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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Iluminação pública

Candeeiro de cegonha, Abrantes [cópia de A. V. Silva dum modelo de Marinho Antº de Castro para Lisboa em 1780]

« Por um edital do Intendente Geral da Polícia, que se acha fixado nos logares publicos d'esta capital, se faz saber que as principaes ruas d'ella serão illuminadas desde o dia 17 d'este mez. S. Magestade houve por bem fazer a despeza dos lampeões, e cada morador das ruas, em que elles serão postos, deverá contribuir com um quartilho d'azeite em cada espaço de 27 dias [Gazeta de Lisboa, 15 de Dezembro de 1780].
  [...]
 O que isto daria que palrar! quanto não foram comentados os prós e os contras! 
 Estava-se numa assembleia, e achava-se entre os circunstantes certo falador com vizos [i.e. visos] de engraçado, barba muito escanhoada, cabeleira de duas guinguetas, vestido de veludo preto, e uma larga fita ao pescoço, em que tinha uma cruz pendente. (Bom retrato!)
 Tendo-se falado, - diz Figueiredo - e discorrido muito, das utilidades iluminação da cidade, quando andava em questão, depois de largos discursos, em que esteve calado, respondeu afinal em ar de Catão:
 - Eu não sei que utilidade me vem, estando em minha casa pelas 8 ou 10 horas da noite, que estejam ardendo a este tempo tantas mil luzes na rua. Eu não sei.
 E encolhendo os hombros, voltando-se com ar risonho, correu o auditório com satisfação:
 - Eu não sei. Eu não sei.
 ... esperando que lhe dissessem: Amen1.


  É curiosa a anedota, e parece-me contada com a maior graça.»


Júlio de Castilho, Lisboa Antiga; Bairros Orientais, 2ª ed. revista e ampliada pelo autor e com anotações do Engº Augusto Vieira da Silva, vol. IX, Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1937, pp.168 e ss..
1 Theatro de Manuel de Figueiredo, tom. XIV, pág. 498.
 

 

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