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domingo, 14 de março de 2010

Excursão a Mafra

 Quando andei na escola primária houve uma excursão de um dia a Mafra. Mafra, Ericeira e Sintra. Estive vai não vai para não me deixarem ir por o meu irmão lhe ter dado a ciumeira e começado a reclamar. Na sua escola primária houvera anos antes uma excursão a um lugar longe também e o meu pai, por castigo (o meu irmão era uma peste) ou por lhe parecer alguma coisa menos bem, não o autorizara a ir. Mas não houve caso comigo e tive licença. Fomos em duas camionetas de carreira alugadas e não na habitual camioneta do clube lá do bairro, normalmente só requisitada pela escola da Câmara para as excursões em Lisboa.

Camionetas de carreira, Caneças (Soc. Arboricultora, Lda., s.d.)
Camionetas de carreira, Soc. Arborícultora, Lda. [?], [s.d.]
(Fórum Auto-Hoje)


 Ficou-me na memória esta excursão. Vim deslumbrado com o convento de Mafra; um paço real verdadeiramente majestoso. – Coisa de criança deslumbrada, dei em contar os degraus da escadaria nobre como que para lhe comprovar a grandeza: contei mais de cem!... – (Calhando em lá voltar e torno outra vez a contá-los.)
 Nesse passeio falhámos ao depois a Ericeira por nos havermos atrasado em Mafra, creio, mas passámos ainda no Sobreiro para conhecer a casa do mestre João Franco, que Deus tem. E seguimos para Sintra onde houve visita guiada ao paço da vila e onde aprendi sobre el-rei D. Afonso VI ter gasto o chão do quarto em voltas sobre voltas enquanto esteve lá preso pelo irmão.
 De Sintra nesse dia fiquei com a pena de não visitar a Pena e com  a estranheza de lá ver, a dado passo que parámos para merendar, um campo de futebol relvado (na época eram coisa só de clubes importantes, cuidava eu).
 De Mafra, já disse, trouxe um verdadeiro deslumbre com o convento e uma recordação barata; um postal colado numa tábua que os vendedores ambulantes tinham para os turistas. O postal guardou-mo a minha mãe cuidadosamente atrás do contador da água... e o deslumbre com o convento valeu-me – quem sabe se – o destino de cumprir 14 meses de tropa na Escola Prática de Infantaria...

Convento de Mafra (Ed. C.C.N.S. Socorro, 1972)
Convento de Mafra, 1972.
Ed. C. C. Nossa Senhora P. Socorro, in Os Meus Postais.

8 comentários:

  1. Attenti al Gatti14/3/10 16:34

    Sim, por estranho que pareça, a empresa de camionagem chama-se, efectivamente "Arboricultora". Tenho ideia que, a fazer juz ao nome, possuía viveiros alí para os lados do Estádio Nacional. Ao certo, sei que teve uma loja do ramo (ramos, neste caso) na Rua da Prata, logo ao início, do lado esquerdo, pouco antes do café restaurante "Caracol", onde vendiam árvores envasadas. Com o 25 de Abril foi integrada, creio eu, na Rodoviária Nacional. A minha primeira visita ao Convento de Mafra não foi tão agradável. Os sapatinhos domingueiros apertavam-me os calos com a eficiência de um carrasco e a perspectiva de calcorrear aqueles corredores imensos dáva-me vontade de fugir - descalço.
    A.v.o.

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  2. Bic Laranja14/3/10 22:14

    O nome era estranho mas a dúvida é porque não pude confirmar se as carreiras apresentadas são mesmo dessa empresa. A referência que tenho do nome do ficheiro é que sim, mas...
    Pois eu percorri mais o convento foi de botas.
    Cumpts. :)

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  3. A grandiosidade do monumento não merecia que a ele fosse associado certo nome com convicções iberistas.

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  4. Bic Laranja14/3/10 22:39

    Agora baralhou-me. (D. João V?)
    Cumpts.

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  5. Não. O nobelizado ( ai os critérios!...) que escrevinhou as memórias do Convento.
    Saudações

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  6. Ah! Sim, mas estava longe de me lembrar dele, desculpe! :)
    Cumpts.

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  7. Tinha viveiros em Caneças, e a Empresa era de Caneças.

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  8. Bic Laranja18/3/10 13:04

    Sim. Não deixa de ser um estranho nome. Cumpts.

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