19:36

    Bem lembrado. Temo que as cicatrizes do Metro nos tenham deixado mais a avenida amputada. A auto-estrada da República e os dromedários das 'requalificações urbanísticas' não hão-de parir senão dois becos Duque de Ávila.
    Cumpts.

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  5. Bic Laranja26/8/10 19:43

    É verdade. A descaracterização de Lisboa é ditada por visões de subúrbio sem rasgo nem horizontes.
    A estimada Luísa que me perdoe por socorrer-me dela para exemplificar.
    http://nocturno-la.blogspot.com/2010/08/lisboa-moderna.html
    Cumpts.

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  6. Bic Laranja26/8/10 19:46

    Bem me parecia que asim era. E ao prédio estreito não sei se lhe não comeram o miolo para fazer 'lofts' ou algo do género...
    Muito interessante as notas sobre o eléctrico.
    Obrigado!

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  7. Carlos Portugal26/8/10 19:55

    Caro Bic:
    Que coisa horrenda! Bem os militares do antigo Depósito de Beirolas (o nome original do agora pomposo «Parque das Nações») chamavam à zona o «Aterro Tóxico nº1», pois durante mais de 60 anos foram despejadas para aquelas terras (em tanques de terra) lamas tóxicas da refinaria da Sacor e resíduos de explosivos, metais perigosos, combustíveis, óleos, etc., de Beirolas.

    Mas, o pior, é a intoxicação das mentalidades, que querem transformar toda uma cidade (ainda) linda e histórica como Lisboa num horror como o que a Cara Luísa retratou.

    Cumprimentos.

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  8. Bic Laranja26/8/10 21:47

    Pois!... Já sobra pouca...
    Cumpts.

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  9. Está para breve a reabertura total desta avenida. Talvez então o autocarro retome o seu trajecto, que dos eléctricos não acredito. Até porque já nem há cantenárias ou linhas!

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  10. ... nem veículos para o serviço.

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  11. Estou em choque... Lisboa é assim tão feia?!? Juro que nunca me tinha apercebido da monumentalidade da aberração... :S

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  12. Bic Laranja27/8/10 21:58

    Pois!... Já vê.
    Cumpts.

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  13. Bic Laranja27/8/10 22:03

    Houve anúncio disso. Muito requalificada com avantajada obra, que ela vai ser: pedonal e ciclística, como manda o figurino das modas.
    O 16 não volta. Quem quiser ir de Benfica ao Chile que dê umas voltas de Metro até lá chegar.
    Do eléctrico falta tudo menos a freguesia que haveria de ter.
    Cumpts.

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  14. Attenti al Gatti27/8/10 22:42

    Não quero ser iconoclasta mas, na infância, tinha um ódio de estimação aos électricos "caixote". Tinham as janelas muito altas. E nos atrelados ainda era pior. E era sempre para aí, por azar, que o meu pai embicava. Daí, que prefira vê-los no museu, que tería ficado muito bem na falecida Estação do Arco do Cego. Começava-se logo por evitar o triste esectáculo daquele car-barn a definhar, solitário e sem préstimo.
    A.v.o.

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  15. Iconoclastia é outra coisa (felizmente).
    Concordo consigo sobre os caixotes e sobre o museu.
    Cumpts.

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  16. Deixe-me acrescentar que o proprietário do retaurante 2 amazonas adquiriu o prédio estreito com varandas e remodelou-o segundo a traça original , sendo eu um dos orgulhosos proprietários dos ditos apartamentos e homenageio o espirito de recuperação , pois esta bodega de derrubar obras de arte para construir condominios ridiculos com garagem e segurança privada tem de acabar.Viva Lisboa rejuvenescida

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  17. Pessoas que recuperam como conta e que compram como fez devíamos ser mais.
    Grato pelo seu comentário.

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