Antigamente havia calceteiros. Endireitavam os passeios e eram 'tecnologia' suficiente para certa parvoíce e muito mais.
Cambada de gambostas!...
Praça do Areeiro, Lisboa, c. 1950.
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Por muitos méritos que a iniciativa pudesse ter, Bic, é tão mesquinha face às imensas necessidades de limpeza da nossa Lisboa e à dimensão das responsabilidades que incumbem à CML, nomeadamente no campo da reabilitação urbana, que cai, inevitavelmente, no ridículo. :-)
ResponderEliminarMeritório seria a Câmara preocupar-se em cuidar 1) dos mendigos e vagabundos, encaminhá-los, pô-los como calceteiros, jardineiros, arrumadores, almeidas, qualquer coisa válida; 2) dos passeios, dos arruamentos, dos jardins, das fontes e chafarizes, do lixo, do saneamento, do estacionamento, do trânsito, das casas e dos inquilinos que tem.
ResponderEliminarGambostas e girassóis são como sociedades de frente para o Tejo; é dar costas à cidade...
Cumpts.
E quem fala assim não é gago... essa tecnologia de ponta levada da Holanda... não deve ser aplicada por lá, nem por aqui, terra de Guilherme Tell... as pastilhas estão coladas em toda a parte. Os suíços dão mais importância a coisas maiores, a lixo maior. Por aqui, não é muito comum ver os jornais gratuitos a voar, já em Lisboa...
ResponderEliminarE há ainda outra coisa simpática, ou então não, depende da perspectiva... multas para quem atira para o chão "beatas" de cigarros, pastilhas elásticas ou cospe. São valores diferentes conforme o que é atirado ao chão, mas ajuda a reduzir a porcaria...
Este é o relvado do Areeiro como eu o conhecí nos primórdios da minha existência, à excepção dos recortes que, nessa altura, já estavam preenchidos com bancos de jardim. Foi nesta praça que o meu pai, num Domingo ao fim da tarde, aos comandos do A40, transportando a minha mãe ao lado e a mim e ao meu irmão no banco detrás entrou, na brása, bem na casa dos 20 à hora, provavelmente empolgado pela próximidade do lar. Ao passarmos mais ou menos onde está o autocarro, fiada na ligeireza da passada, cruzou a nossa marcha uma jovem, geitosinha, uma flausina, segundo os padrões da época. Mas, de repente estacou. Quería andar e não conseguía. O salto bico de cegonha do sapatinho domingueiro, tinha-se enfiado no empedrado, impedindo-lhe o andamento. Virou-se para o carro, de mãos estendidas e olhos esbugalhados, antecipando a marrada da protuberante grêlha cromada. O meu pai entesou-se todo contra o pedal do travão, cujos oito calços guincharam, protestando contra tão inusitada exigência, mas lá cumpriram a sua obrigação, imobilizando os dois mil e tal quilos de lhes estavam confiados, antes de haver estragos. No rescaldo, o meu pai, pálido, rosnou: "Andam práquí estas bestinhas..". E a minha mãe, solidária: "Francamente...". E a gente os dois, lá atrás, pianínhos, que aquílo não eram alturas para apartes parvos. Quanto à rapariga, lá conseguíu soltar o sapato à mão e, de pé descalço, dirigiu-se para o passeio, de olhos no chão e faces vermelhas, ignorando que tinha originado uma aventura que sería contada e recontada por muito tempo.
ResponderEliminarA.v.o.
ehehehe, adorei o termo gambostas. Vou roubá-lo e começar a usá-lo, se não se importa.
ResponderEliminarFique à vontade. Cumpts.
ResponderEliminar:) Cumpts.
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