![Candeeiro de cegonha, Abrantes [cópia de A. V. Silva dum modelo de Marinho Antº de Castro para Lisboa em 1780]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_vzo0uHuwB73ut5-TrajSIYRqcPVL9pPTdvx8Yv44f8pMe_xDGF4MFP5C3-A7GCP-Sop_NxRnG_yJFxYIcqGvzuoW9HDxFctH3pmzZVE7qGgg=s0-d) |
« Por um edital do Intendente Geral da Polícia, que se acha fixado nos logares publicos d'esta capital, se faz saber que as principaes ruas d'ella serão illuminadas desde o dia 17 d'este mez. S. Magestade houve por bem fazer a despeza dos lampeões, e cada morador das ruas, em que elles serão postos, deverá contribuir com um quartilho d'azeite em cada espaço de 27 dias [Gazeta de Lisboa, 15 de Dezembro de 1780]. [...] O que isto daria que palrar! quanto não foram comentados os prós e os contras! Estava-se numa assembleia, e achava-se entre os circunstantes certo falador com vizos [i.e. visos] de engraçado, barba muito escanhoada, cabeleira de duas guinguetas, vestido de veludo preto, e uma larga fita ao pescoço, em que tinha uma cruz pendente. (Bom retrato!) Tendo-se falado, - diz Figueiredo - e discorrido muito, das utilidades iluminação da cidade, quando andava em questão, depois de largos discursos, em que esteve calado, respondeu afinal em ar de Catão: - Eu não sei que utilidade me vem, estando em minha casa pelas 8 ou 10 horas da noite, que estejam ardendo a este tempo tantas mil luzes na rua. Eu não sei. E encolhendo os hombros, voltando-se com ar risonho, correu o auditório com satisfação: - Eu não sei. Eu não sei. ... esperando que lhe dissessem: Amen1.
É curiosa a anedota, e parece-me contada com a maior graça.»
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Júlio de Castilho, Lisboa Antiga; Bairros Orientais, 2ª ed. revista e ampliada pelo autor e com anotações do Engº Augusto Vieira da Silva, vol. IX, Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1937, pp.168 e ss.. 1 Theatro de Manuel de Figueiredo, tom. XIV, pág. 498. |
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