Tudo sumido até ao cinema Avis. Inclusive. Inclusive aquele palacete cujo frontão espreita por cima do eléctrico (e não sei agora se a casa que o antecede ainda lá está neste momento).
É Lisboa seguindo a carreira do sumiço; a mesma do eléctrico 24 (acabou provisoriamente, li já não sei onde) e até do autocarro 16, que também levou sumiço do Arco do Cego. Esteve para acabar este Verão; de Benfica, queda-se afinal por São Sebastião, já não segue para o Chile.
Lisboa: - Siga aquele eléctrico!, Arco do Cego, [1984].
Cristóvão Leach, in Busworld Photography.
Da fotografia apenas resta o edificio estreito com varandas (logo após o AVIS) e os dois do fundo de 3 pisos, tudo o resto desapareceu.
ResponderEliminarPor curiosidade, o eléctrico 321 começou a sua vida por ser um electrico tipo "salão" aberto, da serie 283-322 entrada ao serviço em 1902, que entre 1952 e 1955 recebeu uma nova carroçaria tipo "caixote" (a presente na foto), tendo sido aproveitado quase todo o equipamento mecanico e electrico do inicio do século.
Em 1984 alguns componentes do elctrico 321 tinham 82 anos de serviço.
Um abraço.
A própria rua (faixas de rodagem e passeios) também quase levaram sumiço à conta da extensão do metro. Quanto mais tempo ficará aquela Duque d'Ávila naquele estado?
ResponderEliminarCaro Bic:
ResponderEliminarÉ Lisboa que desaparece, para se tornar em mais uma subúrbia de qualquer coisa cinzenta e informe, cheia de mamarrachos minimalistas e horrendos, iguais a tantos outros em qualquer das metrópoles sem história do mundo.
São os transportes públicos que desaparecem, com a «desculpa» insolente de que é para «melhorar a qualidade de serviço», e depois apregoam «dias sem carros», «ande de transportes públicos» e outras imbecilidades no género. Pois é, transportes públicos. Quais? Se cada vez existem menos? De bicicleta? Só um fanático da modalidade, com uma conta-corrente nos hospitais por quedas devidas a circular numa cidade como Lisboa. Então com chuva ou calor estival, deve ser uma delícia, não haja dúvida...
Há muitos anos, na minha juventude, atrevi-me a experimentar andar de bicicleta por Roma (vivia então lá), que é, em muitos aspectos, semelhante a Lisboa (sete colinas, ruas calcetadas, etc.). Desisti ao terceiro dia, por motivos evidentes. Pois, em Roma, sê romano: comprei uma moto.
E, ao menos, lá ainda mantêm a alma da cidade, não destruindo estupidamente o que faz parte integrante dela. O que aconteceria se substituíssem o Coliseu, a Praça Navona, o Fórum, etc. por «centros comerciais» ou edifícios de escritórios? Roma deixava de ser Roma, simplesmente. Deixava de ter interesse, pois perderia a alma.
Mas estão a fazer isso com Lisboa, a nossa Lisboa...
Cumprimentos.
Bem lembrado. Temo que as cicatrizes do Metro nos tenham deixado mais a avenida amputada. A auto-estrada da República e os dromedários das 'requalificações urbanísticas' não hão-de parir senão dois becos Duque de Ávila.
ResponderEliminarCumpts.
É verdade. A descaracterização de Lisboa é ditada por visões de subúrbio sem rasgo nem horizontes.
ResponderEliminarA estimada Luísa que me perdoe por socorrer-me dela para exemplificar.
http://nocturno-la.blogspot.com/2010/08/lisboa-moderna.html
Cumpts.
Bem me parecia que asim era. E ao prédio estreito não sei se lhe não comeram o miolo para fazer 'lofts' ou algo do género...
ResponderEliminarMuito interessante as notas sobre o eléctrico.
Obrigado!
Caro Bic:
ResponderEliminarQue coisa horrenda! Bem os militares do antigo Depósito de Beirolas (o nome original do agora pomposo «Parque das Nações») chamavam à zona o «Aterro Tóxico nº1», pois durante mais de 60 anos foram despejadas para aquelas terras (em tanques de terra) lamas tóxicas da refinaria da Sacor e resíduos de explosivos, metais perigosos, combustíveis, óleos, etc., de Beirolas.
Mas, o pior, é a intoxicação das mentalidades, que querem transformar toda uma cidade (ainda) linda e histórica como Lisboa num horror como o que a Cara Luísa retratou.
Cumprimentos.
Pois!... Já sobra pouca...
ResponderEliminarCumpts.
Está para breve a reabertura total desta avenida. Talvez então o autocarro retome o seu trajecto, que dos eléctricos não acredito. Até porque já nem há cantenárias ou linhas!
ResponderEliminar... nem veículos para o serviço.
ResponderEliminarEstou em choque... Lisboa é assim tão feia?!? Juro que nunca me tinha apercebido da monumentalidade da aberração... :S
ResponderEliminarPois!... Já vê.
ResponderEliminarCumpts.
Houve anúncio disso. Muito requalificada com avantajada obra, que ela vai ser: pedonal e ciclística, como manda o figurino das modas.
ResponderEliminarO 16 não volta. Quem quiser ir de Benfica ao Chile que dê umas voltas de Metro até lá chegar.
Do eléctrico falta tudo menos a freguesia que haveria de ter.
Cumpts.
Não quero ser iconoclasta mas, na infância, tinha um ódio de estimação aos électricos "caixote". Tinham as janelas muito altas. E nos atrelados ainda era pior. E era sempre para aí, por azar, que o meu pai embicava. Daí, que prefira vê-los no museu, que tería ficado muito bem na falecida Estação do Arco do Cego. Começava-se logo por evitar o triste esectáculo daquele car-barn a definhar, solitário e sem préstimo.
ResponderEliminarA.v.o.
Iconoclastia é outra coisa (felizmente).
ResponderEliminarConcordo consigo sobre os caixotes e sobre o museu.
Cumpts.
Deixe-me acrescentar que o proprietário do retaurante 2 amazonas adquiriu o prédio estreito com varandas e remodelou-o segundo a traça original , sendo eu um dos orgulhosos proprietários dos ditos apartamentos e homenageio o espirito de recuperação , pois esta bodega de derrubar obras de arte para construir condominios ridiculos com garagem e segurança privada tem de acabar.Viva Lisboa rejuvenescida
ResponderEliminarPessoas que recuperam como conta e que compram como fez devíamos ser mais.
ResponderEliminarGrato pelo seu comentário.