Há exactamente cinco anos publiquei um verbete "sem prédios" - uma ironiazinha sobre modos de edificar uma cidade, a propósito do assunto que devia ser candente na altura, a construção do novo aeroporto de Lisboa. - Pois bem, o que quero dizer não é sobre isso; é sobre a fotografia com que o ilustrei, cuja legenda tresladei do Arquivo Fotográfico da C.M.L. e cuja autoria é atribuída a Armando Serôdio com data de 1966. O autor até pode estar bem, caso tenha trabalhado no estúdio de Horácio de Novais na primeira metade dos anos 50, mas o ano está errado.
Dei-me conta que publiquei a mesma chapa em Maio passado numa prosápia balofa sobre os primórdios da Alameda, desta vez colhendo a imagem doutra fonte (Biblioteca de Arte da F.C.G.) com muito melhor qualidade. O que mostra deixa circunstanciar a data da fotografia pela primeira metade dos anos 50 (cf. Dois prédios na Alameda). E obriga-me a 'corrigir o tiro' no verbete de há cinco anos.
(Ficha do catálogo do A.F.C.M.L.)
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Acertando o tiro a uma chapa da Alameda
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Bem, por causa deste seu regresso ao meu tema preferido: reproduções de fotografias lindas, no caso da Alameda D. Afonso Henriques e arredores..., nem imagina o tempo que andei a percorrer o seu arquivo! Passei umas 2 horas pelo menos a ler uns poucos dos seus escritos antigos e respectivos comentários. Alguns textos ainda não tinha lido e outros, embora já os tivesse lido, repeti a dose! Estive um tempo imenso a matar saudades vendo e revendo as várias fotografias lindas da Alameda D. Afonso Henriques e avenidas que nela vão desembocar. As fotos aéreas (que desconhecia) e que apanham um pedaço da Alameda e da Almirante Reis, toda a Praceta João do Rio - onde vivi com um ano no nº 5, prédio situado no canto esquerdo da Praceta e com 2 anos no nº 9, situado no canto direito da mesma, depois até aos 5 na Av. da Igreja junto ao Campo Grande e dos 5 até à idade adulta (com várias estadias no estrangeiro, pelo meio) na Alm. Reis ligeiramente acima da Pastelaria Pão d'Açucar; aliás em toda essa zona: Alameda, Praceta João do Rio, Areeiro, Av. Guerra Junqueiro, Praça de Londres, Av. de Roma, etc., morou pràticamente toda a minha família mais próxima, como já havia escrito aqui anteriormente - e um pouco do Areeiro, ainda por construir, são um verdadeiro espanto! Depois fui ler todas as ligações que incluiu nestes textos! Nunca mais deixava de ver e rever as fotografias e de ler as respectivas ligações para localizar todos os prédios, padaria, Correios, Cinema Império, etc., que conhecia perfeitamente. Foi um nunca mais acabar de leitura, de encatamento e de gratíssimas recordações dos tempos em que havia planeamento e rigor nas edificações, beleza, equilíbrio e proporções correctas nos prédios, largueza e impecabilidade na traça das ruas, largos e avenidas, jardins e parques com arquitectura paisagística adequada e de linhas perfeitas, materiais nobres nas fachadas (janelas e portas) acabamentos em mármore no hall d'entrada e nas escadarias dos prédios ou, senão, em madeiras exóticas de enorme beleza), tudo isto encantava os próprios portugueses e os estrangeiros que nos visitavam e transmitia um enorme orgulho aos lisboetas. Em poucas palavras, dava gosto viver na Lisboa d'então: arejada, nobre e sobretudo asseada. Amava-se o país duma ponta à outra e sentíamo-nos felizes, orgulhosos e SEGUROS a viver em Portugal. Exactamente o contrário do que sucede de há muito tempo a esta parte, para mal de todos nós.
ResponderEliminarCumprimentos e mais uma vez parabéns por aquelas lindas imagens. E por todas as outras igualmente belíssimas com que volta e meia presenteia os seus leitores.
Maria
A parte da cidade edificada do Chile a Alvalade seguiu um plano muito bem feito e com o bom gosto que sabemos. Era uma maneira civilizada de fazer cidades para a vida que se levava, com padaria, correio, igrejas, cafés; hoje há coisa mais moderna...
ResponderEliminarEste seu comentário é muito gratificante, obrigado!
Cumpts.